Projeto

Vale tenta tirar do papel investimentos de US$ 9 bi em aço

Valor Econômico
09/04/2012 10:48
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O plano de siderurgia da Vale que prevê a construção de três usinas no país até 2014, que gerou tanta polêmica no governo Lula, continua de pé, apesar de ter sofrido atrasos e alguns reveses. A mineradora projeta investir diretamente no negócio quase US$ 9 bilhões na construção de unidades de aço nos estados do Ceará, Pará e Espírito Santo. Até agora, porém, apenas a unidade do Nordeste está saindo do papel.

Trata-se da Companhia Siderúrgica de Pecém (CSP), que será erguida no Complexo Portuário de Pecém, próximo de Fortaleza, tendo a Vale como majoritária com 50% e as coreanas Dongkuk e Posco como sócias com 20% e 30%, respectivamente. O empreendimento está orçado em US$ 4,8 bilhões, dos quais a Vale entrará com a metade e os demais parceiros com percentuais correspondentes a sua participações societárias. A produção será toda exportada: de um lado, parte para as coreanas abastecerem suas laminadoras na Coreia do Sul; de outro, a Vale vai destinar placas para a Califórnia Steel, sua controlada nos Estados Unidos.

A CSP já firmou um contrato de US$ 4,4 bilhões com uma empresa "epecista", a Posco Engineering Construction (PEC), braço de construção pesada da Posco, o que tornou o projeto "equacionado", segundo informou ao 'Valor' o diretor global da Vale para a área siderúrgica, Aristides Corbellini. A PEC fechou contrato com os acionistas da CPS, assumindo o compromisso de pôr o complexo siderúrgico em operação no segundo trimestre de 2015, com produção de 3 milhões de toneladas de placas de aço anuais para exportação.

Dos três projetos, o da Aços Laminados do Pará (Alpa), usina de aço a ser erguida em Marabá (PA), é o mais polêmico, dado seu viés político. Ele nasceu de uma exigência feita pela ex-governadora Júlia Carepa (PT), do Pará, com apoio do presidente Lula, aos acionistas da Vale, gerando atrito entre o ex-presidente e Roger Agnelli, então CEO da mineradora. O empreendimento por enquanto é 100% Vale e está estimado em US$ 5 bilhões.

O projeto engloba também uma unidade de laminados ao lado da usina de placas, que vai exigir mais US$ 1 bilhão. Esta unidade, porém, terá a Aços Cearense, uma empresa privada nordestina, participando com 75% como sócia majoritária da Vale na produção de laminados destinada ao mercado doméstico. As 2,8 milhões de toneladas de placas serão usadas na laminadora e uma parte exportada.

A ausência de solução logística para a Alpa impediu até agora que o conselho de administração da Vale aprovasse o projeto paraense, razão pela qual não foi cotado no orçamento de 2012. "A solução logística está em mãos dos governos federal e estadual", informou Corbellini. "Como ela ainda não existe, não fixamos uma data para a usina entrar em operação. Mas a partir do marco zero, quando a logística estiver pronta, estamos preparados para construir a usina em 48 meses. Calculo que ela possa começar a produzir lá por 2018".

Segundo o executivo da Vale, o que tem que ser feito pelo governo federal, é uma obra de "derrocamento" (explosão de pedras) num trecho do Rio Tocantins chamado Pedral do Lourenço, cheio de pedras que na seca impede as embarcações de certo calado de navegarem na hidrovia. As obras incluem também ampliação do porto de Vila do Conde, pois será ali que irá escoar a produção da Alpa. A Vale pretende construir um porto no litoral do Pará para completar esta infraestrutura logística.

Recentemente, o governo federal, através da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, anunciou que vai realizar as obras do Tocantins e dragar o rio viabilizando a navegação durante o ano inteiro na hidrovia que considera fundamental para o polo industrial de Marabá, município paraense onde será erguida a Alpa.

Os rumores de que a Vale teria abandonado o projeto da Alpa foram contestados por Corbellini. "Já gastamos, até agora, em estudos de viabilidade e de engenharia, seleção de equipamentos e terraplenagem total de US$ 260 milhões. Já terraplenamos 85% do terreno, mas há um lote que precisa ser desapropriado pelo governo estadual, o lote 11".

O procurador geral do estado do Pará, Caio Trindade, acredita que o governo do estado consiga a desapropriação do lote 11 ainda este mês. Trindade disse que o dono do lote recorreu e ganhou de uma decisão do Tribunal de Justiça do Pará, que deu emissão de posse do lote ao governo em fevereiro. "Agora recorremos de novo e esperamos sair vitoriosos".

O projeto mais novo de usina de aço da lista da Vale, o da Companhia Siderúrgica de Ubu - CSU, no Espírito Santo, também avaliado em US$ 5 bilhões, só será desenvolvido, segundo informou Corbellini, com um sócio majoritário. "Queremos ter só 20% deste negócio".
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