Infraestrutura

Rio Grande busca alternativas para crescer

Ao mesmo tempo em que vive a euforia criada pela implantação de um polo de indústria naval no local, o porto gaúcho de Rio Grande busca alternativas para ampliar a capacidade instalada de movimentação de cargas. A infraestrutura atual e os projetos em andame

Valor Econômico
19/10/2009 07:58
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Ao mesmo tempo em que vive a euforia criada pela implantação de um polo de indústria naval no local, o porto gaúcho de Rio Grande busca alternativas para ampliar a capacidade instalada de movimentação de cargas. A infraestrutura atual e os projetos em andamento são capazes de suportar a expansão da demanda projetada até 2015, mas a partir daí será necessário providenciar novas áreas para crescer, pois os estaleiros estão ocupando espaços nobres que poderiam abrigar novos terminais.

"Os estaleiros estão se instalando nas melhores áreas disponíveis", constata Carlos Renato Rodrigues, diretor técnico da Superintendência do Porto de Rio Grande (Suprg), autarquia estadual que administra o porto por concessão da União. Não se trata de uma crítica ao novo setor, mas de uma preocupação em não prejudicar a principal operação da estrutura portuária nos próximos anos. Conforme o executivo, o porto de Rio Grande não pode ficar "à mercê" da indústria naval, que embora seja um forte indutor de investimentos depende basicamente do mercado de petróleo e gás.

O ministro da Secretaria Especial de Portos (SEP), Pedro Brito do Nascimento, concorda com a avaliação. "O polo naval é apenas um detalhe", comenta. Segundo ele, o governo federal decidiu investir pesado na dragagem do canal de acesso, no prolongamento dos molhes da barra e na modernização do cais público a partir de estudo feito em 2007 pelo Centro de Excelência em Engenharia de Transportes (Centran), que classificou Rio Grande como o segundo porto em importância para o comércio exterior brasileiro, depois de Santos. O centro é formado pelo Exército e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Só esses três projetos somam R$ 760 milhões, a maior parte financiada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Agora o Centran pretende concluir, até o fim de 2010, com o apoio técnico do porto de Rotterdam, da Holanda, um plano diretor estratégico para o desenvolvimento do setor portuário brasileiro durante os próximos 20 anos. Segundo o ministro, em até 30 dias será despachada uma portaria com os critérios para os novos planos de zoneamento que devem ser elaborados pelas administrações dos portos.

Os planos deverão apontar as áreas disponíveis para a operação de cada tipo de carga e terão de ser encaminhados em seis meses para a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que terá mais 15 meses para consolidar o novo programa geral de outorgas do setor. De acordo com Brito, o instrumento servirá de base para o planejamento estratégico que vai orientar os investimentos públicos e privados no setor ao longo das próximas duas décadas. Localizado no extremo sul do país, o porto gaúcho já faz as suas projeções. Nono maior do país em volume total de carga e segundo maior em volume de contêineres no ano passado, conforme os números da Antaq, o porto de Rio Grande deve atingir o recorde de 28 milhões de toneladas este ano, 14% a mais do que foi movimentado em 2008, segundo previsões do superintendente Janir Branco. A estimativa corresponde a mais do que o dobro das 13,2 milhões de toneladas movimentadas em 2000 e a projeção da superintendência é chegar a 50 milhões de toneladas já em 2015.

Depois disso, conforme Rodrigues, será preciso ampliar a infraestrutura para espaços ainda não explorados do porto organizado, que representam 60% dos 2,5 mil hectares de área útil concedidos pela União e administrados pelo governo gaúcho. O próximo alvo da Suprg é a "Ilha do Terrapleno", construída em frente ao cais público com sedimentos retirados durante a primeira dragagem do porto, nos anos 1910 e onde atualmente está instalada uma base de helicópteros da Marinha.

A ilha tem espaço para abrigar oito quilômetros de berços de atracação, suficientes para receber cerca de 30 navios simultaneamente e dobrar a capacidade total do porto prevista para 2015. A estrutura disponível hoje, incluindo os terminais privados, permite que 22 navios atraquem ao mesmo tempo em Rio Grande, mas o número deve chegar a cerca de 30 com os projetos em estudo ou em execução, como os da Termasa e Bunge Fertilizantes, além de uma área para movimentação de produtos florestais que deve ser licitada em breve, explica o diretor.

"Em setembro pedimos a cessão da área para a Marinha", diz Rodrigues. De acordo com ele, os estudos preliminares para a nova área preveem a construção de uma ponte de 50 metros ligando a ilha ao continente no extremo norte do porto (ao longo do canal navegável do cais público a distância chega a 300 metros) e a licitação de terminais para operar com qualquer tipo de mercadoria. "É um projeto para suportar o crescimento da demanda no longo prazo", afirma o executivo.

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