Pelo seu DNA petrolífero se dizia, talvez com alguma pitada de leviandade, que a Petrobras não morria de amores pelo álcool-combustível.
Seja como for, o etanol move cada vez mais carros e a Petrobras, de há muito uma empresa de energia, não briga contra os fatos. E, nessa linha, está namorando uma grande usina de álcool, para, de vez, entrar na área de produção.
E a maior companhia do Brasil, com receita líquida de R$ 215 bilhões ano passado, quer entrar em grande estilo. "A Petrobras é empresa de grande porte. Se ela decidir que vai participar de um segmento não é para ser a última, mas sim para estar entre as primeiras, as maiores", dizia recentemente Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da estatal ao admitir o interesse da empresa por uma usina de álcool.
O advento do carro flex fluel, em 2003, devolveu a credibilidade do álcool como combustível. Ao motorista, que antes desconfiava do combustível verde (herança do desabastecimento que em outros tempos afetou o produto), foi oferecido como atrativo motor com a possibilidade de consumir dois combustíveis, álcool e gasolina. O brasileiro comparou e gostou do combustível que vem da cana atraído pelo menor impacto causado no bolso.
A aprovação é evidente nos principais estados brasileiros, tanto que o consumo de álcool só faz crescer, enquanto o de gasolina tem movimento contrário.
Tal situação provoca duas ações da estatal: enquanto reduz a produção de gasolina por meio de mudança no perfil de refino para extrair do petróleo mais diesel e nafta, a empresa anuncia a intenção de mergulhar no mundo da cana.
Com atuação internacional que no final do ano passado abrangia 27 países, a Petrobras tem um olho no mercado doméstico, e outro, bem grande, na grande atração que um combustível verde exerce num mundo que clama por sustentabilidade.