Artigo

Tributação de empresas offshore em fase de mudança em função da PL feita pelo governo, por Francisco Arrighi

Redação TN Petróleo/Assessoria
12/09/2023 10:01
Tributação de empresas offshore em fase de mudança em função da PL feita pelo governo, por Francisco Arrighi Imagem: Divulgação Visualizações: 2147

Com o intuito de alterar a tributação dos ativos financeiros no exterior, das pessoas físicas residentes no Brasil, o governo federal enviou à Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4173/23, para tratar de alterações nas regras de tributação de bens e direitos detidos por pessoas físicas no exterior, e diferentemente das MPs, os Projetos de Lei não há prazo regulamentar de até 120 dias para conversão em lei, precisando ser convertido em lei até o final de 2023, para produzir efeitos a partir de 1º de janeiro de 2024. 

 Vale destacar que o projeto foi enviado à Câmara com urgência, que dispensa a análise pelas comissões, e autoriza a votação direta em plenário, e caso não haja manifestação do Congresso, ele tranca a pauta de votação, sendo priorizado em detrimento das demais matérias. Este pedido de urgência se deu, pois, segundo o Ministério da Fazenda, o potencial de arrecadação é de mais de R$ 20 bilhões entre 2024 e 2026. 

O projeto prevê a cobrança de imposto de renda sobre os rendimentos gerados por aplicações financeiras, entidades controladas e trusts localizados no exterior. 

A intenção, ainda, é de criar regras para a tributação dos trusts, que são amplamente utilizados para planejamento patrimonial e sucessório no exterior.  

Este Projeto é bem semelhante a MP 1171/2023, que já foi aprovada e virou lei, excluindo-se a parte que tratava de offfshore, mas não igual, já que a MP tratava da tributação de offshores e da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. 

Com isso, o governo decidiu reenviar a tributação das aplicações no exterior por meio de projeto de lei. Segundo o Executivo, a proposta incorpora parte das emendas apresentadas por parlamentares durante a análise da MP 1171/23. 

O que pretende o governo é taxar os ativos dos brasileiros no exterior, que somam mais de 1 trilhão de reais, cujos lucros não sofrem tributação, caso não retornem ao Brasil. Ou seja, os ativos ficam anos no exterior sem sofrer qualquer tipo de tributação. 

Além disso, dispõe sobre a criação de uma janela de transição, com adesão facultativa, para o contribuinte atualizar o valor de bens e direitos mantidos fora do Brasil e se adequar às novas normas. 

O PL traz em seu texto que a nova regra será aplicada a partir de 1º de janeiro de 2024, em relação aos resultados acumulados até 31 de dezembro de 2023, os mesmos serão tributados somente no momento da efetiva disponibilização. 

A proposta prevê que a pessoa física com renda de até R$ 6 mil, por ano, estará sujeita à alíquota de 0% do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), cuja ideia é não taxar aquelas pessoas que apenas utilizam as contas estrangerias para viagens, por exemplo. 

Já, para renda entre R$ 6 mil e R$ 50 mil, a alíquota do IRPF será de 15% e para renda superior a R$ 50 mil, à alíquota de 22,5%. Apenas destacando que esta alíquota de 22,5% é a alíquota máxima já aplicada para aplicações financeiras de curto prazo no Brasil. 

Não haverá incidência de IRPF no caso de variação cambial de depósitos em conta corrente ou em cartão de débito ou crédito no exterior, desde que os depósitos não sejam remunerados, bem como sobre a variação cambial de moeda estrangeira em espécie até o limite de venda da moeda no ano-calendário equivalente a cinco mil dólares. 

Precisamos agora aguardar a votação do Congresso, se aprovada, ser enviada para aprovação do Presidente, para, então, entrar em vigor. 

Sobre o autor: Francisco Arrighi é consultor tributário e presidente da Fradema Consultores Tributários

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Cana Summit
No Cana Summit 2026, ORPLANA e UNICA formalizam revisão ...
16/04/26
Royalties
Firjan anuncia mobilização para defender interesse do RJ...
16/04/26
Reconhecimento
3º Prêmio Foresea de Fornecedores premia melhores empres...
16/04/26
Cana Summit
Abertura do Cana Summit 2026: autoridades e especialista...
15/04/26
Gás Natural
TBG e SCGás inauguram nova estação em Santa Catarina e a...
15/04/26
Espírito Santo
Indústria de Petróleo e Gás no ES deve investir mais de ...
15/04/26
Investimentos
SEAP: Bacia Sergipe-Alagoas irá receber dois FPSOs
14/04/26
Petrobras
US$450 milhões serão investidos no maior projeto de moni...
14/04/26
Combustíveis
Etanol gera economia superior a R$ 2,5 bilhões em março ...
14/04/26
Espírito Santo
Próximo pico da produção de petróleo no ES será em 2027
14/04/26
ANP
Oferta Permanente de Concessão (OPC): edital com inclusã...
14/04/26
Refino
Honeywell impulsiona primeiro projeto de Etanol-to-Jet (...
14/04/26
Cana Summit
Diesel sob pressão no campo acelera corrida por novas fo...
14/04/26
Pessoas
Eduardo Beser é o novo diretor-geral de Operações no Bra...
13/04/26
Evento
Promoção da Infis, 4º Seminário Tributação em Óleo e Gás...
13/04/26
Investimento
Camorim investe R$ 52 mi na construção de uma das maiore...
13/04/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de hidrocarbonetos em águas profundas no...
13/04/26
BOGE 2026
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste es...
10/04/26
ANP
Fiscalização: aprovada consulta pública para revisão de ...
10/04/26
ANP
Reservas provadas de petróleo no Brasil cresceram 3,84% ...
10/04/26
Bacia de Campos
Petrobras retoma 100% de participação no campo de Tartar...
10/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23