Gás natural

Aumento da oferta requer ampliação de infra-estrutura

Com a decisão de aumentar a oferta de gás natural à região Sudeste a Petrobras terá que ampliar a estrutura de transporte. O presidente da companhia afirma, entretanto, que mesmo havendo mais gás nacional o contrato com a Bolívia permanece.


22/05/2006 00:00
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Com a decisão de aumentar a oferta de gás natural à região Sudeste - de 15,8 milhões de m³ por para 40 milhões de m³ diários -, a Petrobras terá que ampliar a estrutura de transporte gasífero na região. Entre Cabiúnas (RJ) e a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), por exemplo, será necessária a construção de mais um gasoduto, o Gasduc III, paralelo aos anteriores, Gasduc I e II, que têm capacidade de transporte de 3,5 milhões de m³ de gás natural diariamente.

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, detalhou os planos da companhia em relação ao aumento de oferta de gás natural no país, nesta segunda-feira (22/05), e afirmou que o país chegará a ser auto-suficiente também em gás natural a partir do final de 2008. As primeiras medidas no caminho da auto-suficiência gasífera são a aceleração da produção nos campos da Bacia do Espírito Santo e da Bacia de Campos, porém na área marítima capixaba, além do melhor aproveitamento do gás na Bacia de Campos, na costa fluminense.

O aumento da oferta é de 24,2 milhões de m³. A Bacia do Espírito Santo contribuiria com 16,7 milhões de m³ por dia, a Bacia de Campos no Espírito Santo, ofereceria 6 milhões de m³/dia e a Bacia de Campos, 1,5 milhão de m³/dia.

A oferta, entretanto, será totalmente consumida no Sudeste e deverá chegar a São Paulo através do gasoduto campinas-Rio, ainda em construção. Para o Nordeste, será destinado o gás da Bacia de Santos, que, segundo o presidente da companhia, estará disponível a partir de 2009 e será transportado pelo Gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene), com previsão de início de funcionamento em 2008.

Ainda que a companhia invista na ampliação da produção nacional, Gabrielli garantiu que nenhuma das medidas representa corte de importação dos 30 milhões de m³ diários de gás natural da Bolívia. "Temos um contrato até 2019 e queremos cumprí-lo", afirmou.

No entanto, o executivo admitiu que a companhia tem um conjunto de ações como plano de contingência em caso de corte de subministro do gás natural boliviano. Além da aceleração da produção, a companhia estuda a instalação de infra-estrutura para a importação de gás natural liquefeito (GNL).

Segundo explicou Gabrielli, após sua apresentação no evento promovido pela Câmara Britânica de Comércio, no Rio de Janeiro, a idéia de construir uma planta de regaseificação fixa está praticamente descartada, mas seria possível a contratação de dois FSRO - unidades de transformação e armazenagem de GNL flutuantes. O presidente da petroleira detalhou que o maior dos FSROs, com capacidade processamento de 12 milhões a 14 milhões de m³ diários de GNL, ficaria baseado no Rio de Janeiro. O menor deles, capaz de processar 6 milhões de m³ de gás por dia, ficaria no Ceará. "De qualquer forma será necessária uma estrutura física, um terminal marítimo em cada local", destaca.

O GNL seria adequado como fonte interruptível, para as termelétricas, por exemplo. Entre as menidas de contenção no caso de falta de gás, a Petrobras estuda, ainda, a substituição do gás nas refinarias, no consumo interno em geral e nas termelétricas, onde se realiza testes para a utilização de etanol.

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