Energia

Vence R$ 1 bi em dívida da EDP neste ano

Valor Econômico
05/03/2009 03:35
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O forte corte de custos promovido pela EDP Energias do Brasil no ano passado e a saída de última hora do projeto de Pecém II, por causa da forte crise de crédito que se iniciava, tiveram motivações concretas para acontecer. A companhia tem uma concentração de vencimentos de dívidas neste ano que ultrapassa R$ 1 bilhão. Além disso, os investimentos programados, também para este ano, somam mais R$ 1 bilhão.

 

O presidente da empresa, António Pita de Abreu, diz que a companhia não terá dificuldades para obter os recursos. Segundo ele, a geração de caixa seria suficiente para honrar as dívidas. Cerca de R$ 280 milhões do que vence neste ano é um empréstimo ponte feito para iniciar as obras de Pecém I - usina termelétrica que está sendo construída em parceria com a MPX Energia. O empréstimo deve ser substituído por um de longo prazo do BNDES, mas que ainda não foi aprovado pelo banco.

 

Um outro ponto forte apontado por Abreu é o crescimento do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (lajida) de 26% no ano, que dá um sinal da capacidade de geração de caixa. Além disso, os gastos tiveram uma queda de 18%, um caso raro no setor de energia. As elétricas só elevaram os gastos em 2008, pelo menos até o terceiro trimestre.

 

No dia 31 de dezembro, o caixa da EDP estava em R$ 551 milhões. Nos últimos meses do ano, ele foi desfalcado em R$ 312 milhões por causa da operação de troca de ativos com a Rede Energia. A Enersul saiu da EDP e entrou a usina de Lajeado. Mas com a crise, os acionistas exerceram o chamado direito de recesso e com isso a companhia teve que desembolsar os recursos.

 

A saída da Enersul dos ativos do grupo distorceu os números no último trimestre. A distribuição de energia caiu quase 16%. Descontado esse fator, a queda foi de apenas 3%. O volume de energia vendida cresceu consideravelmente, também pelo efeito da troca de ativos. A alta no último trimestre foi de 26%. O lucro líquido caiu 13%, para R$ 389 milhões, efeito da amortização do ágio da Enersul. Abreu diz que mesmo assim será proposto que o percentual do lucro a ser distribuído aos acionistas seja maior, para equivaler ao do ano anterior.

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