Petroquímica

Reajuste da nafta afeta fabricantes de plásticos

Valor Econômico
06/04/2005 00:00
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A escalada da alta do petróleo já provoca reflexos na capacidade da indústria de plásticos em absorver os aumentos de custos. A Petrobras reajustou a nafta, a principal matéria-prima da indústria petroquímica, em 18% para este mês, e a indústria de resinas termoplásticas promete repassar aumentos de 10% a 13%.
"Anunciamos aumentos de preços para abril para praticamente todas as resinas", disse Isidro Quiroga, diretor comercial de plásticos da América Latina da Dow Chemical.
Diferentemente do ano passado, quando a demanda mais aquecida da economia permitiu o repasse sem grandes sobressaltos, a indústria de transformação acredita que, desta vez, o fará integralmente diante de um cenário conjuntural menos favorável.
Além da demanda, outro fator que contribuiu para aliviar a pressão dos custos desde o fim do ano foi a valorização do real frente ao dólar. Mas poucos acreditam que o real continue valorizando.
"Não temos outra alternativa", diz Rogério Mani, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Embalagens Plásticas (Abief). "Em 2004, as resinas aumentaram até 70%, e conseguimos absorver cerca de metade disso. Agora, a necessidade do repasse é integral", diz Mani.
Excluindo as mais recentes altas do petróleo, o aumento da commodity já levou a nafta vendida pela Petrobras a atingir US$ 480 no mês, a mais alta cotação da história. Esse preço está US$ 100 acima da média de 2004 e US$ 200 superior à média de 2003. Em março, a nafta era vendida pouco acima de US$ 400 por tonelada. As resinas, como polipropileno e polietileno, eram cotadas a US$ 1,4 mil e US$ 1,3 mil por tonelada em março.
A alta do petróleo e de seus derivados repercute nos custos de diversos produtos da economia, de commodities agrícolas vendidas em sacos a brinquedos plásticos, de painéis e pára-choques de carros a embalagens que revestem alimentos e produtos de limpeza.
O preço do petróleo (WTI) encerrou ontem cotado a US$ 56,04 o barril, queda de 97 centavos de dólar, na Bolsa Mercantil de Nova York. O contrato do Brent fechou, em Londres, a US$ 55,44, uma queda de 79 centavos. Apesar da baixa, a cotação do WTI acumula alta de 28,9% no ano e do Brent, 37,3%.
Caso o preço do petróleo persista neste nível, a cadeia petroquímica sentirá novo impacto de custos nos próximos meses, com novas rodadas de reajustes da nafta.
A dúvida dos analistas do setor fica em relação à demanda da economia, e se a indústria conseguirá levar adiante o repasse. "Se o mercado não reagir, ficará difícil haver o reajuste", diz Solange Stumpf, diretora-executiva da MaxiQuim, uma consultoria especializada na indústria petroquímica.
Dados preliminares indicam que a indústria de resinas não teve bons resultados no primeiro trimestre. "Com exceção da indústria automobilística, os demais setores tiveram crescimento mais lento", disse o presidente do Sindicato das Indústrias de Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo, José Ricardo Roriz Coelho, que também comanda a Polibrasil, fabricante de polipropileno.
Quiroga, da Dow, calcula que a demanda por resinas tenha recuado até 7% no trimestre em relação a igual período do ano passado. "O mercado se desfez dos estoques", disse Quiroga. Depois que os preços da matéria-prima caíram ligeiramente no início do ano, houve um movimento de cautela diante da expectativa de nova queda nos preços, que acabou não se confirmando.
Sem uma clareza na tendência da futura da demanda, as atenções se voltam para os preços do petróleo. Na semana passada, previsões altamente pessimista indicavam que o barril poderia chegar ao pico de US$ 105, segundo relatório da Goldman Sachs. "Há um ano, quando me falavam que o petróleo poderia atingir os US$ 50 só poderia ser taxado de louco", diz Roriz Coelho. Ele acredita que o preço recuará, mas não no curto prazo. Diz que as empresas petrolíferas estão apostando tudo na exploração para aproveitar a alta, o que levaria ao aumento da oferta de petróleo. "Espero uma trajetória declinante do petróleo depois do segundo trimestre", diz José Carlos Grubisich, presidente da Braskem, a maior petroquímica brasileira. Sua aposta é que o preço fique ao redor de US$ 45 no fim do ano.
A sorte da indústria petroquímica é que ela não enxerga riscos de migração ou substitução para outros materiais. "Realmente ficaria preocupado se apenas o petróleo estivesse aumentando, mas há outras matérias-primas, como o aço, cobre e papel, que também estão subindo", disse o diretor de negócios da Du Pont, Horacio Kantt.

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