Artigo

Situação positiva do Brasil contrasta com panorama global, por Rodrigo Sodré

Redação TN Petróleo/Assessoria
18/10/2022 07:20
Situação positiva do Brasil contrasta com panorama global, por Rodrigo Sodré Imagem: Divulgação Visualizações: 1806

Depois de tantos meses de aflição, com números ruins em várias frentes, a economia brasileira reagiu e apresentou sinais consistentes de melhora nas últimas semanas -- tanto do ponto de vista macroeconômico, quanto do mercado financeiro. A situação contrasta com um agravamento do cenário internacional, em que há um aumento do risco de recessão e continuidade do aperto monetário, que devem ser observados com cautela pelos brasileiros.

A inflação arrepiante vista até meados deste ano parece contida. É o que mostram os sucessivos resultados dos indicadores oficiais. O mais recente, o IPCA-15 de setembro (que é a prévia do índice oficial, o IPCA) recuou 0,37% em relação ao mês anterior, acumulando uma alta de 4,63% no ano e de 7,96% nos últimos 12 meses. Trata-se, portanto, de uma surpresa positiva, já que o mercado esperava um recuo mensal menor, de 0,20%, e um acumulado anual de 9,60%.

O Brasil também vem sendo considerado um bom negócio para os investidores. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, obteve o melhor desempenho do mundo no acumulado do ano, com retorno de +5% em reais e de +8% em dólares. A efeito de comparação, o S&P 500 acumula baixa de 25% em 2022. As ações das empresas brasileiras estão atrativas (apesar da taxa Selic mantida em 13,75%), graças aos preços baixos e ao nível de Prêmio de Risco em 9,4%, patamar superior à média histórica.

Lá fora, os países ainda sofrem para controlar a alta de preços. Na zona do euro, por exemplo, a inflação aumentou 1,2% em setembro (o mercado projetava alta de 0,9%), o que elevou a taxa anual a históricos 10%, batendo um novo recorde -- resultado bastante disseminado entre países e setores, o que torna o panorama ainda mais negativo. Já nos Estados Unidos, o índice PCE Deflator, que é o mais usado pelo Federal Reserve (Fed), teve uma leve melhora, subindo 0,4% no mês e 6,2% em 12 meses, mas ainda bastante alto.

Para enfrentar um problema dessa magnitude, um remédio amargo. O Fed elevou em 0,75 ponto percentual a taxa de juros americana. É a terceira alta consecutiva e está longe de ser a última, segundo a autoridade monetária. No Velho Continente, o Banco Central Europeu também adotou uma postura mais agressiva, elevando os juros em 0,75 p.p., assim como o Banco da Inglaterra, que subiu em 0,50 p.p.

Preocupação a médio prazo

De fato, o cenário no Brasil está bem mais positivo, mas não se pode baixar a guarda. A movimentação no exterior pode nos afetar de diferentes formas. A primeira é que o aumento robusto e brusco dos juros nos EUA tende a fortalecer ainda mais o dólar, prejudicando outras moedas. Isso vem sendo observado, principalmente, na Europa, quando se compara o valor do euro e da libra com a moeda americana. E num momento de escassez de energia e em que a maior economia do mundo é exportadora de petróleo e gás, sua moeda também se beneficia.

Outro fator de atenção é a recessão global que se avizinha e é cada vez mais tida como certa pelas previsões do mercado. Além do aperto monetário, há um temor pela desaceleração da economia chinesa e dos riscos geopolíticos, sobretudo relacionados ao prolongamento e às consequências posteriores da guerra na Ucrânia. Isso vem gerando um aumento da aversão ao risco por parte dos investidores internacionais, que tendem a buscar segurança nos ativos mais seguros do mundo, os títulos da dívida dos EUA, que também estão pagando mais.

O que o Brasil pode fazer para se proteger dessa piora de perspectivas? A dívida e o serviço da dívida do país estão elevados e, por isso, a responsabilidade na política fiscal entre a reta final deste ano e 2023 é fundamental para quem quer que esteja no poder. Com o controle nos gastos públicos, aumentam as chances de a inflação seguir caindo e, consequentemente, de o Banco Central encontrar espaço para reduzir os juros, criando um ambiente propício ao crescimento econômico.

Sobre o autor: Rodrigo Sodré, economista e sócio da BRA, escritório credenciado da XP INVESTIMENTOS

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Petrobras
Com um total de US$ 109 bilhões de investimentos o Plano...
28/11/25
Mossoró Oil & Gas Energy 2025
Oil States marca presença na Mossoró Oil & Gas Energy 20...
28/11/25
Evento
Niterói encerra segunda edição do Tomorrow Blue Economy ...
28/11/25
Petrobras
Navios da Transpetro recebem bunker com conteúdo renovável
26/11/25
Apoio Offshore
Camorim receberá R$30 milhões do Fundo da Marinha Mercante
26/11/25
Logística
Base da Atem em Santarém obtém ISPS Code e eleva nível d...
26/11/25
Resultado
Portos públicos do Sul crescem 14% no 3º trimestre e lid...
24/11/25
Mossoró Oil & Gas Energy 2025
Mossoró Oil & Gas Energy se consolida como hub energétic...
24/11/25
BRANDED CONTENT
Aquamar Offshore se consolida como fornecedora estratégi...
21/11/25
Resultado
Produção de petróleo da União foi de 174 mil barris por ...
21/11/25
Bacia de Campos
Petróleo de excelente qualidade é descoberto na Bacia de...
18/11/25
Investimentos
Portos ganham sistema que amplia segurança da navegação,...
17/11/25
Apoio Offshore
Svitzer Copacabana chega para fortalecer operações de GN...
14/11/25
BRANDED CONTENT
Merax, 20 anos de confiança em soluções que movem o seto...
14/11/25
Resultado
Nordeste ganha força em cargas estratégicas e movimenta ...
14/11/25
COP30
Transpetro recebe o Selo Diamante do Ministério de Porto...
13/11/25
Parceria
Itaipu Binacional e Itaipu Parquetec apresentam primeiro...
11/11/25
Mão de Obra
Novo Centro de Ensino Portuário do OGMO impulsiona quali...
10/11/25
Indústria Naval
Norsul é a primeira empresa da América Latina a adotar p...
10/11/25
Niterói
Tomorrow Blue Economy movimenta Niterói em contagem regr...
08/11/25
Resultado
Lucro líquido da Petrobras chega a US$ 6 bilhões no terc...
07/11/25
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.