Financiamento

BNDES planeja ampliar recursos no setor elétrico

Jornal do Commercio
17/11/2009 10:07
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Enquanto o governo tem dificuldades para tirar do papel os investimentos para o setor de energia elétrica por meio da Eletrobrás, que investiu menos da metade do seu orçamento este ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) planeja aumentar o volume de financiamento ao setor.

 


Desde 2003, o banco viabilizou a aplicação de R$ 99 bilhões em projetos de geração, transmissão e distribuição. A previsão é fechar 2009 com a liberação de R$ 14,3 bilhões, quase 70% a mais do que 2008. Até setembro, R$ 8,8 bilhões já tinham sido liberados, mas as aprovações de novos projetos já superam R$ 13 bilhões, indicando evolução dos desembolsos em 2010.

 


Para a chefe do Departamento de Energia Elétrica do banco, Márcia Leal, o investimento nesse segmento, posto em xeque pelo apagão da semana passada, não é baixo. Só o BNDES já viabilizou 12 mil quilômetros de linhas entre 2003 e 2009 e deve aumentar substancialmente em 2010 com a demanda das usinas do Rio Madeira (Jirau e Santo Antônio), em Rondônia.

 


“Temos apoiado intensamente projetos de transmissão. Pela natureza dos investimentos, a geração demanda mais recursos, mas isso não quer dizer que uma atividade esteja mais intensa do que outra. Ao contrário, houve um esforço nos últimos anos de superação de gargalos na estrutura, como a integração da Região Norte ao sistema”, avaliou Márcia.

 


Do total de 268 projetos aprovados na área de energia elétrica, que demandaram R$ 58 bilhões do BNDES desde 2003, 178 eram de geração e consumiram R$ 41,9 bilhões. Já para transmissão, que soma 45 projetos, os empréstimos representaram R$ 7,39 bilhões.

 


“Estamos com um ritmo muito intenso de aprovações e desembolsos para energia, não é algo circunstancial”, diz Márcia. Os projetos de transmissão, que já representam 1.362 quilômetros este ano, são viabilizados pelo BNDES por project finance, modelo em que o banco financia até 80% do investimento dos consórcios.

 


LEILÕES. Com a intensificação dos leilões entre 2005 e 2007, o BNDES chegou a financiar 2,8 mil quilômetros de linhas só em 2007. No ano passado, a marca ficou em 1,1 mil quilômetros e este ano já ultrapassou 1,3 mil quilômetros. No entanto, o banco aprovou apenas seis projetos de racionalização e eficiência energética, a maioria voltada para distribuidoras, que somam pouco menos de R$ 10 milhões.

 


Para Márcia, os mecanismos de regulação garantem que os vencedores dos leilões contemplem tecnologia avançada e itens de segurança. “Vemos os leilões com bons olhos porque estimulam a entrada de investidores. Há os órgãos que cuidam da regulação, o País tem tecnologia bem sucedida e os executores são agentes experientes”, disse Márcia, que não vê prejuízos à confiança dos investidores no setor com o apagão. “É preciso saber exatamente a causa do blecaute, mas não me parece algo estrutural.”

 


Segundo a economista do BNDES, o perfil de longo prazo dos projetos protegeu os investimentos em energia elétrica da crise financeira. O banco mantém a estimativa de que o País chegará a 2011 acumulando R$ 101 bilhões aplicados no setor nos quatro anos anteriores, atingindo o perfil de investimentos alcançado pelas telecomunicações na década anterior.

 


Com isso, acredita Márcia, não faltará energia para a demanda do cenário projetado pelo governo de crescimento do PIB a taxas de 5% ao ano a partir de 2010. “O planejamento do crescimento de energia é exatamente para dar conta desse crescimento. Não acredito que tenhamos problemas nesse sentido”, avaliza.

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