Aço

ArcelorMittal pode rever investimento de US$ 2 bi no país

O engenheiro metalúrgico Jefferson De Paula, fluminense nascido em Volta Redonda, foi escalado para comandar as operações de aços longos da Arcelor Mittal nas Américas em um momento de inflexão das expectativas no setor siderúrgico.

Valor Econômico
12/08/2011 07:24
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O engenheiro metalúrgico Jefferson De Paula, fluminense nascido em Volta Redonda, foi escalado para comandar as operações de aços longos da Arcelor Mittal nas Américas em um momento de inflexão das expectativas no setor siderúrgico.
 
 
Seu maior desafio será integrar os negócios na região em meio a um cenário de excesso na oferta de aço no mundo, combinado à ameaça de um novo ciclo contracionista em economias desenvolvidas, com destaque para os EUA.
 
 

No Brasil, as ameaças residem, sobretudo, na dificuldade para exportar, no menor ritmo de crescimento da economia e na competição com o aço importado - seja pela via direta seja pelas importações de produtos com forte conteúdo siderúrgico.
 

 
A divisão de De Paula traçou para o Brasil investimentos de US$ 2 bilhões dentro de um planejamento estratégico para o período de 2010 a 2015. Mas, o novo cenário pode comprometer esse pacote, que representa dois terços do total na sua área de atuação.
 

 
Entre os projetos em aços longos, o único garantido até agora é a duplicação - para 2,4 milhões de toneladas em aço bruto - da capacidade da usina de João Monlevade (MG), com desembolsos estimados em US$ 1,2 bilhão.
 

 
Os US$ 800 milhões restantes dependerão do comportamento da economia brasileira e do consumo de aço no país, cujas expectativas se mostram menos otimistas em relação a um ano atrás. De Paula conta que a siderúrgica traçou o plano estratégico lastreado em um crescimento médio anual de demanda entre 7% e 8%, mas, pelo menos neste ano, o avanço do consumo deverá ser inferior, ficando da faixa de 4% a 5%.
 

 
No projeto de expansão da usina Monlevade, a ArcelorMittal já encomendou equipamentos e passa a trabalhar agora na contração da montagem. O objetivo é finalizar as obras em outubro de 2012.
 

 
No negócio de aços longos, Monlevade é o principal empreendimento em curso no país e inclui, além de um novo alto-forno, a instalação de um terceiro laminador para expandir a produção anual de fio-máquina: dos atuais 1,15 milhão de toneladas para 2,3 milhões de toneladas. Ao todo, devem ser investidos ao redor de US$ 500 milhões neste ano e mais US$ 800 milhões em 2012.
 
 
 
Esse projeto foi colocado como prioridade no grupo por sua vantagem competitiva, dado que terá 100% de suprimento próprio de minério de ferro, extraído na mina do Andrade, a 11 quilômetros da usina siderúrgica.
 

 
Por isso, a duplicação em Monlevade ocorre concomitantemente a investimentos, de US$ 75 milhões, para dobrar a produção da mina, que chegará a 3,5 milhões de toneladas por ano.
 
 
 
Devido à penetração de aço importado e do arrefecimento da economia após esforços do governo para segurar a inflação, De Paula diz estar pessimista quanto ao desempenho do mercado na segunda metade de 2011. O câmbio é outro ponto de preocupação e considerado um inibidor ao crescimento. "Se o dólar seguir a R$ 1,60, as empresas não vão realizar os investimentos que anunciaram", afirma o executivo. O real valorizado já abateu fortemente a capacidade de exportação da empresa: era de 1 milhão de toneladas ao ano; atualmente, está em 400 mil.
 
 
 
No momento em que a competitividade das empresas é cada vez mais colocada à prova, o executivo terá à frente da divisão de longos nas Américas a tarefa de integrar as operações na busca de sinergias entre elas.
 

 
Mercados em crescimento nas Américas do Sul e Central - como Peru, Colômbia e Panamá - serão supridos pelas operações que estiverem melhor posicionadas, como a usina de fio-máquina em Trinidad e Tobago ou as unidades nos Estados Unidos, que ganharam poder de competição com a desvalorização do dólar.
 
 
 
Já em mercados onde as perspectivas de negócio se tornaram mais negativas, como o americano, o foco será em ganhos de produtividade e em inovação. "A palavra mais importante é ser competitivo", aponta De Paula ao falar sobre os desafios que surgirão no caso de um agravamento da crise americana.
 

 
O executivo informa que, no momento, a ArcelorMittal opera no nível de 60% da capacidade das usinas americanas. "Está difícil ganhar dinheiro hoje nos Estados Unidos", observa.
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