Petroquímica

Suzano adota nova gestão e quer acelerar consolidação

Valor Econômico
17/08/2006 00:00
Visualizações: 1256

O grupo Suzano, que ontem anunciou um modelo compartilhado de gestão para a Suzano Petroquímica, se prepara para conquistar o posto de segundo maior grupo do setor a partir de oportunidades de consolidação de ativos na região Sudeste. "O setor passa por um momento sensível, mundialmente, com a alta do petróleo", disse David Feffer, presidente da Suzano Holding. A partir do petróleo são obtidas as matérias-primas das centrais petroquímicas.

Feffer avalia que o setor continua fragmentado e tem baixa escala de produção das empresas para poder competir internacionalmente. Para ele, a petroquímica no país deu um passo à frente com a criação da Braskem, do grupo Odebrecht, em 2002. "Mas o processo foi interrompido com a troca de governo."

Na opinião do empresário, esse modelo pulverizado não pode persistir. "Há players privados, há players de economia mista e temos a intervenção do governo, que dita a política de hidrocarbonetos [matérias-primas]".

Na região Sudeste, a Suzano tem ativos de produção de resinas de polipropileno e polietileno, em São Paulo (em Mauá) e Rio (em Duque de Caxias), materiais usados na fabricação de produtos plásticos. É também é sócia minoritária na Petroquímica União (PQU), central de matérias-primas do pólo de São Paulo.

Iniciativas de consolidação por parte do grupo Suzano, controlado pela família Feffer, passam por negociações com sócios e fornecedores, como o grupo privado Unipar (principal acionista da PQU) e a estatal Petrobras. As três companhias, por exemplo, são sócias na Rio Polímeros, fabricante de polietileno situada no Rio.

Quem deve liderar esse processo por parte da Suzano são dois executivos da casa. A escolha se deu ao contrário do que foi feito na companhia de papel e celulose do grupo, que passou a ser comandada pelo ex-presidente da Ford no Brasil Antônio Maciel Neto.

José Ricardo Roriz Coelho, responsável pela unidade de polipropileno da Suzano (antiga Polibrasil) e João Nogueira Batista, que ocupava a vice-presidência da Suzano Holding e a diretoria financeira da petroquímica, dividirão o comando da companhia, sem distinção de atribuições.

"Eu me demiti", justificou Feffer, que acumulou a presidência da empresa por um certo período e passa apenas a presidir o conselho. "A partir de agora, vou ficar só de olho nos resultados e aguardando a melhoria dos dividendos", comentou o empresário.

O modelo de co-gestão adotado para a Suzano Petroquímica, segundo Feffer, foi inspirado na experiência de grandes grupos industriais e financeiros no exterior, como GE, Boeing, HP e Citibank. "Fizemos isso bem convictos, após cerca de um ano de estudos, para otimizar a competências dos dois executivos, que são complementares. Vão trabalhar como siameses, na mesma salta".

Com a mudança, que será oficializada em uma assembléia de acionistas nos próximos dias, pois exige algumas mudanças no estatuto para criação de um comitê de gestão, Armando Guedes, diretor da Suzano se aposenta e passa a contribuir no comitê. Ao mesmo tempo, Sérgio Alves, que foi da celulose, ajudou a reestruturar a petroquímica desde 2003 e ultimamente era presidente interino na controlada Petroflex, vai ocupar um cargo na holding.

Segundo Feffer, a escolha de Roriz e Nogueira está em linha com o modelo de gestão do grupo, adotado há quatro anos, que se apóia em tripé formado por controle familiar (que dá visão de longo prazo aos negócios), relação com o mercado de capitais (que pode ser fonte estratégica de recursos para suportar planos de crescimento) e gestão profissional (resultado de uma migração do sistema familiar para 100% profissional).

São os dois executivos que vão levar adiante os planos de expansão em curso - US$ 250 milhões na unidade polipropileno, para elevar a capacidade de 685 mil toneladas, hoje, para 875 mil em 2008. Hoje, domina 47,2% da capacidade do país e, por meio da Rio Polímeros, 19% do polietileno.

Com 25% do capital no mercado e listada no nível 2 da Bovespa, a companhia responde por por um terço da receita do grupo. A maior fatia cabe à celulose e papel.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Investimentos
SEAP: Bacia Sergipe-Alagoas irá receber dois FPSOs
14/04/26
Petrobras
US$450 milhões serão investidos no maior projeto de moni...
14/04/26
Combustíveis
Etanol gera economia superior a R$ 2,5 bilhões em março ...
14/04/26
Espírito Santo
Próximo pico da produção de petróleo no ES será em 2027
14/04/26
ANP
Oferta Permanente de Concessão (OPC): edital com inclusã...
14/04/26
Refino
Honeywell impulsiona primeiro projeto de Etanol-to-Jet (...
14/04/26
Cana Summit
Diesel sob pressão no campo acelera corrida por novas fo...
14/04/26
Pessoas
Eduardo Beser é o novo diretor-geral de Operações no Bra...
13/04/26
Evento
Promoção da Infis, 4º Seminário Tributação em Óleo e Gás...
13/04/26
Investimento
Camorim investe R$ 52 mi na construção de uma das maiore...
13/04/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de hidrocarbonetos em águas profundas no...
13/04/26
BOGE 2026
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste es...
10/04/26
ANP
Fiscalização: aprovada consulta pública para revisão de ...
10/04/26
ANP
Reservas provadas de petróleo no Brasil cresceram 3,84% ...
10/04/26
Bacia de Campos
Petrobras retoma 100% de participação no campo de Tartar...
10/04/26
Oportunidade
Por que formar profissionais para funções críticas se to...
09/04/26
Energias Renováveis
Crise energética global impulsiona protagonismo do Brasi...
09/04/26
Pessoas
Alcoa e Posidonia reforçam avanços na equidade de gênero...
08/04/26
Evento
Fórum nacional debate expansão do biogás e do biometano ...
08/04/26
Curso
Firjan SENAI e Foresea assinam parceria para oferecer cu...
08/04/26
Posicionamento IBP
Taxação de 12% na MP1340 gera sobreposição tributária e ...
08/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23