Negócios

Bertin vende usina de 30 MW para Brookfield Energia

O Estado de São Paulo
02/05/2011 11:37
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O Grupo Bertin se desfez ontem de mais um ativo de seu portfólio. Desta vez, foi a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Sacre II, no município de Brasnorte (MT). A usina foi vendida para a Brookfield Energia Renovável, que tem 33 usinas em operação no Brasil, conforme o Estado apurou. O valor da negociação não foi revelado.
 

Em nota, o Bertin afirmou que a operação permitirá ao grupo realizar investimentos nos outros projetos existentes, o que garantirá o prosseguimento das obras e a entrada em operação nos prazos mais curtos possíveis. "O Grupo Bertin tem sua atuação focada em infraestrutura, onde as áreas de energia e de concessões rodoviárias são prioritárias. Estamos nesses negócios porque acreditamos no seu potencial, principalmente na geração termoelétrica e eólica, mas sobretudo em nossa capacidade de trabalho", disse Fernando Bertin, acionista do grupo.
 

A PCH Sacre II opera desde setembro de 2006, com três geradores e potência instalada de 30 megawatts (MW). A unidade tem, segundo o Bertin, autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para produção de energia até 2032, com venda 100% contratada. A pequena hidrelétrica está conectada ao sistema de distribuição de energia da Centrais Elétricas Mato-grossenses S/A (Cemat).
 

Antes da venda da PCH, o grupo já havia desistido, em fevereiro, da sociedade na Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). Na ocasião, o diretor-presidente da Bertin Energia, José Malta, afirmou que a empresa deixava de exercer a opção de ter 9% de participação na usina para focar seus esforços na conclusão dos projetos de termoelétricas em andamento. A empresa foi uma das principais personagens do consórcio que venceu o leilão de Belo Monte, no ano passado. Ao lado de outras empresas menores, o Bertin tornou viável a formação de um novo consórcio para disputar a hidrelétrica. Mas a fatia de 9% do projeto era grande demais para a situação financeira da companhia, que decidiu manter apenas 1,25% de participação na usina por meio da construtora Contern.
 

Desde então a empresa trabalha com o Banco Votorantim para conseguir interessados em seus ativos. O grupo enfrenta graves problemas para conseguir tirar do papel térmicas movida a óleo combustível, arrematadas há cerca de três anos. Algumas unidades deveriam entrar em operação no fim do ano passado e outras, no início deste ano.
 

Mas, até agora, nenhum MW foi entregue ao mercado. Como havia contrato de energia, a empresa ficou inadimplente na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), um ambiente de compra e venda de eletricidade. Calcula-se que o rombo esteja em R$ 300 milhões. Mas, se nada for feito rapidamente, esse valor pode alcançar cifras astronômicas, alertam representantes do setor.
 
 
Rodoanel. Além dos projetos elétricos, a empresa também é detentora da concessão dos trechos Sul e Leste do Rodoanel de São Paulo. No início de março, a companhia fez o pagamento de R$ 389 milhões referente à outorga (valor pago ao Estado pelo direito de operar a estrada) dos dois trechos, depois de 30 dias de prorrogação. No Rodoanel Sul, o projeto foi entregue pelo governo todo concluído. Em breve, a companhia poderá iniciar a cobrança do pedágio. No Leste, as obras ainda serão iniciadas.
 

PARA LEMBRAR
 
 
A presença do Grupo Bertin no setor elétrico começou a ser fortalecida em 2008, durante uma das maiores crises financeiras e econômicas do mundo. Naquele segundo semestre de 2008, a empresa (em alguns casos, em parceria com a Equipav) foi a grande vencedora dos leilões promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Essas usinas, porém, continuam no papel.
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