Petroquímica

Petroquímica: Brasileira pretende entrar também na produção de polietileno (PE) e PVC

Valor Econômico
28/05/2010 10:07
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À frente da Braskem América, Carlos Fadigas, principal executivo da petroquímica brasileira nos Estados Unidos, tem como importante desafio tornar os ativos da companhia em território americano mais rentáveis, considerando as baixas margens projetadas para o setor este ano e recuo da demanda no mercado local, ainda como reflexo da crise financeira global.

 

A entrada da Braskem em território americano, anunciada em fevereiro após a compra dos ativos da Sunoco Chemicals, por US$ 350 milhões, foi um importante passo da companhia para se tornar uma das cinco maiores petroquímicas do mundo - hoje ocupa a oitava posição. A petroquímica deverá anunciar a compra de um outro ativo nos próximos meses para dar continuidade ao movimento de expansão nos EUA. Com a Sunoco, a Braskem já é a quarta maior produtora de polipropileno (PP) dos EUA, mas busca a liderança.

Em entrevista ao Valor, Fadigas contou que as três fábricas da Braskem América (antiga Sunoco) passam por uma fase de desgargalamento para ganhar maior sinergia. Juntas, as três unidades, localizadas no Texas, Pensilvânia e Virginia do Oeste, têm capacidade para 950 mil toneladas de PP e operam, neste momento, entre 80% a 90% de sua capacidade.

Há quase duas semanas no cargo nos EUA, Fadigas mal teve tempo de desfazer as malas. "Toda operação de M&A (fusão e aquisição) tem seu glamour, mas depois temos que cuidar da parte menos charmosa, que são os rearranjos com a fusão." Aos 39 anos, o executivo teve boa parte de sua carreira desenvolvida na Odebrecht. Ele ingressou no grupo baiano em 1993 e tornou-se vice-presidente de finanças e relações com investidores da Braskem em 2007.

A expectativa é de que a divisão nos EUA encerre 2010 com faturamento entre US$ 1 bilhão e US$ 1,2 bilhão, crescimento entre 25% e 50%, se confirmadas as estimativas, como reflexo da recuperação dos preços das resinas no mercado global. O terceiro trimestre deverá ser mais aquecido e o foco da companhia nos EUA será o mercado local. Atualmente, apenas 5% da produção americana de PP é exportado.

A estratégia da Braskem nos EUA será bem diferente da traçada pelo grupo para o restante da América Latina. A prioridade será fazer aquisições. No ano passado, a empresa chegou a conversar com a Dow Chemical e a Ineos, que também está se desfazendo de ativos na área petroquímica.

A Braskem já voltou a conversar com possíveis vendedores, de olho, sobretudo, em unidades nas áreas de polietileno (PE) e PVC, o que complementaria a produção de resinas nos EUA. Fadigas observa que a empresa poderá adquirir também novos ativos de PP, se as oportunidades forem interessantes. Neste momento, há várias conversas em andamento. Os ativos nos EUA, ao contrário do ano passado, estão mais valorizados.

Para ganhar a confiança dos atuais clientes e dos potenciais em negociação, a Braskem está investindo em campanhas de marketing nos EUA para tornar seu nome mais conhecido. A petroquímica vai ser uma das patrocinadoras do evento da Fórmula Indy, que ocorre no dia 5 de junho.

Na América Latina, sobretudo, México e Venezuela, onde a companhia já possui planos definidos, o modelo estratégico de expansão será por meio dos projetos "greenfield" (construção). No Brasil, a empresa deu importante passo no início deste ano, com a incorporação da petroquímica Quattor, em sociedade com a Petrobras. Até julho, deverá definir sua participação no Comperj e também no complexo petroquímico de Suape.

 

Apesar do ambicioso processo de expansão, as ações da companhia continuam em queda. Ontem, os papéis fecharam a R$ 10,55, desvalorização acumulada no ano de 25%. Analistas consideram que a compra da Quattor não tem dado a sinergia esperada.
 

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