Gás Natural

Sobra de gás tende a aumentar

Jornal do Commercio
06/11/2009 09:46
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A sobra de gás natural no País, que já chegou a pelo menos 40 milhões de metros cúbicos por dia, tende a aumentar nos próximos dois anos e só poderá ser revertida se o governo federal alterar sua política de preços. A conclusão foi apresentada nessa quinta-feira pelos técnicos da consultoria Gas Energy em seminário fechado para um público especializado do setor.


Segundo a sócia diretora da Gas Energy, Sylvie D"Apote, a tendência é de que a sobra chegue a até 60 milhões de metros cúbicos por dia em 2011, considerando o que o País deixa de importar da Bolívia, sua capacidade de processamento de Gás Natural Liquefeito (GNL) e ainda a inatividade das usinas térmicas com os elevados níveis de reservatórios hídricos.


"Novas plataformas estão entrando em produção e algumas delas são voltadas para a produção de gás, como Mexilhão e o sistema Tambaú/Uruguá. Se mantidas as mesmas condições atuais de acionamento de térmicas e preços industriais, a demanda não deve crescer de maneira a atender este aumento da oferta", disse.


Pelos cálculos da Gas Energy, a demanda total por gás no País, que chegou a 60 milhões de metros cúbicos diários em agosto do ano passado, hoje está em torno de 40 milhões de metros cúbicos. Deste total, 23 milhões de metros cúbicos correspondem ao consumo industrial, quatro milhões a menos do que naquela época.


"As indústrias que vão se instalar optam por serem bicombustíveis por conta do risco de vir a faltar gás como no passado. Isso acaba custando mais, mas diminui o risco", analisou Sylvie, lembrando que por ter como apenas "mudar a chave" do tipo de combustível para gerar energia, o consumidor industrial considera o preço final do produto entregue e a relação que está desvantajosa para o gás, em relação a combustíveis mais poluentes, como o diesel, por exemplo.



PREÇOS. Dados da Gas Energy apontam que o gás nacional é entregue na porta do consumidor por algo em torno de US$ 12,5, valor basicamente equivalente ao do óleo diesel, ambos sem impostos. A diferença, diz a consultora, é que a forma de cálculo do preço do gás embute uma parcela de transporte e uma suposta parcela fixa paga à Petrobras sem especificação do que se refere, que encarece o valor bruto do produto na boca do poço.


Ela destaca ainda que o próprio preço na boca do poço acaba sendo muito alto e exemplifica: na Bolívia, o gás sai por US$ 3,50 para o produtor, enquanto no Brasil este custo supera os US$ 5. A consultora lembra que a Petrobras vem tentando, "sem sucesso", realizar leilões para vender a preços menores o gás que está sobrando. No último, destaca Sylvie, a Petrobras aumentou o prazo de entrega de dois meses para seis meses para tentar atrair petroquímicas, mas dos 22 milhões de metros cúbicos ofertados, apenas 3,3 milhões foram comercializados.
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