Artigo

Modernizar a infraestrutura energética transformará o Brasil, por Rafael Segrera

Redação TN Petróleo/Assessoria Schneider Electric
21/10/2024 10:15
Modernizar a infraestrutura energética transformará o Brasil, por Rafael Segrera Imagem: Divulgação Visualizações: 2340

Com tantas mudanças e adversidades no clima enfrentadas pelo mundo nos últimos anos, devemos refletir um pouco sobre o uso dos recursos energéticos e sua importância para o futuro do nosso planeta. Incentivar práticas mais conscientes de consumo, especialmente no setor industrial, é essencial para promover economia de energia e mitigar impactos ambientais.

É fato que a energia é o motor do desenvolvimento, mas seu desperdício e a dependência de fontes não renováveis agravam continuamente a crise climática. No Brasil, o consumo energético registrou um crescimento de 5,6% em agosto, segundo levantamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). E a indústria foi a principal responsável por esse incremento no índice.

A transição para uma matriz energética mais otimizada e limpa vem sendo adotada por um número crescente de organizações em todo o mundo, e o Brasil, com sua matriz energética diversificada, não é exceção. A América do Sul se destaca nesse cenário, uma vez que os países da região estão entre os mais comprometidos com a transição energética global.

De acordo com a Statistical Review of World Energy, o continente apresenta atualmente mais de 30% de energias renováveis em sua matriz primária, refletindo a participação desse recurso obtido diretamente da natureza no consumo total. Quando analisamos a matriz de geração de eletricidade, esse percentual sobe significativamente para cerca de 70%.

Entretanto, ainda há alguns obstáculos para maximizar sua eficiência energética - escolha essa que deve ser priorizada por todas as indústrias. Como exemplo, um estudo do Conselho Americano para uma Economia de Energia Eficiente (ACEEE) aponta que o Brasil ocupa apenas a 19ª posição entre as nações com maior rendimento energético. Estamos falando de um país com dimensões continentais que é uma potência em geração de fontes limpas, como hidrelétricas e solares, mas que não sabe utilizar da melhor forma esses recursos e expõe altos números de desperdício em perdas e baixa eficácia.

É uma constatação que alerta para a necessidade de modernizar, com urgência, a nossa infraestrutura energética. A conscientização sobre o impacto ambiental e a necessidade de discutir as mudanças do clima têm levado os países sul-americanos a definir medidas para diversificar suas fontes e limitar a dependência dos combustíveis fósseis.

A implementação de tecnologias mais capacitadas e aptas para o uso da energia é, além de um benefício ambiental, uma vantagem competitiva para as empresas, que podem economizar milhões de reais com a otimização dos seus processos produtivos e operacionais. Não à toa, a revolução digital está mudando fortemente a maneira como gerenciamos a energia.

Nesse contexto, a Eletricidade 4.0 representa uma inovação fundamental para uma virada do setor energético, pois une a digitalização às fontes renováveis para transformar a maneira como geramos e consumimos energia. Isso abrange métodos sustentáveis que reduzem consideravelmente as emissões de carbono e eliminam desperdícios, agregando um uso mais inteligente dos recursos.

A digitalização permite às empresas monitorar em tempo real a utilização de energia em edifícios, indústrias e na infraestrutura, proporcionando uma gestão mais aprimorada e funcional. A automação de processos produtivos, por sua vez, torna as operações industriais menos intensivas na aplicação desse recurso, contribuindo diretamente para a queda das emissões de carbono.

Mais do que promover economia de energia, essas inovações oferecem uma gestão de riscos energéticos e operacionais, consolidando dados sobre sustentabilidade e governança em plataformas digitais. Essa capacidade de integrar fontes renováveis à infraestrutura elétrica já existente é um grande avanço na transição para uma economia de baixo carbono.

Um dos maiores entraves, contudo, é o equilíbrio entre a necessidade de resultados de curto prazo e os compromissos de longo prazo com a sustentabilidade. Muitos governos e empresas hesitam em investir em tecnologias de eficiência energética devido ao alto custo inicial, mesmo sabendo das economias significativas que podem ser obtidas no decorrer do tempo.

Outro desafio é a infraestrutura: quando há um enorme potencial para o desenvolvimento de fontes renováveis, como a solar e a eólica, mas, sem uma base e equipamentos qualificados, esse potencial permanece subutilizado. Investimentos contínuos em modernização e digitalização são, portanto, cruciais para que o país possa liderar a transformação energética global.

Já as oportunidades são incontáveis. Soluções como o monitoramento inteligente do uso energético e a automação de processos produtivos podem resultar em economias substanciais tanto para organizações privadas quanto para o setor público. Diversos casos de sucesso demonstram que a aplicação dessas tecnologias em larga escala já é viável - e rentável.

No fim das contas, o compromisso com a economia de energia deve ser encarado como parte de uma estratégia mais ampla de neutralidade de carbono. Países e empresas em todo o mundo estão estabelecendo metas de descarbonização para 2050 que dependem fortemente da capacidade de diminuir o consumo energético e aumentar a eficiência. Nesse aspecto, ainda tem muito trabalho a ser feito pela frente.

Sobre o autor,  Rafael Segrera  é presidente da Schneider Electric para a América do Sul

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Combustíveis
Preço médio do diesel S-10 sobe 14% em março e atinge o ...
31/03/26
iBEM26
No iBEM 2026, Pason destaca apostas da empresa em digita...
31/03/26
Pessoas
Bow-e anuncia Ciro Neto como CEO
31/03/26
Apoio Offshore
SISTAC amplia contrato com Petrobras para manutenção de ...
31/03/26
IBEM26
Encontro internacional de energia vai abrir calendário m...
30/03/26
Biodiversidade
Maior projeto de biodiversidade marinha inicia na região...
30/03/26
Drilling
BRAVA Energia inicia campanha de perfuração em Papa-Terr...
30/03/26
Combustíveis
Etanol recua no indicador semanal e fecha a sexta-feira ...
30/03/26
Diesel
ANP aprova medidas relativas à subvenção ao óleo diesel
29/03/26
Pessoas
Ocyan anuncia seu novo diretor Jurídico e de Governança
29/03/26
Energia Elétrica
USP desenvolve modelos para reduzir curtailment e amplia...
29/03/26
Biocombustíveis
Acelen Renováveis e Dia Mundial da Água: cultivo da maca...
29/03/26
iBEM26
Goldwind avança na Bahia com fábrica em Camaçari e proje...
27/03/26
iBEM26
Bahia apresenta potencial da bioenergia e reforça protag...
27/03/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de petróleo no pré-sal da Bacia de Campos
26/03/26
Royalties
Royalties: valores referentes à produção de janeiro para...
26/03/26
IBEM26
Práticas ESG do setor de energias renováveis são destaqu...
26/03/26
IBEM26
Jerônimo Rodrigues destaca potencial da Bahia na transiç...
26/03/26
Bacia de Campos
Petrobras irá investir R$ 25,4 milhões em novos projetos...
26/03/26
IBEM26
ABPIP destaca papel dos produtores independentes na inte...
25/03/26
Workshop
Governo de Sergipe e FGV Energia debatem futuro do offsh...
25/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23