Meio Ambiente

Setor de florestas elabora plano para impulsionar mercado brasileiro de remoções de carbono na COP 27

Regulamentação das transações envolvendo certificados de remoções de CO2e é próximo desafio do encontro do clima

Redação TN/Assessoria
11/08/2022 09:03
Setor de florestas elabora plano para impulsionar mercado brasileiro de remoções de carbono na COP 27 Imagem: Divulgação Visualizações: 1939

Empresas, pesquisadores e lideranças da silvicultura brasileira estão se mobilizando para incluir o potencial de remoção de carbono das florestas plantadas brasileiras nas discussões sobre esse novo mercado na COP 27, previstas para novembro, no Egito. A conferência terá como um de seus objetivos fundamentais a implementação dos artigos 6.2 e 6.4 do Acordo de Paris, que tratam das negociações de certificados de remoções de CO2e entre países para o cumprimento de suas NDCs - em português, Contribuição Nacionalmente Determinada, que reúne as metas do país para conter o aquecimento global, bem como para as organizações compensarem suas emissões. 

Atualmente os créditos de remoção de carbono das florestas plantadas são cada vez mais reconhecidos como grande esperança contra o aquecimento global, pois a redução de emissões se mostrou insuficiente para limitar o aumento das temperaturas em 1,5ºC neste século. Novas tecnologias de remoção estão sendo desenvolvidas e certificadas, e o CO2e comprovadamente removido por empresas ambientalmente engajadas começou a ser negociado recentemente como crédito, a um preço a partir de 100 euros por tonelada.

Em encontro recente intitulado “Diálogos sobre Silvicultura de Carbono”, organizado pelo Instituto de IPEF - Pesquisa e Estudos Florestais em Piracicaba (SP), a Aperam BioEnergia foi convidada a apresentar seu case de sucesso no mercado de carbono. Localizada no Vale do Jequitinhonha (MG), a unidade florestal da Aperam South America fez recentemente a primeira venda de uma empresa brasileira no mercado de remoções de CO2e. 

O Engenheiro Florestal da Aperam BioEnergia, Mario Melo, foi um dos palestrantes. Com o tema “Certificação de Carbono em Florestas Plantadas", ele apresentou as ações inovadoras e inéditas da unidade, uma parceira fundamental da Aperam South America em sua jornada de sustentabilidade. "Graças às florestas da BioEnergia, a empresa se tornou a primeira do mundo em seu segmento a atingir a neutralidade entre emissões e remoções de carbono nos escopos 1 e 2”, lembrou o engenheiro. 

Mario também ressaltou o pioneirismo da BioEnergia com o contrato de comercialização de carbono celebrado com a canadense Invert Inc., abrindo as portas desse novo negócio para o Brasil. Devido às estratégias de sustentabilidade, tecnologias e processos, a Aperam BioEnergia comprovou ter removido 1.100 toneladas de CO2e da atmosfera com a aplicação de uma biomassa conhecida como Biochar no solo de suas florestas plantadas, que retém o dióxido de carbono por centenas de anos. O Biochar é uma parte do carvão vegetal produzido na unidade com a madeira das florestas renováveis de eucalipto. Por sua granulometria, não é aproveitado na siderúrgica, em Timóteo, como carvão vegetal para a produção do Aço Verde Aperam. “Nossa experiência gerou muito interesse porque esse é um mercado ainda pouco explorado, no qual o Brasil tem um potencial incrível”, disse Mario Melo.

Além de cases de sucesso e apresentação de estudos de carbono, o encontro organizado pelo IPEF definiu um plano de ação. Foi criado um grupo técnico permanente, com representantes das empresas associadas ao IPEF e a Ibá (Indústria Brasileira de Árvores), além de convidados especiais. 

O grupo vai elaborar um documento científico, no formato executivo, tendo como base os resultados de vários trabalhos já promovidos no Brasil, no âmbito dos Programas Cooperativos do IPEF e instituições parceiras. O objetivo da publicação é levar os números e estudos relevantes sobre o setor para a COP 27.

Segundo Mario Melo, o IPEF possui um banco de dados extenso de estudos realizados ao longo dos anos, porém não estava sendo aplicado em inventários de carbono das empresas do setor. O engenheiro explica que, hoje, para fatores chaves que influenciam diretamente as remoções de carbono, são utilizados dados e padrões do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), que na maioria dos casos não retrata a realidade das florestas plantadas e nativas do Brasil. 

"A ideia principal é reunir esses dados e fazer um padrão Brasil vinculado ao IPCC, de acordo com região, clima, relevo etc, para explorarmos nosso real potencial de remoções”.

Hoje no Brasil não temos políticas claras para isso, a ideia é montar um documento técnico e levar para os órgãos públicos, Ministério do Meio Ambiente, para ser discutido na COP 27. Colocar o setor florestal brasileiro em pauta na COP 27.

Entenda a silvicultura de carbono

Diferentemente de outros setores, onde o carbono faz uma viagem apenas de ida para a atmosfera, as florestas funcionam como uma via de mão dupla, absorvendo carbono enquanto crescem ou se mantêm, e soltando quando degradadas ou desmatadas. 

Um estudo (https://www.nature.com/articles/s41558-020-00976-6) publicado em 2021 pela Global Forest Watch em parceria com o World Research Institute descobriu que as florestas do mundo emitem em média 8,1 bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera todos os anos por conta de desmatamento e degradação, e absorvem 16 bilhões de toneladas de CO2e por ano. 

O estudo aponta que, ”em nenhum setor, a natureza de duas dimensões do fluxo de carbono da floresta é tão aparente quanto nas florestas manejadas, que são cortadas e replantadas para produzir madeira". 

Nessas áreas de manejo florestal, algumas porções de árvores são colhidas em intervalos planejados, resultando em emissões de carbono, enquanto outras são deixadas para crescer, absorvendo carbono”, explicou o WRI, em artigo.

Segundo o instituto, o que define se essas florestas serão fonte ou sumidouro de carbono é como elas são manejadas – quanto tempo entre cada ciclo de colheita, quanto da floresta é cortada, a idade das árvores e a área total a ser calculada. E é nesse quesito, o manejo, que o Brasil tem construído uma história de sucesso.

No Brasil, o setor cultiva hoje para fins industriais 9,55 milhões de hectares de florestas renováveis, boa parte em áreas que já foram degradadas. Por outro lado, destina 6,05 milhões de hectares para conservação de florestas nativas, segundo o Instituto Brasileiro de Florestas.  

Juntas, as duas áreas estocam 1,88 bilhão de CO2e. Portanto, além de evitar emissões, como ocorre no desmatamento, a indústria florestal remove e estoca carbono, tornando-se uma das principais esperanças do mundo contra o aquecimento global.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Créditos de Carbono
Edital ProFloresta+ supera expectativas e recebe 16 prop...
16/01/26
iBEM26
Inteligência Artificial faz aumentar demanda por energia...
16/01/26
Resultado
Em 2025 a Petrobras produziu 2,40 milhões de barris de ó...
16/01/26
Pré-Sal
Equinor arremata primeira carga de petróleo da União do ...
15/01/26
REFAP
Produção de gasolina e diesel S-10 tem recorde de produç...
15/01/26
Internacional
Petrobras amplia presença no mercado internacional com v...
15/01/26
Resultado
Ministério de Portos e Aeroportos realizou 21 leilões em...
14/01/26
Combustíveis
Diesel Podium e Diesel Verana são os novos combustíveis ...
14/01/26
Pré-Sal
Campo de Tupi/Iracema volta a atingir produção de 1 milh...
13/01/26
Gás Natural
Tarifas da Naturgy terão redução em fevereiro
13/01/26
Fertilizantes
FAFENs Bahia e Sergipe entram em operação
13/01/26
Pré-Sal
Cinco empresas estão habilitadas para disputar leilão de...
13/01/26
Inteligência Artificial
PRIO usa tecnologia para acelerar a produção audiovisual...
13/01/26
Posicionamento IBP
Sanção do PLP 125/22 fortalece o mercado legal de combus...
13/01/26
Resultado
Portos do Sudeste movimentam 635 milhões de toneladas at...
12/01/26
Negócio
Vallourec conquista contrato expressivo com a Shell no B...
12/01/26
Brasil e Venezuela
Petróleo venezuelano vira peça-chave da disputa geopolít...
12/01/26
Combustíveis
Etanol mantém trajetória de alta no início de 2026, apon...
12/01/26
Navegação
Shell obtém licença inédita como Empresa Brasileira de N...
09/01/26
Resultado
Petróleo é o principal produto da exportação brasileira ...
09/01/26
Petrobras
Revap irá ampliar em 80% produção de diesel S-10
09/01/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.