Fenasucro

Brasil terá que produzir 1,1 bilhão de litros de combustível sustentável (SAF) até 2037, diz Firjan

Conforme a Federação das Indústrias do Estado do Rio Janeiro, o volume é necessário para o país para atingir a meta de 10% de redução de emissões de GEE em voos domésticos. Estudo será lançado nesta quarta-feira (13/8) no Congresso Fenabio, espaço de conferência da 31ª edição da Fenasucro & Agrocana, em Sertãozinho, interior de São Paulo.

Redação TN Petróleo/Assessoria Firjan
12/08/2025 14:42
Brasil terá que produzir 1,1 bilhão de litros de combustível sustentável (SAF) até 2037, diz Firjan Imagem: Divulgação Visualizações: 1235

Para atender as metas de descarbonização previstas no marco legal do Combustível do Futuro, o Brasil terá que produzir 1,1 bilhão de litros de combustíveis sustentáveis (SAF) até 2037. Esse é o volume de consumo de SAF necessário para atingir a meta de 10% de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) somente nos voos domésticos nacionais. 

Os cálculos de produção do biocombustível constam da nota técnica "Panorama dos Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF)", produzida pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e que será lançada nesta quarta-feira (13/8) no Congresso Fenabio, espaço de conferência da 31ª edição da Fenasucro & Agrocana, principal feira global do setor sucroenergético que ocorre em Sertãozinho, interior de São Paulo.

Tratados internacionais do setor de aviação civil ainda ampliarão a demanda de produção desse biocombustível que será misturado majoritariamente ao querosene de aviação derivado do petróleo. Hoje, país possui apenas seis projetos para produção de SAF.

O levantamento da Firjan tem como base as projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para o consumo de combustíveis sustentáveis na aviação doméstica. As projeções apontam para o volume anual, a partir de 2027, a ser demandado para atender os voos domésticos conforme estabelecido pela Lei nº 14.993/24, conhecida como "Lei do Combustível do Futuro".

A nota técnica "Panorama dos Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF)" pode ser baixada na plataforma Observatório Firjan no link

https://observatorio.firjan.com.br/inteligencia-competitiva/panorama-dos-combustiveis-sustentaveis-de-aviacao-saf

O cronograma visa uma adoção gradual do SAF, que será misturado aos demais combustíveis tradicionais de aviação, incentivando investimentos em novas tecnologias e na capacidade produtiva nacional. Pelo calendário, em 2027 e 2028, é previsto a redução mínima de 1% nas emissões. Para atingir o percentual nestes dois anos serão necessários a disponibilidade de 83 milhões e 153 milhões de litros de SAF, respectivamente, para os voos domésticos. A partir disso, a redução de emissões crescerá 1% a cada ano até atingir os 10% em 2037.

Percentual anual mínimo de redução das emissões e projeção de consumo de SAF:

Conforme a Firjan, usando a projeção de consumo de querosene de aviação em 2027 e o histórico de vendas internas de combustível de aviação, o percentual de mistura de SAF para voos domésticos será de aproximadamente 1,7% em volume, a depender da intensidade de carbono da rota de produção escolhida. Em termos de comparação, o biodiesel começou com 2% obrigatórios em 2008, chegando a 15% este ano.

"O Brasil, com sua experiência na produção de biocombustíveis e a alta disponibilidade de matérias-primas renováveis, possui um grande potencial para assumir a liderança desse mercado de SAF e contribuir também nessa frente para uma economia global de baixo carbono. O Rio de Janeiro, como um dos principais hubs logísticos e aeroportuários do país, tem papel estratégico na consolidação do SAF no país", argumenta o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.

Já a gerente geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da federação, Karine Fragoso, alerta também quanto a necessidade de produção e fornecimento de combustível SAF até 2027 no Brasil. "Apesar de ainda não haver capacidade produtiva instalada no país para produção de SAF, o Brasil é líder em biocombustíveis e tem abundância em matéria-prima renovável que pode ser utilizada em plantas de produção no futuro. Precisamos avançar de forma coordenada para superarmos potenciais gargalos, preparando o país para produzir combustível de baixa emissão de forma sustentável e atendendo à legislação em vigor", aponta.

Neste ano começou uma operação de fornecimento de SAF importado no aeroporto do Galeão. Essa ação representa um passo inicial para o abatimento de carbono nos voos abastecidos nos aeroportos do estado fluminense. "Os projetos já anunciados reforçam o potencial do Rio em se tornar um polo de produção e distribuição desses combustíveis, agregando ainda mais diversidade energética no estado", acrescenta Karine.

Seis projetos no país

O levantamento da federação aponta ainda seis projetos em andamento para a produção de SAF no país, a partir de óleos vegetais. No Rio de Janeiro, empreendimentos estão em fase de estudo ou desenvolvimento, indicando um potencial para agregar a capacidade produtiva nacional de SAF. No estado fluminense, estes projetos são liderados pela Petrobras:

1 - Complexo de Energias Boaventura – investimento em planta de biorrefino em Itaboraí, em área contígua onde já está estabelecida a operação do projeto integrado Rota 3, para produção de combustíveis sustentáveis;

2 - Expansão da REDUC – na refinaria de Duque de Caxias estão sendo conduzidos testes de coprocessamento de QAV (querosene de aviação) com 1% de conteúdo renovável, com previsão de introdução comercial em 2025.

Em mais três estados existem projetos confirmados, que devem totalizar uma capacidade de produção futura de aproximadamente 1,1 bilhão de litros de SAF por ano:

3 - Zona Franca de Manaus (AM) – a empresa Brasil BioFuels (BBF) está desenvolvendo uma biorrefinaria, com capacidade produtiva de 500 milhões de litros anuais de SAF e diesel verde (HVO), a partir de óleos de palma, soja e milho como matérias-primas. O início da operação está previsto para 2026;

4 - Refinaria de Mataripe (BA) - A Acelen Renováveis planeja construir uma biorrefinaria anexa à Refinaria de Mataripe, com previsão de início das operações em 2028. O empreendimento prevê capacidade para produzir 1 bilhão de litros por ano de diesel verde (HVO) e SAF. A empresa aposta na diversificação das matérias-primas usadas, com foco especial na macaúba, uma palmeira nativa do Brasil que pode ser uma alternativa sustentável ao óleo de soja;

5 - Refinaria Presidente Bernardes (SP) - a Petrobras estuda produzir SAF e diesel verde em uma nova unidade a ser instalada em Cubatão (SP). Com previsão para 2029, a planta terá uma capacidade de produção estimada em 350 milhões de litros de combustível sustentável por ano. A principal matéria-prima será uma mistura de 70% de óleo de soja e 30% de sebo bovino;

6 - Refinaria de Paulínia (SP) - a Petrobras prepara uma planta de SAF a partir do etanol – rota alcohol to jet (ATJ) – com capacidade projetada de produzir 10 mil barris de SAF por dia, consumindo de 3 milhões a 4 milhões de litros de álcool por dia.

A nota técnica "Panorama dos Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF) pode ser baixada na plataforma Observatório Firjan no link

https://observatorio.firjan.com.br/inteligencia-competitiva/panorama-dos-combustiveis-sustentaveis-de-aviacao-saf

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