Petroquímica

Tecnologia afastou Sinopec do pólo do Rio

Valor Econômico
22/08/2005 00:00
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O pacote tecnológico afastou a estatal chinesa Sinopec do projeto da Unidade Petroquímica Básica (UPB), a refinaria de óleos pesados que a Petrobras irá construir em parceria, por enquanto, com o grupo Ultra e com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Petrobras e o Ultra definiram que os critérios para encontrar um parceiro externo para o empreendimento, orçado em pelo menos US$ 3 bilhões, passam pelo domínio de tecnologia de ponta na área e pelo acesso ao mercado, além, é claro, da disponibilidade financeira para investir.
"Não vimos nada de muito interessante (na China) em termos de tecnologia", disse o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, responsável pela área petroquímica da estatal. O executivo ressalvou que isso não significa o fechamento das portas para uma parceria com os chineses que vem sendo negociada há vários meses, até porque há outros aspectos a serem considerados, como o do mercado, nos quais os chineses levam vantagem. A China é um dos poucos países, além do Brasil, que estão investindo em refino de óleo pesado para uso petroquímico.
A Petrobras definiu a UPB como sua prioridade máxima na área petroquímica e pretende que a unidade entre em operação em 2010. Além da refinaria propriamente dita, ela terá na mesma área uma série de projetos de segunda geração petroquímica que irão exigir investimentos de aproximadamente US$ 3,5 bilhões. Considerando o tamanho do empreendimento e a necessidade de resolver a engenharia financeira para tocá-lo, a estatal decidiu que não pode mais protelar uma definição sobre a microlocalização do empreendimento, que será no Estado do Rio de Janeiro.
A Petrobras tem uma área no município de Itaguaí, região metropolitana da capital, ao lado do porto de Sepetiba, e gostaria de usá-la para a fazer a refinaria. Mas o governo fluminense insiste em levar o projeto para o município de Campos, norte do Estado, reduto eleitoral da governadora Rosinha Matheus (PMDB) e do seu marido e secretário de Governo, Anthony Garotinho, que pleiteia a indicação peemedebista para disputar a Presidência da República no próximo ano.
Segundo Costa, em duas semanas a decisão terá que ser tomada, sob pena de atraso para o projeto. A demora, segundo ele, decorre da análise do pacote fiscal que está sendo oferecido pelo Estado para atrair o investimento para Campos. Além de oferecer incentivos especiais, o Estado argumenta que a área de Itaguaí está congestionada de projetos e que há riscos para o meio ambiente em colocar um projeto petroquímico de grande porte na região.
A pressa da Petrobras para viabilizar a UPB tem uma razão econômica clara: a estatal produz cada vez mais petróleo pesado e é obrigada, hoje, a exportar 300 mil barris por dia com desconto de até US$ 12 por barril em relação ao preço dos óleos mais leves (o óleo pesado é menos valioso porque dá menor quantidade de derivados nobres, como gasolina e diesel). A estatal precisa exportar para comprar óleos mais leves e fazer o mix de tipos de óleo adequado às suas refinarias.
A refinaria petroquímica está prevista para elaborar 150 mil barris por dia de óleo pesado, gerando 1,2 milhão de toneladas/ano de eteno e 800 mil toneladas de propeno, matérias-primas básicas da indústria petroquímica, além de diesel e outros produtos em menores quantidades. Esses produtos irão agregar valor ao óleo pesado da Petrobras e ainda gerar um forte incremento da atividade econômica na área em que a refinaria for instalada.

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