Petroquímica

Rio Polímeros adia inicio da produção para fim de junho

Valor Econômico
05/05/2005 00:00
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A Rio Polímeros (Riopol), primeira petroquímica brasileira a utilizar o gás natural como matéria-prima, adiou de abril para junho sua entrada em operação comercial, mas, segundo seu diretor-superintendente, João Brandão, o atraso não tem nenhum motivo especial. "Nada preocupante. São problemas normais de montagem", disse. A empresa já nasce com um contrato para exportar 150 mil toneladas anuais, durante os primeiros quatro anos, para a trading americana Vinmar.
Brandão disse que a unidade, que de forma inédita no Brasil combina central de matéria-prima com segunda geração (polietileno) petroquímica, começa a produzir em fase de testes no final de junho. "A produção para testes já será comercial", disse. A inauguração formal ainda não tem data marcada. Situada ao lado da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no município da Baixada Fluminense do mesmo nome, a Riopol vai produzir 540 mil toneladas anuais de polietileno (matéria-prima básica para a fabricação de plásticos), o que corresponde a cerca de 25% da atual produção da resina no país.
Como subproduto, ela vai gerar 75 mil toneladas/ano de propeno, ou propileno, outro produto básico para a fabricação de plásticos. A produção de propileno tem como cliente potencial a unidade da Polibrasil, associação das empresas Suzano e Basell (Basf e Shell) que produz polipropileno (resina termoplástica) ao lado da Reduc.
A fábrica de polietileno da Riopol será alimentada por uma outra, contígua, que produzirá 520 mil toneladas/anuais de eteno a partir dos gases etano e propano extraídos do gás natural produzido na bacia de Campos (RJ). A Petrobras, fornecedora do insumo básico, precisará processar 14 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural na planta de processamento de Cabiúnas (Macaé-RJ) para extrair o etano e o propano necessários à operação da Riopol.
De acordo com Brandão, a Riopol já produzirá 200 mil toneladas de polietileno neste ano. Em operação ela vai gerar 720 empregos diretos, sendo 350 contratados e 370 terceirizados. O governo do Estado do Rio de Janeiro criou um programa de incentivos à instalação de um pólo de fabricação de objetos de plástico na Baixada Fluminense a ser abastecido com a matéria-prima da Riopol. Segundo o secretário de Energia, Petróleo e Indústria Naval do Estado, Wagner Victer, oito fábricas de plásticos já começaram a se instalar e outras 20 estão em fase de análise.
A Riopol é um projeto que faz parte do pólo petroquímico do Sudeste (junto com a produção em torno da Petroquímica União, em Mauá, São Paulo) articulado pelo empresário Paulo Geiger, do grupo Unipar, já falecido. O projeto patinou durante toda a década de 90 e que só entrou em obras em 2001, justamente quando o Brasil entrava em um período difícil em termos de captação de recursos para investimentos. O arranjo societário final juntou os grupos privados Unipar e Suzano, cada um com um terço do capital, e as estatais Petrobras e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cada um com um sexto do capital.
O investimento de US$ 1,08 bilhão foi feito com recursos próprios dos quatro acionistas (40%) e com financiamentos do BNDES (cerca de 30%) e do Eximbank dos Estados Unidos e da seguradora italiana Sace os 30% restantes. O financiamento está previsto para ser amortizado em dez anos. Brandão disse que o consumo de polietileno historicamente cresce de duas a duas vezes e meia o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). No caso brasileiro, as perspectivas da indústria são reforçadas pelo fato de o país consumir hoje apenas cerca de 20 quilos por habitante/ano, contra 30 quilos do México e 100 quilos dos Estados Unidos.
Para Gabriel Gomes, gerente do departamento de química do BNDES, as grandes vantagens da Riopol residem em ser ela uma planta integrada (eteno e polietileno em uma só) e no uso do gás como combustível.
"Hoje o Brasil importa de 30% a 40% da nafta (a outra matéria-prima tradicional da petroquímica). A Rio Polímeros é um projeto inovador que consome uma matéria-prima disponível", disse. Para Gomes, o gás é a alternativa para o crescimento da petroquímica no Brasil.

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