Empresas

Petrolífera ConocoPhillips resolve se desmembrar

Valor Econômico
15/07/2011 09:33
Visualizações: 620
A ConocoPhillips, gigante petrolífera americana, anunciou que vai desmembrar suas unidades de refinaria e produção em duas empresas de capital aberto, uma decisão rara para uma empresa desse porte num setor que tradicionalmente considera quanto maior, melhor.


"Chegamos à conclusão de que [a cisão] seria a melhor maneira de criar valor para nossos acionistas", disse o diretor-presidente da ConocoPhillips, James Mulva, em uma teleconferência com investidores. Mulva pretende se aposentar após a conclusão da cisão, que deverá acontecer no primeiro semestre do próximo ano.


A ConocoPhillips é a mais recente petrolífera a adotar esta separação, seguindo os passos das também americanas mas bem menores Marathon Oil Corp, El Paso Corp e Williams Cos, entre outras. É mais uma jogada da terceira maior petrolífera dos Estados Unidos em valor de mercado em sua estratégia iniciada há dois anos para elevar o valor de suas ações.


A ConocoPhillips embarcou em uma onda de compras durante o boom do setor na década passada que a carregou com uma pilha de dívida. Em 2009, ela tentou vender US$ 10 bilhões em ativos não essenciais para reforçar suas finanças. O plano foi estendido em março.


A empresa não havia dado indicações de uma cisão, embora Mulva tenha dito que todas as opções estavam sendo consideradas. Ainda assim, ele apoiou a integração das operações de produção e exploração com o braço de refino da ConocoPhillips na assembleia anual de acionistas em maio. "Temos uma grande convicção sobre o modelo integrado", disse a repórteres depois da reunião. "Sentimos que o modelo integrado funciona para nossa empresa, mas gostaríamos de ter mais [exploração e produção] em nosso portfólio, e menos refino."


"Nossa visão realmente não mudou", disse Mulva ontem. Para criar valor, a empresa tinha que crescer para ser competitiva, disse, acrescentando que tanto a divisão de refino quanto as operações de exploração e produção se beneficiaram de seu tamanho."Acreditamos que, como empresas separadas, com mais alcance e tamanho, elas têm condições muito melhores de compeções de refino menos competitivas, continuará paralelamente à cisão, informou a empresa sediada emtir".


O plano de vender ativos, incluindo as opera
Houston. A ConocoPhillips também deve continuar com um programa de recompra de ações de US$ 11 bilhões este ano e continuará pagando seus dividendos no mesmo nível, de acordo com Mulva.


O executivo disse que a empresa estava estudando seriamente as opções para a venda de ativos de refino desde o final do ano passado, concluindo que um desmembramento era a melhor forma de criar mais valor para os acionistas. Como uma empresa independente, disse, ela será capaz de investir de forma mais criativa e oferecer mais oportunidades de trabalho para seus empregados.


Mulva, que havia anunciado anteriormente que planeja se aposentar no próximo ano, foi o arquiteto de uma série de acordos destinados a ampliar o alcance internacional da empresa e diversificar sua carteira de ativos.


Mas ao contrário de rivais maiores como a ExxonMobil Corp. e a Chevron Corp., a ConocoPhillips embarcou em uma onda de aquisições durante a década de 2000, quando os preços do petróleo e do gás estavam em alta, acumulando muitos ativos que, mais tarde, pesaram sobre a sua rentabilidade.


Mulva, que, como diretor-presidente da Phillips Petroleum Co. liderou a fusão, em 2002, que criou a ConocoPhillips, supervisionou seis anos de um ritmo frenético de negócios. Sob sua supervisão, a Conoco comprou 7,3% na petrolífera russa OAO Lukoil Holdings em 2004, por US$ 2,4 bilhões, uma fatia que depois aumentou para quase 20%; a produtora de gás americana Burlington Resources por US$ 35 bilhões em 2006 e pagou US$ 8 bilhões para participar de uma joint-venture de gás natural liquefeito na Austrália em 2008.


Todos esses negócios elevaram a ConocoPhillips às fileiras das maiores petrolíferas do mundo, mas também a deixaram com uma dívida muito maior que a de seus concorrentes, tornando a Conoco vulnerável quando os preços de combustíveis caíram no final de 2008. Enquanto a Exxon Mobil e a BP PLC aproveitavam a crise para comprar ativos de rivais mais fracos, a Conoco se viu forçada a cortar gastos e demitir trabalhadores.


"Eles compraram na alta e venderam na baixa", diz Philip Weiss, um analista de petróleo da Argus Research.


Desde o final de 2005, a ação da ConocoPhillips subiu 27,8%, em comparação com aumentos de 46,8% e 85,1% para a ExxonMobil e a Chevron, respectivamente.


Mulva defendeu ontem numa entrevista para o Wall Street Journal sua estratégia de transformar a ConocoPhillips em um gigante, dizendo que tanto o braço de refino como o de exploração e produção se beneficiaram de sua massa crítica.


Analistas do UBS disseram que é improvável que a medida produza valor significativo porque a ação da Conoco já está sendo negociada a um valor superior ao de seus pares, e seus ativos de refino são menos atraentes do que outras empresas.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Pessoas
Novo diretor do COPPEAD assume com desafio de ir além da...
21/08/26
Gás Natural
Firjan comemora adesão do Rio ao Pacto Nacional para o D...
21/08/26
Biodiesel
ANP fará consulta e audiência públicas sobre monitoramen...
21/08/26
Navalshore
BioRen apresenta tecnologia pioneira no combate às bioin...
21/08/26
Pré-Sal
Com 180 mil bpd, FPSO Alexandre de Gusmão atinge topo de...
21/08/26
Parceria
Petrobras e Marinha do Brasil assinam protocolo de inten...
21/08/26
Navalshore
Panorama Naval do Rio de Janeiro 2026, da Firjan, aponta...
20/08/26
Eficiência Energética
Shell Eco-marathon Brasil celebra dez anos com avanços e...
20/08/26
Combustíveis
Preços dos Combustíveis mantêm trajetória de queda em ag...
20/08/26
Pessoas
Bruno Monte assume comando da CPFL Renováveis
20/08/26
Bahia
Petrobras, PetroReconcavo, Brava Energia e Origem Energi...
20/08/26
Margem Equatorial
Após descoberta de petróleo, Governo do Amapá avança na ...
20/08/26
Descarbonização
ABPIP e ANP debatem novas regras de descarbonização do m...
19/08/26
Navalshore
Sotreq leva a Navalshore 2026 soluções em peças, motores...
19/08/26
Diesel
Vibra lança o Supera Plus, o único diesel premium desenv...
19/08/26
Termelétrica
Eneva e GE Vernova iniciam operações na usina Azulão
19/08/26
Fenasucro
Fenasucro & Agrocana encerra 32ª edição com movimentação...
19/08/26
Navalshore
ABEEMAR e ApexBrasil lançam na Navalshore projeto para a...
18/08/26
Firjan
Panorama Naval no Rio de Janeiro destaca novo ciclo de o...
18/08/26
Gás Natural
Decisão judicial de São Paulo sobre taxa de fiscalização...
18/08/26
Navalshore
Firjan SENAI apresenta o Rede de Oportunidades para Forn...
17/08/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.