Navegação

Porto do Rio terá operações noturnas em um dos principais acessos

Redação/Agência Brasil
27/04/2020 18:06
Porto do Rio terá operações noturnas em um dos principais acessos Imagem: Divulgação Visualizações: 1730

O principal acesso aquaviário ao Porto do Rio de Janeiro, o Canal de Cotunduba, que recebe navios de grande porte, passará, ainda este ano, a funcionar 24 horas por dia. Atualmente, nesse canal são feitas somente operações diurnas. Para que ele comece a operar também à noite, estão sendo feitas manobras noturnas de entrada e saída de navios conteineiros. O Canal de Cotunduba está situado entre a ilha do mesmo nome e o Morro da Urca. A ideia é que já no segundo semestre deste ano o Canal de Cotunduba esteja com operações noturnas.

De acordo com o coordenador do grupo de trabalho Melhorias da Acessibilidade Aquaviária do Porto do Rio de Janeiro, da Companhia Docas do estado (CDRJ), Marcelo Villas-Bôas, a principal vantagem de funcionar à noite é a redução de custos para os armadores e donos de carga. Esse custo de navegação é calculado por hora. Um navio conteineiro tem custo da ordem de US$ 30 mil por dia.

Villas-Bôas destacou que se um navio conteineiro entra no porto para fazer operação de carga e descarga e conclui essa operação à noite, ele é obrigado a esperar, em média, entre oito e 12 horas para poder “suspender”, isto é, levantar âncora. “Isso prejudica o porto, que tem o cais imobilizado, sem atividade. O porto perde com isso, a cidade perde com isso, porque é receita, e reduz a atratividade do Rio de Janeiro como porto de carga", disse à Agência Brasil.

Para o porto, há um ganho adicional à maior rotatividade, que é poder operar com navios que vão poder sair à noite, com capacidade de carga maior. Ou seja, o porto fica mais competitivo e reduz o custo Brasil.

Balizamento

A preparação do canal para operar à noite exigiu a colocação de um sistema de balizamento ou sinalização náutica moderna. O canal já tinha três boias, às quais se somaram outras três para aumentar a segurança, e foi incluído ainda um sistema denominado AIS AtoN (sistema de identificação automática), que promove maior precisão na delimitação do canal, a fim de reduzir o risco de acidentes. “Melhora a visualização das boias (para os navios), além de ter capacidade de transmitir dados para os navegantes, como previsões meteorológicas, boias que estão apagadas. Vai aumentar muito a segurança da navegação noturna, disse Villas-Bôas.

Em paralelo, o Porto do Rio busca viabilizar a meta de trazer navios maiores, que são navios do porte dos que atravessam o Canal do Panamá, por exemplo, aos quais o mundo já se adequou. O coordenador do grupo de trabalho lembrou que a Ásia e os Estados Unidos já operam, inclusive, nas docas nobres, com navios de 400 metros de comprimento.

“A gente está buscando os de 366 metros, que são navios grandes que a gente tem que trabalhar com um calado alto para poder ser vantajoso economicamente”. Atualmente, os maiores navios que entram no Porto do Rio tem, no máximo, 285 metros de comprimento

Serão feitas também simulações de manobras na Universidade de São Paulo (USP), na primeira semana de junho, para ver como esses navios se comportam no Rio de Janeiro, se o Canal de Cotunduba tem locais de atracação, berço, ou seja, se tem capacidade para aguentar um navio desse porte. “Isso tudo está sendo estudado”. Essas simulações permitirão saber a possibilidade de passar de navios de 285 metros para 366 metros.

Barcos pesqueiros

A Marinha do Brasil tem feito um trabalho de conscientização da comunidade pesqueira e dos clubes de náutica da Baía, alertando que o canal passará a ter operações noturnas. Isso porque o local fica cheio de barcos pesqueiros à noite. “Isso prejudica a segurança da navegação”.

Para isso, lanchas alertarão os pescadores. “As lanchas passam pelo canal, fazendo a varredura”. O canal foi dividido em áreas ou setores de responsabilidade ou atuação. Quando o navio vai entrando, as lanchas fazem a sua escolta, de modo a assegurar que a navegação vai ser segura e sem riscos para o navio.

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