Panorama

Setor de gás demandará aporte de US$ 230 bi/ano

Jornal do Commercio
05/10/2009 10:58
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Especialistas do setor energético do mundo inteiro desembarcaram em Buenos Aires fim de semana, para discutir o futuro da indústria do gás. A 24ª Conferência Mundial de Gás, que será realizada de hoje a sexta-feira, pretende mostrar que, apesar da complexa mudança do cenário energético global e das dúvidas sobre o setor, o gás “vai continuar sendo importante na matriz energética mundial”, como afirmou o presidente do comitê de organização da conferência, Eduardo Ojea Quintana.

 


Para tanto, os investimentos precisam ser retomados. Segundo projeções da Conferência Mundial de Gás, a indústria necessita de um investimento de US$ 5 trilhões até 2030 para atender à demanda mundia o que significa investir US$ 230 bilhões por ano. “As dúvidas que existem sobre as reservas e a falta de investimentos em geral, em todos os países, impõem o desafio de desenvolver conhecimentos para que o gás cumpra seu papel no presente e no futuro no mundo”, destacou.

 

Realizada pela primeira vez na América Latina, a conferência está baseada em três pautas estratégicas: o desafio energético global com vistas a 2030; a contribuição da indústria de gás natural em termos de garantia do fornecimento, segurança e meio ambiente; e a integração regional dos mercados de gás como fator chave de impulsão para o crescimento econômico sustentável.

 

“A mudança do cenário mundial do setor energético exige pesquisas e metas de longo prazo para que haja certeza de que não faltará gás”, detalhou Quintana. Ele disse que essa segurança só é possível mediante pesquisas e desenvolvimento de tecnologias de forma constante e permanente. Nesse sentido, Quintana cita o Brasil como um exemplo a ser seguido. “Os descobrimentos no Brasil são extraordinários”, elogia. “Nos últimos anos, não existe nenhum outro país no mundo que tenha feito descobertas de reservas como o Brasil, mas isso é resultado de um trabalho de 20 anos”, ressaltou.

 

O Brasil terá um papel importante no crescimento do setor, na opinião do presidente da União Internacional do Gás (IGU, na sigla em inglês) e também da World Gas Conference 2009 e do Instituto Argentino de Petróleo e Gás (IAPG), Ernesto Lopez Anadón. Sem revelar números, ele afirmou que a indústria mundial de gás começou a demonstrar sinais de recuperação do impacto sofrido pela crise financeira. “Segundo as empresas, o setor está se recuperando depois de uma diminuição da procura e da queda dos preços”, disse.

 

Com esta tendência, continuou, a participação do gás natural na demanda global de energia vai crescer dos atuais 28% para 32% em 2030. Esse crescimento se dará especialmente pelas “iniciativas na área de gás no Brasil, no Chile e no Peru”, afirmou.

 

PETROBRAS. A World Gas Conference é o evento mais importante do mundo no setor de gás e vai reunir especialistas e executivos de peso. Estão previstos 14 conferencistas das empresas líderes no mundo, entre eles a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster. Um dos painéis de maior destaque será realizado na quarta-feira entre os ministros da área energética de oito países, entre eles, Edison Lobão, do Brasil.

 

Intitulado “O desenvolvimento do equilíbrio entre as garantias de fornecimento e da demanda”, o painel vai contar també m com os ministros da Rússia, Japão, Argélia, Trinidad e Tobago, Reino Unido, Estados Unidos e Argentina. O debate vai ser uma extensão das discussões realizadas pela IGU e pelo Fórum Internacional de Energia (IEF), em Viena, Áustria, em novembro de 2008.

 

A ocasião serviu para avançar em direção ao estabelecimento de um diálogo global entre os países produtores e consumidores de gás. “Toda a discussão do IGU e IEF tem tido um enfoque técnico entre as empresas associadas, mas, pela primeira vez, existe a oportunidade de um debate abrangente com quem desenha as políticas, os governos”, detalhou Quintana.

 

Segundo ele, esse novo enfoque de discussão vai permitir que as políticas energéticas sejam mais eficazes para lidar com o rápido crescimento da demanda, sobretudo em países emergentes como China e Índia e a região do Oriente Médio.

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