E&P
Redação TN Petróleo/Assessoria Firjan
O carbono, por si só, nunca foi um problema. Precisamos de carbono para produzir boa parte da energia do mundo. O carbono faz parte da composição do corpo humano. Também está presente nos alimentos que consumimos, em muitos objetos do nosso dia a dia e no ar que respiramos. São diferentes suas formas, quantidades e usos. Em muitas ocasiões, não podemos simplesmente substituí-lo.
Quando falamos do carbono presente no ar, nos referimos principalmente a dois compostos – gás carbônico (dióxido de carbono ou CO2) e metano. São esses e alguns outros gases – alguém pode lembrar dos CFCs, motivo de alerta em todo o mundo há algumas décadas – que normalmente trazem potenciais impactos ambientais associados.
Mas temos deixado de aproveitar parte desse carbono. Enquanto seguimos demandando mais carbono para o desenvolvimento da indústria e da sociedade, ainda precisamos avançar em projetos, especialmente aqueles relacionados à captura desse carbono.
Quase dois anos se passaram desde a publicação da Lei 14.993, de outubro de 2024, que dispõe sobre a captura e estocagem de carbono. Somente em agosto de 2026 tivemos um detalhamento das regras para esta legislação, com o Decreto 13.095, que regulamenta as condições para o exercício das atividades de captura, de transporte por meio de dutos e de estocagem geológica de dióxido de carbono. Nesse aspecto, cabe destacar o conceito de CO2e: emissões dos gases de efeito estufa convertidas para uma base equivalente de gás carbônico.
A verdade é que ainda existe muito gás carbônico que não é aproveitado. A cada dia, parte do carbono que utilizamos acaba na atmosfera. Para fazermos uso desse carbono, é fundamental ampliar os investimentos nesse mercado, que além de contribuírem para os objetivos de retirar parte do carbono presente no ar, podem agregar valor na fabricação de produtos. E aqui entram os projetos de CCUS, que envolvem etapas de captura e armazenamento, mas também contemplam a utilização desse carbono.
Fato é que não é uma tarefa simples retirar do ar ou mesmo de um processo industrial e separar esse carbono, mesmo com tecnologias já desenvolvidas e um enorme potencial volumétrico disponível para captura. Se olharmos apenas para o estado do Rio de Janeiro, no ano de 2024, nos polos de atividade de energia e em processos industriais – como produção de metais e indústria química – foram aproximadamente 35 milhões de toneladas de CO2e. O número foi obtido considerando a base de empresas da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e é referente ao Escopo 1 – emissões diretas e inerentes à atividade – e ao Escopo 2 – emissões indiretas associadas ao consumo de utilidades.
Então, por que precisamos de mais carbono?
Primeiro porque a economia é uma combinação de atividades, que demandam carbono em algum elo de suas cadeias produtivas. Está claro que não vivemos sem o carbono.
Especialmente em um país em desenvolvimento, com diversas oportunidades de construção de novos projetos e aproveitamento das infraestruturas existentes, a demanda por carbono será crescente.
Também em razão da origem da maior parte desse carbono. A atividade de geração de energia no estado do Rio responde por perto de 80% das emissões de CO2e mapeadas. Isso significa que, ao aumentarmos a necessidade de energia, principalmente aquela produzida a partir de fontes confiáveis como o petróleo e o gás natural, aumentamos também a necessidade de carbono.
E, não menos importante, o último porquê vem da própria característica dos projetos de captura de CO2, que só se tornam viáveis a partir de um volume suficiente de emissões para armazenagem ou utilização. É por meio da constituição de novos hubs ou de polos de atividade já existentes que os projetos serão desenvolvidos.
São muitos os destinos que o CO2 capturado pode ter. As aplicações vão desde a produção de combustíveis sintéticos até a fabricação de polímeros e plásticos. Mesmo com alternativas como a eletrificação a partir de renováveis e o uso de hidrogênio, o carbono seguirá sendo demandado:
• Para a produção de energia – seja para carregarmos nossos celulares, seja para fazermos uma pergunta à IA.
• Como matéria-prima – estamos distantes de imaginar uma vida sem plásticos e sem combustíveis – ambos com carbono em sua composição, mesmo que seja um carbono de origem renovável.
Devemos tratar o carbono não como problema e sim como oportunidade. Precisaremos de mais carbono para seguir em uma esperada trajetória de crescimento econômico. Precisaremos de mais carbono para garantir que teremos mais energia firme. E precisaremos melhor aproveitar o carbono disponível para novos projetos industriais. Ao trabalharmos a temática de descarbonização, não podemos esquecer que o carbono seguirá sendo necessário.
Sobre o autor: Thiago Valejo é gerente de Projeto de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro - Firjan.
Fale Conosco
25