Estudo

WWF defende benefício ambiental do etanol

Agência UDOP/ BBC Brasil.com
27/05/2008 09:38
Visualizações: 1385

A produção de etanol a partir de cana-de-açúcar tem efeitos benéficos do ponto de vista ambiental, afirma um estudo divulgado nesta segunda-feira pela organização ambientalista WWF-Brasil.

 

"O estudo conclui que existem benefícios ambientais confirmados e consolidados no que diz respeito à produção de etanol (a partir de cana-de-açúcar)", disse à BBC Brasil o coordenador do programa de Agricultura e Meio Ambiente da ONG, Luis Fernando Laranja, um dos autores do relatório.

 

"Do ponto de vista ambiental, é um bom negócio substituir gasolina por etanol", afirmou Laranja.

 

O governo brasileiro vem defendendo o etanol à base de cana-de-açúcar e rejeitando críticas de que essa produção traria riscos ambientais à Amazônia e contribuiria para a atual crise mundial dos alimentos.

 

"(O estudo) referenda a posição defendida pelo governo brasileiro", disse Laranja, ao ser questionado sobre essa posição.

 

Conforme Laranja, os benefícios do etanol brasileiro são verificados particularmente na redução de gases causadores do efeito estufa.

 

Segudo ele, o etanol brasileiro tem um balanço energético mais positivo (ou seja, é mais eficiente) do que, por exemplo, o etanol à base de milho, produzido nos Estados Unidos.

 

"Mitos"

 

O estudo do WWF-Brasil analisou o que Laranja definiu como "alguns mitos que envolvem a produção de etanol".

 

O primeiro seria sobre a eventual expansão de plantações de cana-de-açúcar na Amazônia.

 

"Não temos risco imediato e real de expansão da produção de cana-de-açúcar na Amazônia. O que existe é irrisório", disse Laranja.

 

Segundo ele, há em torno de 200 mil hectares de cana-de-açúcar na Amazônia. "Isso não significa nada no universo da Amazônia. Só de pastagens, há 50 milhões de hectares", afirmou.

 

O segundo ponto analisado é o quanto a produção de cana-de-açúcar compete com outras culturas alimentares, considerando-se o atual cenário de crise mundial dos alimentos.

 

De acordo com Laranja, esse risco é baixo. "Compete pouco com as culturas alimentares, especialmente porque ocupa pouca área. São 7 milhões de hectares de cana-de-açúcar, sendo que metade vai para a produção de açúcar, e a outra metade para o etanol", disse.

 

Riscos

 

O estudo, porém, alerta para alguns riscos ambientais da produção de etanol em escala regional.

 

"É uma cultura muito concentrada, quase toda no Estado de São Paulo e em regiões vizinhas. Muita cana-de-açúcar em uma área pequena", disse Laranja.

 

De acordo com ele, isso representa um risco em potencial sobre a biodiversidade. "Pode ter efeitos sobre recursos hídricos, efeitos diretos sobre o solo."

 

"Precisamos fazer essa ocupação das novas áreas de forma mais estratégica, da maneira mais racional possível", disse.

 

De acordo com Laranja, é necessário, por exemplo, "obediência irrestrita" às áreas de preservação permanente, além de observar o código florestal.

"Precisamos pensar, por exemplo, na construção de novas unidades de conservação no Cerrado", afirmou.

 

Posição oficial

 

O relatório divulgado nesta segunda-feira não representa ainda a posição oficial da ONG. Segundo Laranja, as conclusões do estudo servirão para "subsidiar uma decisão sobre o tema", que deverá ser divulgada "nas próximas semanas".

 

"A rede WWF mundial tem uma posição genérica sobre biocombustíveis mais ou menos alinhada com o estudo", afirmou Laranja.

 

O estudo foi encomendado há três anos e é parte de um projeto maior, financiado pelo Ministério de Assuntos Internacionais da Holanda.

 

O objetivo inicial, de acordo com Laranja, era avaliar os efeitos da expansão do setor de cana-de-açúcar no Brasil em razão da suposta liberalização do comércio mundial dentro da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

 

A Rodada de Doha ainda não foi concluída mas, segundo Laranja, no decorrer desses três anos, uma série de transformações conjunturais em todo o mundo, especialmente no que diz respeito ao aquecimento global, colocaram o etanol em posição de destaque na agenda global.

 

"Direcionamos o projeto para analisar a expansão do setor sucroalcooleiro no Brasil e suas conseqüências socioambientais", disse Laranja.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gás Natural
TBG lança consulta ao mercado para fornecimento de gás d...
10/09/26
Tecnologia e Inovação
Vallourec inicia obras de linha de produção no Brasil pa...
10/09/26
ExpoPostos & Conveniência
Segundo dia da ExpoPostos & Conveniência 2026 debate des...
10/09/26
PD&I
Projeto Heavy Oil Emulsions, liderado pela Unicamp, busc...
10/09/26
Combustíveis
ETANOL/CEPEA: Preços seguem em alta com clima chuvoso
10/09/26
Águas Profundas
Firjan promove Agrega+Indústria Especial SEAP II e SEAP I
09/09/26
Expopostos & Conveniência
Vibra integra tecnologia, qualidade e serviços para ampl...
09/09/26
Comunicado
ANP implementará o Gov.BR Nível Ouro para acesso aos sis...
09/09/26
ABPIP
STJ julga fracking amanhã e ABPIP defende análise técnic...
08/09/26
Investimento
Naturgy lança segunda Chamada Pública para aquisição de ...
08/09/26
ANP
Prêmio ANP de Inovação Tecnológica: live amanhã (9/9) es...
08/09/26
ROG.e 2026
PRINER exibe na Rio Oil & Gas Energy o serviço de pintur...
05/09/26
ANP
Aprovada resolução que revisa norma sobre tratamento dif...
04/09/26
Margem Equatorial
Ibama autoriza Petrobras a perfurar três novos poços na ...
04/09/26
Apoio Offshore
OceanPact conclui a aquisição do Estaleiro Dock Brasil
04/09/26
Evento
ExpoPostos & Conveniência confirma Amyr Klink, Mark Wohl...
04/09/26
ESG
Petrobras lidera ranking ESG no segmento de Petróleo, Gá...
04/09/26
ANP
Aprovada a indicação de 24 blocos na Bacia Potiguar para...
04/09/26
Combustíveis
ANP realizará consulta e audiência públicas sobre novas ...
04/09/26
Rio de Janeiro
Firjan lança recorte Norte Fluminense do Anuário do Petr...
04/09/26
ANP
Revisão de regras do RenovaBio para novos distribuidores...
04/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25