Internacional
Redação TN Petróleo/Assessoria Fieg
Terminou neste fim de semana, o Fórum Empresarial Brasil–Índia, realizado em Nova Délhi, com a presença de lideranças empresariais dos dois países. Representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o presidente executivo do Sifaeg/Sifaçúcar e presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha (foto), destacou o papel da cooperação bilateral na expansão global dos biocombustíveis.
Rocha integrou a missão oficial que acompanha a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, representando o presidente da CNI, Ricardo Alban. Em seu discurso na abertura do Fórum, o executivo lembrou que a Índia se consolidou como o quinto maior parceiro comercial do Brasil e o segundo na Ásia, atrás apenas da China. A corrente de comércio entre os dois países praticamente triplicou na última década, saltando de US$ 5,6 bilhões em 2016 para US$ 15,2 bilhões em 2025.
Apesar do avanço, o dirigente ressaltou que o acordo preferencial entre Mercosul e Índia ainda cobre apenas 16,8% do comércio bilateral, o que revela amplo espaço para expansão das trocas, especialmente em setores estratégicos como o de energia renovável.
Bioenergia: parceria que virou política de Estado
Ao avaliar os cenários específicos do setor de bioenergia, André Rocha destaca o início das tratativas que aproximaram Brasil e Índia na agenda do etanol combustível. Há cerca de dez anos, lideranças brasileiras iniciaram diálogo com autoridades indianas para apoiar a implementação da mistura de etanol à gasolina no país asiático.
Naquele momento, a Índia começava com um percentual de apenas 2% de mistura. Em menos de uma década, alcançou quase 20%, antecipando metas inicialmente previstas para um horizonte mais longo. O avanço é considerado expressivo, especialmente diante do cenário energético indiano, marcado pela forte dependência de petróleo importado — cerca de 80% do consumo — e pelo uso intensivo de combustíveis fósseis como carvão.
Segundo Rocha, a adoção do etanol contribuiu para melhorar a qualidade dos combustíveis e reduzir a poluição urbana, além de fortalecer a segurança energética do país. Ele também destacou a atuação conjunta de entidades brasileiras no apoio técnico e estratégico à transição energética indiana.
Aliança global e compromisso climático
"Brasil e Índia integram a Aliança Mundial de Biocombustíveis e são signatários de compromissos internacionais para ampliar o uso de energias renováveis no setor de transportes. Entre as metas assumidas está a ampliação em quatro vezes da utilização de biocombustíveis, com foco na redução da pegada de carbono", lembra André Rocha
Ele comenta ainda que a cooperação entre os dois países avança não apenas no transporte terrestre, mas também em novas frentes, como combustíveis sustentáveis para aviação e navegação marítima — segmentos considerados estratégicos para a descarbonização global. Para o dirigente, o fortalecimento da parceria consolida uma agenda comum baseada em inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico. "O avanço dos biocombustíveis na Índia e no Brasil demonstra que é possível crescer reduzindo emissões e promovendo qualidade de vida nas cidades", afirma.
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