Rio Oil & Gas 2010

Produtividade da cana deve dobrar até 2050

A produtividade média de cana-de-açúcar por hectare plantado deve dobrar até 2050. Além disso, no mesmo período, o aumento de eficiência esperado deve aumentar a produtividade das usinas de 82 litros de etanol por tonelada de cana-de-açúcar para 250 litros por tonelada. Essas previsões, ba

Redação
14/09/2010 08:24
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A produtividade média de cana-de-açúcar por hectare plantado deve dobrar até 2050. Além disso, no mesmo período, o aumento de eficiência esperado deve aumentar a produtividade das usinas de 82 litros de etanol por tonelada de cana-de-açúcar para 250 litros por tonelada. Essas previsões, baseadas em dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), foram apresentadas ontem pelo diretor-presidente do Grupo Cosan, Marcos Lutz, na Sessão Plenária “Desafio dos Biocombustíveis”, realizada nesta segunda-feira na Rio Oil & Gas.


Com esses ganhos de produtividade, será possível produzir 500 milhões de metros cúbicos a mais no mundo, em 2050, do que o volume atual, mesmo mantendo a mesma área plantada de 2009. Lutz explicou ainda que, somente no Brasil, desde a década de 70, foram preservados 7 milhões de hectares por causa do aumento de produtividade obtido com os avanços tecnológicos.


Os dados, segundo o executivo, mostram boas perspectivas para a oferta de etanol no mundo, cuja demanda tende a aumentar devido às preocupações ambientais. O diretor presidente da Cosan ressaltou que, principalmente após a crise, grandes investidores de longo prazo entraram no negócio do etanol e que a sustentabilidade é um requisito para esses investimentos. “Para esses investidores de longo prazo, o negócio tem de estar baseado na sustentabilidade ambiental, social e econômica”, afirmou.

O Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) tem pronta uma proposta para o setor de biocombustíveis que inclui a criação de uma Secretaria Nacional de Biocombustíveis. A informação foi dada pelo coordenador do Centro de Agronegócios da FGV , Roberto Rodrigues, após as palestras do presidente da Petrobras Biocombustíveis, Miguel Rosseto, e do diretor-presidente da Cosan.


De acordo com os participantes da plenária, o setor avançou muito nos últimos anos. A produtividade por hectare aumentou, há uma preocupação cada vez maior com sustentabilidade e iniciativas para melhorar a cadeia logística e de armazenamento. Os desafios futuros, porém, ainda são grandes.


“Apenas no mercado de etanol, para absorver a demanda projetada, temos uma necessidade estimada de investimentos de US$ 60 bilhões. É Capex novo que não virá apenas do mercado financeiro, mas também de investidores estratégicos”, acredita Lutz.


A sustentabilidade aparece entre as prioridades de Lutz e do presidente da Petrobras Biocombustíveis. “Precisamos qualificar o fornecimento de matéria-prima. Isso inclui avançar nas pesquisas, tratar resíduos como matéria-prima, qualificar fornecedores e, principalmente, garantir sustentabilidade na organização da atividade econômica”, resumiu Rosseto, após listar os avanços realizados nos últimos dois anos. “Além de ampliarmos o mercado com os carros flex, em junho de 2009, fechamos o acordo produtivo das relações de trabalho, em setembro, realizamos o zoneamento agroecológico que disciplina o território da cana-de-açúcar”.


De acordo com Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da FGV e um dos responsáveis pela proposta que será entregue pelo IBP ao futuro presidente eleito do Brasil, é importante garantir a visibilidade internacional dessas ações para derrubar os mitos que atrapalham o crescimento do mercado externo.


“A produção de biocombustíveis envolve um conjunto de temas que precisam de uma estratégia definitiva. Atualmente, existem 12 ministérios envolvidos com esse assunto. Falta estratégia”, resume, lembrando que o Brasil pode se beneficiar com a expansão da cultura de cana para outros países da África e da Ásia. “É muito melhor exportar tecnologia e equipamentos do que etanol”.
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