Gás Natural

Rio de Janeiro se prepara para aumento da produção e da demanda

O estado do Rio de Janeiro se prepara para o aumento da produção e da demanda de gás natural nos próximos anos. Vão ser necessários investimentos na implementação de infraestrutura de produção e distribuição de gás, massificação do uso doméstico e industrial e políticas públicas

Redação
18/11/2009 08:38
Visualizações: 1181
O estado do Rio de Janeiro se prepara para o aumento da produção e da demanda de gás natural nos próximos anos. Vão ser necessários investimentos na implementação de   infraestrutura de produção e distribuição de gás, massificação do uso doméstico e industrial e políticas públicas que permitam transformar a riqueza do gás natural em desenvolvimento   e  distribuição de renda. Essas foram algumas das conclusões do debate “Gás Natural: distribuição, regulação e desenvolvimento sustentável”, realizado na tarde da última segunda-feira (16) pelo Fórum de Desenvolvimento do Rio no plenário da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj).


Para  o presidente da Alerj e do Fórum, deputado Jorge Picciani, o debate serviu  para apontar tendências e fornecer insumos para o planejamento de longo  prazo.  “Já  havíamos  debatido  a questão do gás natural em 2007, quando  a  crise  com a Bolívia ameaçou paralisar a distribuição em nosso estado.  Mas é muito melhor discutir durante uma conjuntura favorável, de recuperação  da  economia  e  grande  oferta  de gás”, avalia o deputado.“Quando você gira a roda a favor, de forma propositiva, ganha a sociedade como  um  todo: isso se transforma em geração de emprego, qualificação de mão-de-obra,  redução  do  desemprego  e aumento da arrecadação. Ou seja, mais  riqueza,  distribuição  de  renda  e  mais oportunidades”, completa Picciani.


O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Julio Bueno, apontou uma nova  fronteira de expansão para o gás natural: o uso em veículos pesados, como caminhões, ônibus e tratores. Veículos desse porte usam em geral óleo diesel, derivado do petróleo bastante poluente cujo uso tem sido progressivamente  reduzido.  Ainda assim, de acordo com dados da Associação Nacional de Fabricantes  de Veículos Automotores (Anfavea), 100% dos 11,5  mil caminhões e 3 mil ônibus produzidos no Brasil entre janeiro e setembro de 2009 eram movidos à diesel. “O nosso programa foi muito bem sucedido em veículos leves, e agora as montadoras e as empresas começam a ter tecnologias para desenvolver o gás natural também para veículos pesados”, afirma  Bueno, lembrando que 80% das conversões de veículos para uso de gás natural no Brasil são feitas no Rio de Janeiro.
 
 
Investimentos Privados
 


A  Ceg,  empresa  que detém a concessão da distribuição de gás natural no estado do Rio de Janeiro, deve investir cerca de R$1 bilhão até 2009 para ampliar a sua base de clientes industriais e domésticos nos 45 municípios em  que já opera e iniciar a distribuição em outras 13 cidades. A empresa foi  privatizada há 12 anos, e nesse período aumentou de 569 mil para 800 mil  e  numero  de clientes e quase triplicou o volume de gás distribuído (2,6Mm3/dia  para cerca de 7,3Mm3/dia em2008). “A oferta de gás natural é um  diferencial competitivo para atrair empresas e empreendimentos para o Rio  de  Janeiro. É uma energia mais limpa e com preço mais competitivo”, afirma Bruno Armbrust, presidente da Ceg.
 


O potencial do Rio de Janeiro também foi destacado por Jorge Delmonte, gerente de Gás Natural do IBP. “Rio e São Paulo consomem 60% do gás usado no  Brasil”,  detalhou,  acrescentando  que 70% dos 17 mil quilômetros de gasodutos  existentes  no  país  estão  destinados  ao  mercado  do sul e sudeste,  incluindo  o  gasoduto  Brasil-Bolívia. A malha de distribuição ainda é pequena quando comparada a países como os Estados Unidos, que têm 480  mil  quilômetros  de  gasodutos  que  chegam  a todos os estados. “A ampliação e integração da malha existente no Brasil é um caminho natural se quisermos pensar na expansão do uso do gás natural como combustível”,destacou.
 


O presidente  do  Conselho  Empresarial  de  Energia  da Firjan, Armando Guedes,  enfatizou a necessidade uma política pública de longo prazo para disseminar  o  uso do gás. “Temos que pressionar tanto o governo quanto a Petrobras”,  afirmou o empresário. Segundo sua análise, os novos poços de petróleo  do  Pré-Sal  e  o  desenvolvimento  tecnológico devem ampliar a produção  de  gás  natural no Brasil. Somada ao gás que vem da Bolívia, a oferta  vai  crescer exponencialmente e pode encontrar na distribuição um gargalo.  “Temos  a  oportunidade  de direcionar o gás para uso interno e estimular  a  substituição  de  combustíveis  mais poluentes, como o óleo diesel”, completa.
 
 
Regulação e Política de Preços


A  adoção  de  uma  política  de  preços  voltada  para  a  promoção  do desenvolvimento  econômico  do  país  também  foi  alvo de discussão. Foi deputado  Luiz  Paulo  (PSDB)  quem levantou o tema. “Os preços devem ser praticados levando em consideração a conjuntura do país. Em caso de baixa capacidade  de  geração  de energia hidrelétrica, por exemplo, o gás mais barato poderia ser um incentivo para aumentar a produção da termelétricas a  gás  e evitar um apagão de energia”, ponderou o deputado, que propôs a realização  de uma audiência pública para tratar especificamente do tema.


O próprio secretário Julio Bueno ratificou que as termelétricas a gás não tem  sido  prioridade  do  governo  estadual nos últimos anos. “O governo abandonou  a  política  de construção dessas usinas. Mas uma revisão pode ser feita se avaliarmos que vai ser melhor para economia do estado.”
 
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