E&P

Os 3 porquês de precisarmos de mais carbono, por Thiago Valejo

Redação TN Petróleo/Assessoria Firjan
08/09/2026 16:00
Os 3 porquês de precisarmos de mais carbono, por Thiago Valejo Imagem: Vinícius Magalhãe/Firjan Visualizações: 65

O carbono, por si só, nunca foi um problema. Precisamos de carbono para produzir boa parte da energia do mundo. O carbono faz parte da composição do corpo humano. Também está presente nos alimentos que consumimos, em muitos objetos do nosso dia a dia e no ar que respiramos. São diferentes suas formas, quantidades e usos. Em muitas ocasiões, não podemos simplesmente substituí-lo.

Quando falamos do carbono presente no ar, nos referimos principalmente a dois compostos – gás carbônico (dióxido de carbono ou CO2) e metano. São esses e alguns outros gases – alguém pode lembrar dos CFCs, motivo de alerta em todo o mundo há algumas décadas – que normalmente trazem potenciais impactos ambientais associados. 

Mas temos deixado de aproveitar parte desse carbono. Enquanto seguimos demandando mais carbono para o desenvolvimento da indústria e da sociedade, ainda precisamos avançar em projetos, especialmente aqueles relacionados à captura desse carbono. 

Quase dois anos se passaram desde a publicação da Lei 14.993, de outubro de 2024, que dispõe sobre a captura e estocagem de carbono. Somente em agosto de 2026 tivemos um detalhamento das regras para esta legislação, com o Decreto 13.095, que regulamenta as condições para o exercício das atividades de captura, de transporte por meio de dutos e de estocagem geológica de dióxido de carbono. Nesse aspecto, cabe destacar o conceito de CO2e: emissões dos gases de efeito estufa convertidas para uma base equivalente de gás carbônico.

A verdade é que ainda existe muito gás carbônico que não é aproveitado. A cada dia, parte do carbono que utilizamos acaba na atmosfera. Para fazermos uso desse carbono, é fundamental ampliar os investimentos nesse mercado, que além de contribuírem para os objetivos de retirar parte do carbono presente no ar, podem agregar valor na fabricação de produtos.  E aqui entram os projetos de CCUS, que envolvem etapas de captura e armazenamento, mas também contemplam a utilização desse carbono.

Fato é que não é uma tarefa simples retirar do ar ou mesmo de um processo industrial e separar esse carbono, mesmo com tecnologias já desenvolvidas e um enorme potencial volumétrico disponível para captura. Se olharmos apenas para o estado do Rio de Janeiro, no ano de 2024, nos polos de atividade de energia e em processos industriais – como produção de metais e indústria química – foram aproximadamente 35 milhões de toneladas de CO2e. O número foi obtido considerando a base de empresas da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e é referente ao Escopo 1 – emissões diretas e inerentes à atividade – e ao Escopo 2 – emissões indiretas associadas ao consumo de utilidades. 

Então, por que precisamos de mais carbono?

Primeiro porque a economia é uma combinação de atividades, que demandam carbono em algum elo de suas cadeias produtivas. Está claro que não vivemos sem o carbono. 

Especialmente em um país em desenvolvimento, com diversas oportunidades de construção de novos projetos e aproveitamento das infraestruturas existentes, a demanda por carbono será crescente.

Também em razão da origem da maior parte desse carbono. A atividade de geração de energia no estado do Rio responde por perto de 80% das emissões de CO2e mapeadas. Isso significa que, ao aumentarmos a necessidade de energia, principalmente aquela produzida a partir de fontes confiáveis como o petróleo e o gás natural, aumentamos também a necessidade de carbono. 

E, não menos importante, o último porquê vem da própria característica dos projetos de captura de CO2, que só se tornam viáveis a partir de um volume suficiente de emissões para armazenagem ou utilização. É por meio da constituição de novos hubs ou de polos de atividade já existentes que os projetos serão desenvolvidos.

São muitos os destinos que o CO2 capturado pode ter. As aplicações vão desde a produção de combustíveis sintéticos até a fabricação de polímeros e plásticos. Mesmo com alternativas como a eletrificação a partir de renováveis e o uso de hidrogênio, o carbono seguirá sendo demandado: 
• Para a produção de energia – seja para carregarmos nossos celulares, seja para fazermos uma pergunta à IA. 
• Como matéria-prima – estamos distantes de imaginar uma vida sem plásticos e sem combustíveis – ambos com carbono em sua composição, mesmo que seja um carbono de origem renovável.

Devemos tratar o carbono não como problema e sim como oportunidade. Precisaremos de mais carbono para seguir em uma esperada trajetória de crescimento econômico. Precisaremos de mais carbono para garantir que teremos mais energia firme. E precisaremos melhor aproveitar o carbono disponível para novos projetos industriais. Ao trabalharmos a temática de descarbonização, não podemos esquecer que o carbono seguirá sendo necessário. 

Os contratos assinados em maio para os projetos SEAP-I e SEAP-II representam não apenas a continuidade da nossa presença no Brasil, mas também a confiança na nossa capacidade de entregar projetos cada vez mais eficientes, seguros e preparados para os desafios futuros da indústria.

As unidades SEAP-I e SEAP-II foram desenvolvidas dentro de uma nova geração de FPSOs da SBM Offshore, com diretrizes alinhadas ao nosso plano de FPSOs de baixa emissão, que busca reduzir significativamente as emissões associadas às operações offshore.

Sobre o autor: Thiago Valejo é gerente de Projeto de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro - Firjan.
 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Pessoas
Felipe Arbelaez é nomeado head of country da bp no Brasil
25/08/26
Parceria tecnológica
Foresea inicia formação exclusiva de PCDs em tecnologia ...
25/08/26
Petrobras
Licitação para nova Unidade de Hidrotratamento (HDT) da ...
24/08/26
Pessoas
ABRATE elege novo Conselho Diretor e lança ABRATE 3.0 pa...
24/08/26
Prêmio ANP de Inovação Tecnológica
ANP publica edital do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica...
24/08/26
Postos e Conveniência
Ipiranga e Texaco inauguram primeiro posto Texaco no Rio...
24/08/26
Combustíveis
Vibra se torna a primeira distribuidora a oferecer gasol...
24/08/26
Tecnologia
Corvus Energy amplia suporte técnico ao crescente setor ...
24/08/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em alta e amplia ganhos no mercado...
24/08/26
Pessoas
Novo diretor do COPPEAD assume com desafio de ir além da...
21/08/26
Gás Natural
Firjan comemora adesão do Rio ao Pacto Nacional para o D...
21/08/26
Biodiesel
ANP fará consulta e audiência públicas sobre monitoramen...
21/08/26
Navalshore
BioRen apresenta tecnologia pioneira no combate às bioin...
21/08/26
Pré-Sal
Com 180 mil bpd, FPSO Alexandre de Gusmão atinge topo de...
21/08/26
Parceria
Petrobras e Marinha do Brasil assinam protocolo de inten...
21/08/26
Navalshore
Panorama Naval do Rio de Janeiro 2026, da Firjan, aponta...
20/08/26
Eficiência Energética
Shell Eco-marathon Brasil celebra dez anos com avanços e...
20/08/26
Combustíveis
Preços dos Combustíveis mantêm trajetória de queda em ag...
20/08/26
Pessoas
Bruno Monte assume comando da CPFL Renováveis
20/08/26
Bahia
Petrobras, PetroReconcavo, Brava Energia e Origem Energi...
20/08/26
Margem Equatorial
Após descoberta de petróleo, Governo do Amapá avança na ...
20/08/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25