Licitação

ANP quer que Petrobras devolva poços pequenos

O Estado de São Pau
20/10/2005 00:00
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Objetivo da agência é estimular a participação de pequenas empresas na exploração de petróleo

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) quer que a Petrobras devolva campos com pequena produção de petróleo para repassar as áreas a pequenas e médias empresas no País, a exemplo do que fez ontem, no último dia da sétima rodada de licitações de áreas para exploração e produção. No leilão de ontem, a agência conseguiu atrair 11 novas empresas para o setor, com uma arrecadação de R$ 3 milhões em bônus de assinatura e compromisso com investimentos de R$ 61,3 milhões.

Mais de 70 empresas que haviam se inscrito não ganharam nada, o que levou a ANP a pedir ao Ministério de Minas e Energia a realização de rodadas em intervalos menores do que um ano.

Confirmado ontem na direção geral da ANP, depois de dez meses como interino, Haroldo Lima disse temer que a espera de um ano pelo próximo leilão desmobilize os grupos criados para a disputa. Por isso, sugere a realização de uma nova rodada, apenas com campos inativos, em 4 ou 5 meses. A ANP tem atualmente cerca de 40 campos com essas características em sua carteira, mas espera que a Petrobras devolva parte dos 150 campos de pequena produção que detém atualmente. Mas a idéia não é bem vista na empresa, cujo diretor de Exploração e Produção, Guilherme Estrella, já demonstrou resistência à devolução de áreas em diversas ocasiões.

"Se a Petrobras entende que pode continuar operando esses campos de maneira rentável, é questão empresarial dela. Caberá ao acionista majoritário (a União) decidir qual retorno é mais adequado", afirmou o diretor da ANP John Forman, lembrando que o governo é entusiasta da idéia de fomentar a criação de novas petroleiras de pequeno porte no País.

No leilão de ontem, o maior lance foi dado para o campo Morro do Barro, na Ilha de Itaparica, na Bahia, com potencial para gás natural.

As empresas de consultoria Panergy e ERG, formadas por alunos e professores da Universidade Federal da Bahia, pagaram R$ 710,9 mil, com compromisso de investir R$ 13,8 milhões na reativação dos poços. "A Bahia passa por um racionamento de gás desde 2000 e precisa muito do combustível", justificou James Correia, sócio da ERG.

Nesta etapa do leilão, a avaliação dos lances conferiu grande peso ao compromisso com os investimentos na reativação dos poços. O segundo maior valor proposto para investimentos foi de R$ 10 milhões, pelo campo Tigre, em Sergipe, arrematado pela Severo e Villares Construções.

Maior vencedora entre as pequenas empresas participantes dos 3 dias de leilão, a argentina Oil M&S surpreendeu ao levar 43 áreas nas bacias do São Francisco e Solimões, consideradas novas fronteiras do petróleo brasileiro.

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