Indústria naval

Virtual ou real estaleiros precisam de investimentos

Tanto os estaleiros chamados `virtuais`, em fase de projeto, quanto os reais, já estabelecidos, precisam de investimentos. Os primeiros para construção e os outros para modernizações capazes de atender às exigências do edital da Transpetro


17/03/2005 00:00
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O estaleiro Rio Grande, que por enquanto só existe no projeto, está com um pleito de US$ 108 milhões no Fundo de Marinha Mercante (FMM) para sua construção. O Renave, estabelecido em Niterói, nas ilhas do Viana e de Santa Cruz, também espera o financiamento de US$ 90 milhões para adaptações. O consórcio Rio Naval, formado pelas empresas MPE, IESA e Sermetal deverá investir cerca de US$ 15 milhões em modernização e o único participante a afirmar que não vai fazer obras de modernização em suas instalações foi o estaleiro EISA.
Além do Rio Grande, os outros estaleiros chamados `virtuais`, participantes da licitação são o do consórcio formado pelas construtoras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, com assitência técnica do grupo coreano Mitsui; o consórcio Rio Grande, formado por Queiróz Galvão, Aker Promar, com assitência técnica da Samsung; e o consórcio Nuclep, Grupo Pem e Beter, com assistência técnica do estaleiro polonês Gdynia, que tem a área mas ainda não tem as instalações.

Virtual - Embora o Rio Grande ainda esteja em fase de projeto, o gerente de implantação do estaleiro, Roberto Dieckmann, afirma que os estudos feitos até agora indicam que a taxa de ocupação plena poderá ser de 5 mil toneladas de porte bruto (TPB) por mês, com capacidade de construir até três Suezmax por ano. O prazo de construção do estaleiro, segundo Dieckmann, é de 16 a 18 meses e a entrega do primeiro navio poderá ser feita em 28 meses. O empresário informa, entretanto, que tanto a agilidade das obras quanto o porte do estaleiro podem mudar em função da assinatura de contratos. Ainda assim, Dieckmann afirma que o estaleiro está planejado para a construção de navios de grande porte. " Nosso alvo na licitação é Aframax e Suezmax. A demanda reprimida por navios existe no mundo inteiro", avalia.
O Estaleiro Rio Grande já tem licença prévia desde o final de fevereiro. No momento a empresa está atendendo aos requisitos e respondendo aos questionamentos da licença prévia e em três semanas entrará com o pedido de licença de implantação. "Mas não há nenhum problema, o estaleiro é uma indústria limpa. Nada, nada mesmo está fora dos padrões", garante Dieckmann.
A área 500 mil m² foi cedida pelo governo do Estado do Rio Grande do Sul em sistema de doação onerosa, no qual a empresa se compromete a instalar um empreendimento de acordo com as exigências do contrato, que tem duração de 25 anos.
O Estaleiro Rio Grande é propriedade das empresas Cemisa e Aurizônia, ambas atuantes nos setores de petróleo, mineração e laboratórios, entre outras atividades. O subcontratado tecnológico do Rio Grande é o grupo japonês Ishikawagima.

Real - O Renave, especializado em reparos navais, pretende investir na fusão dos dois diques secos que possui na ilha do Viana para atender às exigências do edital da Transpetro. "Juntos, os diques atendem a essa exigência de 300 metros de comprimento por 60 metros de boca", afirma o diretor do estaleiro, Hernani Goulart.
O diretor do Renave afirma que o estaleiro entra para participar de todas as categorias, mas acredita que há consórcios muito fortes e que é difícil permanecer no grupo A, que se destina a construção de navios Suezmax e Aframax. "Estamos preparados para participar do grupo A e com certeza estar no grupo B", sentenciou Goulart.
O executivo garante que o estaleiro é capaz de construir três Panamax (grupo B) por ano e que isso consumirá um terço da capacidade instalada. Além da construção de novos navios, o Renave continuará com as atividade de reparos navais em outros três diques flutuantes que possui.
A empresa participa da licitação com apoio técnico do estaleiro português Lisnave, o único no mundo com capacidade instalada para 1 milhão de TPB.

Sem reformas - O estaleiro Eisa afirmou que não pretende fazer reformas em suas instalações, mas que prefere limitar sua atividade à construção de navios Aframax, os menores da categoria A. "Em Suezmax somos pouco competitivos", resume o executivo da empresa Roberto Coelho.
O Eisa tem contratos com a coreana STX para os projetos de navios menores, gaseiros e de produtos, e com a brasileira Projemar, para os navios de grande porte.

Todas as informações foram divulgadas durante a audiência pública de entrega dos documentos de pré-qualificação para participação na licitação da Transpetro. A audiência foi realizado nesta quarta-feira (16/03), na sede da Transpetro, às 17h, depois de um atraso de duas horas, decorrente da espera da cassação de uma liminar apresentada pela empresa Marítima, ligada ao estaleiro Eisa, questionando os critérios do edital.

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