Balança Comercial

Balança comercial apresenta superávit de US$ 28,2 bi em sete meses

Acumulado foi recorde para o período; arrecadação com as exportações foi puxada pela alta nos preços de commodities.

Redação/Portal Brasil/MDIC
02/08/2016 12:46
Visualizações: 684

Entre janeiro e julho deste ano, o saldo da balança comercial acumulou um superávit de US$ 28,230 bilhões. O valor é o maior já registrado em toda a série histórica para os primeiros sete meses do ano. O recorde anterior foi registrado em 2006, com um montante de US$ 25 bilhões, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).

O número foi resultado da diferença entre exportações, que foram de US$ 106,583 bilhões no período, e importações, as quais atingiram US$ 78,353 bilhões. Para o diretor de Estatística e Apoio à Exportação do Mdic, Herlon Brandão, a conjuntura que permitiu o superávit atual é diferente da que havia então.

“O saldo comercial recorde de 2016 é fruto de uma redução da exportação de cerca de 5,6% e redução da importação de 27,6% [no acumulado do ano]. As quedas têm motivos distintos. A importação está extremamente ligada à produção nacional. Importamos principalmente insumos. Já a queda da exportação está ligada à redução [dos preços] das commodities, embora o Brasil seja muito competitivo e continue aumentado as quantidades embarcadas”, explicou Brandão.

Acumulado do ano

No acumulado de janeiro a julho deste ano, cresceram as vendas de semimanufaturados (0,2%) e de produtos básicos, como milho em grão (82,6%); algodão em bruto (33,8%); carne suína (5,8%); soja em grão (3,8%) e carne bovina (1,5%).

No grupo dos manufaturados, ocorreu houve elevação das vendas de plataforma para extração de petróleo (136,7%); tubos flexíveis de ferro e aço (70,6%); etanol (58,8%) e automóveis de passageiros (29,2%).

Entre os principais compradores no acumulado do ano foram: China (US$ 24,5 bilhões), Estados Unidos (US$ 12,6 bilhões), Argentina (US$ 7,6 bilhões), Países Baixos (US$ 6,4 bilhões) e Alemanha (US$ 2,7 bilhões).

Em relação às importações, no acumulado janeiro-julho de 2016, quando comparado com igual período anterior, houve queda em combustíveis e lubrificantes (-47,7%); bens de consumo (-27,9%); bens intermediários (-24,9%) e bens de capital (-20,2%).

Brandão atribuiu o bom desempenho da balança este ano também à alta do dólar. Ele destacou que, mesmo com o recente recuo da moeda norte-americana, a estimativa do governo de superávit comercial para o ano não será afetada.

Avaliação mensal

No mês de julho, as exportações superaram as importações em US$ 4,578 bilhões, valor 91,8% superior ao alcançado no mesmo período de 2015 (US$ 2,387 bilhões). De acordo com Brandão, este foi o terceiro maior saldo registrado para meses de julho. Em 2006, o superávit foi de US$ 5,7 bilhões e em 2005, de US$ 5 bilhões.

A corrente de comércio alcançou valor de US$ 28,083 bilhões, com diminuição de 11,3%, pela média diária, em relação a julho de 2015. Brandão destacou que, neste ano, o mês de julho teve dois dias úteis a menos que julho do ano passado, o que influenciou os resultados da balança comercial.

Exportações

Em julho, esse superávit foi alcançado por conta dos US$ 16,331 bilhões arrecadados em exportações e US$ 11,752 bilhões em importações.

Entre os produtos, houve uma elevação na venda de semimanufaturados (10,1%) e manufaturados (7,3%), que registraram em valores absolutos US$ 2,399 bilhões e US$ 6,563 bilhões, respectivamente.

A soja, que é um produto básico, foi um dos produtos que teve melhor desempenho: chegou a US$ 419/ton, o que corresponde a um crescimento de 9,7%, em comparação com o valor de julho de 2015. Foi o primeiro aumento de preço da soja exportada desde abril de 2013.

Segundo Herlon Brandão, a queda dos preços das commodities está desacelerando e, em julho, houve inversão do movimento para duas, a soja e o açúcar bruto, cujo preço subiu. “Ainda é incipiente, mas já são boas notícias”, afirmou. Por outro lado, os volumes embarcados pelo Brasil, que vinham batendo recordes, também começam a crescer menos.

Também houve aumentos de preços de produtos como açúcar em bruto (US$ 52/ton) e petróleo em bruto (US$ 41,2/barril) pra o mercado externo.

Entre os semimanufaturados, na comparação com julho do ano passado, aumentaram as vendas principalmente de açúcar em bruto (58,4%); ouro em forma semimanufaturada (41,3%); ferro fundido (28,2%); ferro-ligas (+4,8%) e madeira serrada (13,3%).

Nos manufaturados, em relação ao mesmo período de 2015, cresceram as vendas de plataforma para extração de petróleo (de zero para US$ 923 milhões); tubos flexíveis de ferro e aço (160,9%); açúcar refinado (66,9%); máquinas para terraplanagem (23,3%); etanol (15,2%); pneumáticos (13,1%); torneiras e válvulas (11,4%); veículos de carga (9,5%); automóveis de passageiros (3,5%) e motores para veículos (3%).

Mercado

Em relação aos mercados compradores, aumentaram as vendas para Oceania (52,3%) e União Europeia (13,8%). Contudo, entre os cinco principais importadores de produtos brasileiros em julho de 2016 estão: China (US$ 3,535 bilhões); Estados Unidos (US$ 1,898 bilhão); Países Baixos (US$ 1,709 bilhão); Argentina (US$ 1,024 bilhão) e Alemanha (US$ 394 milhões).

Importações

Em julho, o País conseguiu reduzir a compra de produtos estrangeiros, sobretudo de combustíveis e lubrificantes (-40,7%), bens de consumo (-29,8%), bens de capital (-21,2%) e bens intermediários (-13,5%). Com a queda nos preços de petróleo em bruto, óleos combustíveis, gás natural, querosene de aviação, coques de hulha, óleos lubrificantes, e energia elétrica, os gastos foram reduzidos.

No segmento de bens de consumo, as principais quedas foram observadas nas importações dos bens de consumo duráveis (automóveis de passageiros, espingardas e carabinas para caça, motocicletas, aparelhos de TV em cores, cafeteiras domésticas, barcos a motor).

Entre os bens de consumo semiduráveis e não duráveis (carnes desossadas de bovino, pedaços e miudezas de frango, carne de frango, frações de sangue para medicamentos, fungicidas, entre outros) também houve menos gastos.

Também caíram as aquisições de peças e acessórios para bens de capital (placas de microprocessamento, partes de motores e geradores, circuitos integrados, cambotas, circuitos impressos); insumos industriais básicos (minério de ferro, minério de cobre, sulfetos de minério de cobre, enxofre, minério de níquel, sulfetos de minério de zinco) e insumos industriais elaborados (celulose, cloretos de potássio, semimanufaturados de ferro e aço, farelo de soja, inseticidas, partes para aparelhos receptores de radiodifusão).

No entanto, cresceram as importações de: equipamentos de transporte industrial (aviões, veículos automóveis, dumpers para transporte de mercadoria, chassis com motor, tratores rodoviários); e de bens de capital, exceto equipamentos de transporte industrial (secadores para madeiras, estruturas flutuantes, máquinas elétricas com função própria, máquinas para esmagar substâncias minerais).

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Bacia de Campos
Equinor inicia campanha de perfuração do projeto Raia
24/03/26
Macaé Energy
Atlas Copco Rental tem participação destaque na Macaé En...
24/03/26
Energia Eólica
Equinor fortalece portfólio de energia no Brasil
23/03/26
Macaé Energy
LAAM Offshore fortalece presença estratégica no Macaé En...
23/03/26
IBEM26
iBEM 2026 reúne especialistas e discute futuro da energia
23/03/26
Crise
Conflito entre EUA e Irã: alta do petróleo pressiona cus...
20/03/26
P&D
Pesquisadores da Coppe desenvolvem técnica inovadora par...
20/03/26
Leilão
TBG avalia como positivo resultado do LRCAP 2026 e desta...
20/03/26
Macaé Energy
Lumina Group marca presença na Macaé Energy 2026
20/03/26
Resultado
Gasmig encerra 2025 com lucro líquido de R$ 515 milhões ...
20/03/26
Combustíveis
Fiscalização nacional alcança São Paulo e amplia ações s...
20/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 encerra com público recorde de 15 mil ...
19/03/26
Exportações
Firjan manifesta preocupação com a oneração das exportaç...
19/03/26
Energia Solar
Newave Energia e Gerdau inauguram Complexo Solar de Barr...
19/03/26
Combustíveis
Diesel chega a R$ 7,17 com conflito entre EUA e Irã, apo...
19/03/26
Petrobras
Museu do Petróleo e Novas Energias irá funcionar no préd...
19/03/26
Pesquisa e Inovação
MODEC impulsiona inovação e P&D com ideias que apontam o...
19/03/26
Etanol
Geopolítica e energia redesenham o papel do etanol no ce...
19/03/26
Energia Elétrica
Copel vence leilão federal e vai aumentar em 33% a capac...
19/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy: debates focam no papel estratégico do gás ...
18/03/26
Economia
Firjan vê início da queda da Selic como positivo para a ...
18/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23