Negócios

Usinas aproveitam momento para exportar

Valor Econômico
26/08/2009 03:20
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A retomada das exportações, que foram um motivo forte do religamento de fornos no Brasil a partir de julho e em vários países do mundo, mostra sinais de saturação em alguns mercados, mas ainda está sustentando boa parte da produção das siderúrgicas brasileiras, como Usiminas, ArcelorMittal Tubarão, Gerdau Açominas e CSN. O temor dos empresários presentes ontem no Encontro Nacional de Siderurgia é com a formação de excesso de oferta nos próximos meses, bem como com o arrefecimento da demanda interna com cortes nos programas governamentais de estímulo ao consumo de bens duráveis, como carros e geladeiras.

 

Dependendo de cada empresa, e do tipo de aço fabricado, os embarques ao exterior vão de 15% a 55% do total produzido. Os principais mercados são a Ásia, com destaque para China, bem como EUA e Europa, que apresentam recuperação mais lenta.

 

A ArcelorMittal Tubarão, que faz placas e produtos laminados, está exportando mais da metade da produção de seus dois altos-fornos em operação. Ambos estão funcionando além da capacidade, que soma 6,2 milhões de toneladas. O terceiro forno da usina, que está parado desde novembro do ano passado, só deverá ser religado por volta de abril do próximo ano.

 

A ordem nas empresas, admitem empresários e executivos, é aproveitar o momento de demanda aquecida em várias partes do mundo e ocupar o máximo de capacidade ociosa de suas instalações para fazer caixa. Os preços dos produtos também mostraram boa reação de preços desde meados do primeiro semestre deste ano.

 

Benjamim Batista, presidente da ArcelorMittal Tubarão, disse que o principal destino das vendas são clientes da Ásia, principalmente da China. A usina brasileira, que fica ao lado de Vitória (ES), também está atendendo pedidos de clientes da sua co-irmã mexicana, a antiga Imexa, grande fabricante de placas, que encontra-se paralisada há mais de duas semanas por conta de uma greve dos trabalhadores.

 

Na Usiminas, segundo informou Sérgio Leite de Andrade, vice-presidente de negócios, as exportações já respondem por 35% do volume vendido pela empresa. A siderúrgica reativou dois dos três altos-fornos que estavam parados em julho e começo deste mês, elevando a ocupação da capacidade total da companhia para 90%. O quinto alto-forno será reativado somente no primeiro semestre do próximo ano, quando houver sinais mais firmes de consumo na economia, interna e externamente.

 

Segundo Andrade, a empresa está exportando desde placas, para suprir clientes laminadores, bem como produtos acabados, como chapas finas a quente e frio. Já vem fazendo embarques para EUA, Europa e América Latina, que foram bastante afetados com a crise financeira mundial, mas a China é o maior comprador de aço no mundo neste momento. Isso, apesar de estar batendo recordes de produção a cada mês. Fez 50,7 milhões de toneladas em julho.

 

A usina de Cubatão da Usiminas (antiga Cosipa) está operando no nível de 380 mil toneladas mensais de aço bruto, e assim deverá permanecer até o fim do ano, informou Omar Silva Jr., vice-presidente industrial da Usiminas. Seu foco será o mercado externo. Já unidade de Ipatinga (MG), com uma linha de produtos mais nobres, principalmente para automóveis, linha branca e construção civil, vai concentrar-se no atendimento do mercado doméstico.

 

O nível de uso da capacidade de Ipatinga é de 75%, incluindo o alto-forno parado. A previsão é atingir 85% até o fim do ano. "A recuperação da demanda no país ainda está bem lenta em alguns setores, como bens de capital, construção e tubos de grande diâmetro, com fraca reação", afirmou. No todo, a Usiminas prevê vender neste ano quase 6 milhões de toneladas, cerca de 20% abaixo de 2008.

 

A CSN, informou Benjamin Steinbruch, principal acionista e presidente da siderúrgica, está exportando 15%, o dobro do primeiro semestre e pouco acima do que em 2008. No ano passado, o consumo no país estava tão aquecido que obrigou até as usinas brasileiras a importar para atender clientes locais. "Mas nosso foco é o mercado interno", disse Steinbruch.

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