Brasil e Venezuela

Petróleo venezuelano vira peça-chave da disputa geopolítica entre EUA e China e reacende debate energético no Brasil

Segundo advogado do Hondatar, movimentação externa pressiona debate no Brasil sobre petróleo, Petrobras e fontes renováveis.

Redação TN Petróleo/Assessoria Firjan
12/01/2026 12:14
Petróleo venezuelano vira peça-chave da disputa geopolítica entre EUA e China e reacende debate energético no Brasil Imagem: Divulgação Visualizações: 1615

A recente movimentação dos Estados Unidos na Venezuela tem motivações que vão além do abastecimento energético e se inserem em um contexto mais amplo de reorganização geopolítica na América Latina. Segundo o Dr. Felipe Rainato (foto), advogado do escritório Hondatar, o foco da ação americana está no controle dos fluxos comerciais do petróleo venezuelano, especialmente aqueles destinados à China, e no fortalecimento da influência dos EUA sobre o mercado global da commodity.

De acordo com Rainato, embora a Venezuela detenha uma das maiores reservas de petróleo do mundo, os Estados Unidos já são praticamente autossuficientes em produção energética. "O interesse americano não estaria diretamente ligado ao consumo interno, mas ao papel estratégico do petróleo venezuelano no cenário internacional, pois atualmente quase 5% do petróleo importado pela China tem origem venezuelana, o que torna o país um fornecedor relevante para o mercado asiático", ressalta.

Neste contexto, o especialista ressalta que a possibilidade de modernização da infraestrutura de refino venezuelana por meio de empresas americanas pode inserir o petróleo do país de forma mais competitiva no mercado internacional. Para ele, apesar de sua qualidade inferior em comparação a outros tipos de petróleo, como o saudita, o investimento em refino permitiria ampliar a sua presença global e transformá-la em um ativo estratégico não apenas econômico, mas também político.

Outro ponto central é o impacto dessa movimentação dentro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Rainato explica que, com maior controle sobre ativos de produção e refino na Venezuela, os EUA passam a exercer uma influência indireta em um dos principais carteis responsáveis pela definição de preços e níveis de produção do petróleo no mundo. "Isso amplia a capacidade americana de usar a commodity como instrumento de pressão geopolítica em momentos de instabilidade internacional", complementa.

Rainato ainda lembra que o Brasil conquistou papel de relevo na geopolítica do óleo com a exploração do pré-sal e, agora, com a descoberta das reservas na Margem Equatorial, o que dá margem para atenuar sua exposição a especulações do mercado. Para ele, apesar disso, o Brasil precisa avançar mais rapidamente na ampliação e diversificação da infraestrutura energética, especialmente no desenvolvimento e utilização de fontes alternativas e renováveis, justamente para mitigar a volatilidade de preços e de oferta em momentos de crise.

Impactos na relação Brasil e Venezuela

Em relação ao Brasil, o advogado do escritório Hondatar ressalta que os efeitos diretos ainda são limitados. Até o momento, não houve volatilidade significativa nos preços internacionais do petróleo nem instabilidade relevante dentro da OPEP. Outro ponto destacado é que o mercado brasileiro de combustíveis já opera sob forte pressão política e regulatória, o que reduz impactos imediatos vindos do cenário externo.

No campo comercial, a relação Brasil e Venezuela, embora existente, tem perdido importância desde o recrudescimento do regime de Maduro e das sanções impostas pelos EUA ao país caribenho. Rainato explica que o Brasil importa principalmente insumos industriais e energéticos, enquanto exporta alimentos e commodities agrícolas, mas em volumes menores, o que revela uma relação menos estratégica do ponto de vista da definição da pauta comercial brasileira. "Eventuais impactos decorrentes de instabilidade na Venezuela tendem a ser administráveis, já que o país não figura entre os principais parceiros comerciais brasileiros", finaliza.

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