Eleição

Acirra-se a polarização na disputa pela Firjan

Votação será na próxima segunda-feira.

Valor Econômico
16/08/2013 10:02
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Às vésperas da eleição na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), na segunda-feira, para definir quem vai comandar a entidade pelos próximos três anos, situação e oposição fazem contas e contabilizam apoios. O atual presidente, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, 66 anos, que tenta o sétimo mandato consecutivo, afirma ter a maioria dos votos necessários para ganhar a eleição na primeira convocação. Mas o oposicionista Ariovaldo Rocha, 63, questiona o número de apoios do adversário e diz que chega às urnas em condições competitivas. "Trabalhamos com maioria."
As afirmações refletem o clima de polarização que tomou conta das eleições da Firjan, cujo orçamento é de R$ 1,1 bilhão este ano. Foi uma campanha marcada por embates e acusações. Historicamente, a entidade sempre teve chapa única. Desta vez, porém, a eleição virou uma "guerra" com pressões das duas chapas sobre os sindicatos, ameaças e tentativas de expulsão, relatam dirigentes sindicais ouvidos pelo Valor.
"Os sindicatos estão sendo usados como massa de manobra e, na campanha, vimos artifícios dos dois lados nem sempre muito republicanos", disse um dirigente que não quis se identificar. A divisão chegou ao ponto de um mesmo sindicato ter delegados nas duas chapas. Essa é uma situação comum a oito sindicatos filiados à Firjan. Na segunda, porém, somente um delegado de cada um desses oito sindicatos estará credenciado para votar. O credenciamento pode ser feito até o último minuto antes da abertura das urnas, às 11h de segunda-feira.
A eleição ganhou também um forte componente político partidário, algo combatido pela Firjan como instituição. Em entrevista, Gouvêa Vieira disse que a entidade tem dois pilares: profissionalismo e apartidarismo. "Nos damos com todos os governos e com todos os partidos políticos, com todos os presidentes, governadores e prefeitos", disse o empresário. Bem-humorado, Gouvêa Vieira lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornava ligações mais rápido do que Fernando Henrique Cardoso. Com Dilma Rousseff, ele tem uma relação cordial.
Nos bastidores, há uma tentativa de identificar Gouvêa Vieira com o PSDB e Rocha, com o PT. Ambos negam essas ligações partidárias. Rocha vem angariando apoios de sindicatos que no começo da campanha estavam com Gouvêa Vieira, mas migraram para a oposição, em alguns casos com a ajuda de políticos.
O Valor apurou que o deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) e sua esposa, a prefeita de Campos dos Goytacazes (RJ), Rosinha Garotinho, ajudaram Rocha a conseguir apoio de pelo menos um sindicato no município. Procurados, Garotinho afirmou, via assessoria, que não apoia ninguém na eleição da Firjan e Rosinha não respondeu email sobre o assunto.
Amaro da Conceição, presidente do Sindicato da Indústria de Cerâmica para a Construção de Campos, disse que pretendia votar em Gouvêa Vieira em um primeiro momento, mas afirmou ter recebido determinação do grupo político de Garotinho, do qual faz parte, para apoiar Rocha. "Considero que um homem pode mudar de opinião se o fizer de forma clara e transparente. Não tive como deixar de atender pedido que me foi feito."
Rocha disse não ter conhecimento de que Garotinho buscou apoios para sua chapa. "Jamais procurei político para pedir voto. Primeiro me taxavam como PT, agora sou PR?", questionou, referindo-se ao partido de Garotinho. Nos bastidores, pessoas da situação na Firjan citam a proximidade de Rocha com dirigentes do PT, incluindo o ex-presidente Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O cunhado de Mantega, Franco Papini, é vice-presidente executivo do Sinaval, o Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), presidido por Rocha. "Papini é um engenheiro, jamais usamos de sua condição [de parente de Mantega] para contatos com o governo federal", disse Rocha.
O dirigente afirmou que o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) vem atuando como cabo eleitoral de Gouvêa Vieira. O senador disse, por meio da assessoria, que não iria comentar a declaração. "Em momento algum foi solicitado ao senador que desse um telefonema sequer para tratar de assuntos eleitorais da Firjan", acrescentou Geraldo Coutinho, coordenador da campanha de Gouvêa Vieira.
Em Nova Friburgo, na região serrana, Olney Botelho, empresário filiado ao PDT e suplente de Lindbergh Farias, apoia Rocha. Botelho não vota na eleição da Firjan, mas tem manifestado a necessidade de renovação no comando da Firjan dentro do segmento da indústria de panificação no Estado.
Esta semana a chapa "Firjan com Credibilidade", liderada por Gouvêa Vieira, presidente da entidade desde 1995, contabilizou, em anúncio publicado no jornal "O Globo", o apoio de 79 dos 103 sindicatos aptos a votar. Os números, questionados pela oposição, consideram os sindicatos que compõem a chapa de Gouvêa Vieira mais "apoios explicitados", uma espécie de compromisso de dirigentes sindicais que não fazem parte da nominata, mas que teriam assegurado voto ao presidente da Firjan.
Por essa conta, Gouvêa Vieira seria reeleito para o sétimo mandato consecutivo com o apoio de 77% dos delegados que compõem o colégio eleitoral da Firjan, o Conselho de Representantes, o poder soberano da federação. O conselho, formado por dois representantes efetivos e dois suplentes de cada sindicato, tem entre seus deveres eleger a diretoria e o conselho fiscal da entidade.
Rocha, líder da chapa "Nova Firjan", prefere não abrir o número de apoios. Ele afirma que, no início de agosto, Gouvêa Vieira divulgou carta aos sindicatos filiados à Firjan afirmando ter 90% dos apoios: "Depois o número caiu para 80, agora fala em 79. Ele não tem convivência com o eleitor."
Ele também questionou o que considera "supersalários" pagos pela Firjan. O tema foi explorado pela oposição na campanha a partir de uma fiscalização na política de pessoal do Sistema S (Sesi e Senai) do Rio a cargo do Tribunal de Contas da União (TCU).
Sobre o assunto, afirmou Gouvêa Vieira: "A política de remuneração da Firjan é um dos motivos de orgulho da minha administração. Ela se baseia na meritocracia e no cumprimento de metas. Nunca é demais lembrar: a Firjan é uma entidade privada e como tal é gerida."
Na eleição, só vota um delegado por sindicato. O voto é secreto e para ganhar a eleição basta maioria simples. Para a eleição ser decidida na segunda-feira, será preciso o comparecimento de pelo menos dois terços dos delegados. Se não houver quórum, a votação fica para o dia seguinte com a exigência de comparecimento de metade mais um dos sindicatos aptos a votar.

Às vésperas da eleição na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), na segunda-feira, para definir quem vai comandar a entidade pelos próximos três anos, situação e oposição fazem contas e contabilizam apoios. O atual presidente, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, 66 anos, que tenta o sétimo mandato consecutivo, afirma ter a maioria dos votos necessários para ganhar a eleição na primeira convocação. Mas o oposicionista Ariovaldo Rocha, 63, questiona o número de apoios do adversário e diz que chega às urnas em condições competitivas. "Trabalhamos com maioria."

 


As afirmações refletem o clima de polarização que tomou conta das eleições da Firjan, cujo orçamento é de R$ 1,1 bilhão este ano. Foi uma campanha marcada por embates e acusações. Historicamente, a entidade sempre teve chapa única. Desta vez, porém, a eleição virou uma "guerra" com pressões das duas chapas sobre os sindicatos, ameaças e tentativas de expulsão, relatam dirigentes sindicais ouvidos pelo Valor.

 


"Os sindicatos estão sendo usados como massa de manobra e, na campanha, vimos artifícios dos dois lados nem sempre muito republicanos", disse um dirigente que não quis se identificar. A divisão chegou ao ponto de um mesmo sindicato ter delegados nas duas chapas. Essa é uma situação comum a oito sindicatos filiados à Firjan. Na segunda, porém, somente um delegado de cada um desses oito sindicatos estará credenciado para votar. O credenciamento pode ser feito até o último minuto antes da abertura das urnas, às 11h de segunda-feira.

 


A eleição ganhou também um forte componente político partidário, algo combatido pela Firjan como instituição. Em entrevista, Gouvêa Vieira disse que a entidade tem dois pilares: profissionalismo e apartidarismo. "Nos damos com todos os governos e com todos os partidos políticos, com todos os presidentes, governadores e prefeitos", disse o empresário. Bem-humorado, Gouvêa Vieira lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornava ligações mais rápido do que Fernando Henrique Cardoso. Com Dilma Rousseff, ele tem uma relação cordial.

 


Nos bastidores, há uma tentativa de identificar Gouvêa Vieira com o PSDB e Rocha, com o PT. Ambos negam essas ligações partidárias. Rocha vem angariando apoios de sindicatos que no começo da campanha estavam com Gouvêa Vieira, mas migraram para a oposição, em alguns casos com a ajuda de políticos.

 


O Valor apurou que o deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) e sua esposa, a prefeita de Campos dos Goytacazes (RJ), Rosinha Garotinho, ajudaram Rocha a conseguir apoio de pelo menos um sindicato no município. Procurados, Garotinho afirmou, via assessoria, que não apoia ninguém na eleição da Firjan e Rosinha não respondeu email sobre o assunto.

 


Amaro da Conceição, presidente do Sindicato da Indústria de Cerâmica para a Construção de Campos, disse que pretendia votar em Gouvêa Vieira em um primeiro momento, mas afirmou ter recebido determinação do grupo político de Garotinho, do qual faz parte, para apoiar Rocha. "Considero que um homem pode mudar de opinião se o fizer de forma clara e transparente. Não tive como deixar de atender pedido que me foi feito."

 


Rocha disse não ter conhecimento de que Garotinho buscou apoios para sua chapa. "Jamais procurei político para pedir voto. Primeiro me taxavam como PT, agora sou PR?", questionou, referindo-se ao partido de Garotinho. Nos bastidores, pessoas da situação na Firjan citam a proximidade de Rocha com dirigentes do PT, incluindo o ex-presidente Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O cunhado de Mantega, Franco Papini, é vice-presidente executivo do Sinaval, o Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), presidido por Rocha. "Papini é um engenheiro, jamais usamos de sua condição [de parente de Mantega] para contatos com o governo federal", disse Rocha.

 


O dirigente afirmou que o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) vem atuando como cabo eleitoral de Gouvêa Vieira. O senador disse, por meio da assessoria, que não iria comentar a declaração. "Em momento algum foi solicitado ao senador que desse um telefonema sequer para tratar de assuntos eleitorais da Firjan", acrescentou Geraldo Coutinho, coordenador da campanha de Gouvêa Vieira.

 


Em Nova Friburgo, na região serrana, Olney Botelho, empresário filiado ao PDT e suplente de Lindbergh Farias, apoia Rocha. Botelho não vota na eleição da Firjan, mas tem manifestado a necessidade de renovação no comando da Firjan dentro do segmento da indústria de panificação no Estado.

 


Esta semana a chapa "Firjan com Credibilidade", liderada por Gouvêa Vieira, presidente da entidade desde 1995, contabilizou, em anúncio publicado no jornal "O Globo", o apoio de 79 dos 103 sindicatos aptos a votar. Os números, questionados pela oposição, consideram os sindicatos que compõem a chapa de Gouvêa Vieira mais "apoios explicitados", uma espécie de compromisso de dirigentes sindicais que não fazem parte da nominata, mas que teriam assegurado voto ao presidente da Firjan.

 


Por essa conta, Gouvêa Vieira seria reeleito para o sétimo mandato consecutivo com o apoio de 77% dos delegados que compõem o colégio eleitoral da Firjan, o Conselho de Representantes, o poder soberano da federação. O conselho, formado por dois representantes efetivos e dois suplentes de cada sindicato, tem entre seus deveres eleger a diretoria e o conselho fiscal da entidade.

 


Rocha, líder da chapa "Nova Firjan", prefere não abrir o número de apoios. Ele afirma que, no início de agosto, Gouvêa Vieira divulgou carta aos sindicatos filiados à Firjan afirmando ter 90% dos apoios: "Depois o número caiu para 80, agora fala em 79. Ele não tem convivência com o eleitor."

 


Ele também questionou o que considera "supersalários" pagos pela Firjan. O tema foi explorado pela oposição na campanha a partir de uma fiscalização na política de pessoal do Sistema S (Sesi e Senai) do Rio a cargo do Tribunal de Contas da União (TCU).

 


Sobre o assunto, afirmou Gouvêa Vieira: "A política de remuneração da Firjan é um dos motivos de orgulho da minha administração. Ela se baseia na meritocracia e no cumprimento de metas. Nunca é demais lembrar: a Firjan é uma entidade privada e como tal é gerida."

 


Na eleição, só vota um delegado por sindicato. O voto é secreto e para ganhar a eleição basta maioria simples. Para a eleição ser decidida na segunda-feira, será preciso o comparecimento de pelo menos dois terços dos delegados. Se não houver quórum, a votação fica para o dia seguinte com a exigência de comparecimento de metade mais um dos sindicatos aptos a votar.

 

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