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Brasil terá navio para pesquisa de ponta na área de hidroceanografia

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Marinha do Brasil anunciaram na última terça-feira (23) a aquisição do navio de pesquisas hidroceanográfico que vai ampliar a presença da ciência brasileira no Atl&ac

Redação/ SBPC
26/07/2013 14:45
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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Marinha do Brasil anunciaram na última terça-feira (23) a aquisição do navio de pesquisas hidroceanográfico que vai ampliar a presença da ciência brasileira no Atlântico Sul e Tropical.
 
 
A embarcação integra o projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Oceanográficas e Hidroviárias (Inpoh), que prevê uma série de ações de interesse nacional em áreas específicas do conhecimento, como a conservação da biodiversidade marinha, a melhoria de processos associados à pesca, aquicultura e maricultura, bioprospecção, proteção e adaptação de zonas costeiras para as mudanças climáticas, realização de estudos sobre vias fluviais, hidráulica fluvial e portuária, além de formação de recursos humanos na área de hidroceanografia.
 
 
A compra, no valor de R$ 162 milhões, é resultado de um acordo de cooperação entre o MCTI, o Ministério da Defesa/Marinha do Brasil, a Petrobras e a empresa Vale. “Estamos concretizando uma demanda antiga da comunidade científica, que culminará em um grande avanço para as pesquisas oceanográficas e para o uso sustentável dos nossos recursos marítimos e fluviais”, disse o ministro Marco Antonio Raupp.
 
 
De acordo com o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha, almirante Wilson Guerra, o navio está sendo construído na China, que detém a expertise em embarcações do tipo offshore (com capacidade para navegar em alto mar). A previsão é a de que o projeto esteja concluído até o segundo semestre de 2014.
 
 
O anúncio foi feito durante a 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre até sexta-feira (26), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife.

 
Pesquisa de ponta
 
 
Segundo a coordenadora para Mar e Antártica do MCTI, Janice Trotte, a embarcação terá capacidade para 146 tripulantes, dos quais 60 pesquisadores, e irá contribuir para o progresso de pesquisas nas áreas de química, geologia, biologia e física marinha.

 
O navio será equipado com o que há de mais avançado em termos de tecnologia, o que permitirá o acesso à parte geológica e biológica para experimentações e retirada de amostras.
 
 
Um dos equipamentos presentes na embarcação é o veículo de operação remota (ROV, na sigla em inglês), que irá operar a uma profundidade de 4 mil metros. “Quando pensamos nos recursos que podemos extrair do mar, temos em mente apenas o petróleo. Mas há uma riqueza marítima imensa, como metais, minas e polimetálicos, que têm muito valor e diversas aplicabilidades”, observou o almirante Guerra. “Além disso, há milhares de seres vivos dos quais podemos extrair enzimas que podem usadas, por exemplo, na produção de fármacos. Estamos falando de uma riqueza imensa, de uma serie de produtos que podem ser revertidos em benefício da sociedade”.

 
A França, o Japão, a China e a Rússia são alguns dos países que possuem navios equipados com alta tecnologia, destinados a essa finalidade. “Certamente, essa aquisição poderá alçar o Brasil ao nível das pesquisas realizadas nesses lugares”, avaliou Guerra.

 
O Inpoh
 
 
De acordo com o ministro Raupp, o Inpoh é resultado de uma “intensa articulação” entre o MCTI, a Marinha do Brasil, o Ministério da Pesca e Aquicultura e a Secretaria de Portos da Presidência da República. “Além de contar com previsão orçamentária para entrar em operação, o instituto tem total apoio da comunidade científica e das universidades brasileiras”.

 
O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre, acrescentou que a instituição agregará as atividades de hidroceanografia desenvolvidas no país, além de criar novas oportunidades para os cientistas e a pesquisa nacional. “O Inpoh vai coordenar, integrar, harmonizar, cobrir lacunas e avançar nas pesquisas realizadas nessas áreas”.

 
O instituto irá operar como organização social (OS). O diretor interino é Serge Estefen, também diretor de Tecnologia e Inovação do Instituto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ).

 
Segundo a coordenadora para Mar e Antártica do MCTI, Janice Trotte, a criação do Inpoh capacitará o Brasil a ter coparticipação nas tomadas de decisão em fóruns globais sobre os oceanos, garantindo, por meio do conhecimento gerado, a conservação e o uso sustentável dos bens e serviços dos recursos hídricos nacionais.
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