Alerta

Petroquímica vê risco em acordo com países do Golfo

Folha de S.Paulo
18/05/2009 03:56
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O governo brasileiro comemorou ontem o rompimento do impasse na negociação de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o CCG (Conselho de Cooperação do Golfo), após a visita histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Arábia Saudita.

 


Mas representantes da indústria petroquímica brasileira alertam de que o processo, lançado em 2005, ainda é “embrionário” e reiteram os temores de que a eliminação ou mesmo a redução de tarifas dos ultracompetitivos produtos do Golfo poderão representar a morte do setor no país.

 

Na noite de sábado, o presidente Lula reuniu-se com o secretário-geral do CCG, Abdulrahman Al Attiyah, com quem avaliou os próximos passos para recolocar o acordo na agenda. Segundo o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, o encontro “destravou” as negociações.

 

“Soltaram o freio de mão”, afirmou. Um dos resultados do encontro, segundo Garcia, será a visita em breve do ministro do Petróleo saudita ao Brasil.

 

Ele disse não esperar que problemas com o setor petroquímico em países do Mercosul ou da Venezuela, que deve se juntar à união aduaneira sul-americana em breve. Garcia confirmou que uma das possibilidades para vencer a resistência da indústria seria a classificação de produtos sensíveis, que protegeria os petroquímicos da queda de tarifas.

 

Para Marcelo Lyra, vice-presidente da Braskem, uma das principais empresas do setor no Brasil, a eliminação de tarifas para a entrada de petroquímicos do Golfo no país poderia acabar com a indústria, que emprega cerca de 320 mil pessoas. “É importante que um acordo preserve os setores estratégicos”, disse Lyra.

 

O principal obstáculo nas negociações entre CCG e Mercosul desde seu início, há quatro anos, está relacionado ao comércio de produtos petroquímicos. Os países árabes querem a abertura dos mercados sul-americanos, mas esbarram no receio do setor no Brasil e na Argentina, além da Venezuela.

 

Segundo Lyra, hoje a tarifa aplicada aos produtos importados no Brasil é de 14%, e o fim da alíquota abalaria a competitividade da indústria nacional.

 

Em discurso na Câmara de Comércio e Indústria de Riad, Lula pediu mais ousadia dos empresários para que o fluxo comercial entre Brasil e Arábia Saudita, que já teve um aumento de 70% em 2008 em comparação com o ano anterior, cresça ainda mais. O acordo entre Mercosul e o CCG, disse Lula daria “novo impulso ao comércio bilateral”.

 

Durante o almoço com os empresários, Lula defendeu que as reservas de países como o Brasil e a Arábia Saudita sejam usadas para investimentos na cadeia produtiva, e não apenas para a compra de “títulos do tesouro americano”.

 

“Temos que ter clareza que, depois da crise econômica, o mundo precisa de novos investimentos para fazer girar a roda da economia. O que estamos percebendo? Países como China estão utilizando parte de suas reservas para fazer crescer o mercado interno. O Brasil criou fundo garantidor, colocou US$ 36 bilhões das reservas para financiar nosso setor de exportação. E assim a gente vai contribuindo para gerar economia”, disse Lula.

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