Biocombustíveis

Brasil vai promover megaevento sobre setor

Gazeta Mercantil
09/10/2008 04:31
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer mostrar aos estrangeiros os benefícios dos biocombustíveis do Brasil e fixar a imagem de que a produção nacional do etanol e biodiesel é sustentável. Essa é uma resposta às críticas internacionais de que o combustível causa desmatamento e reduz a oferta de alimentos. Por essa razão, o Palácio do Planalto organizará em São Paulo, entre os dias 17 e 20 de novembro, um mega evento sobre o setor, que consumirá cerca de R$ 2 milhões.

 

O presidente Lula pediu para convidar cerca de 80 ministros estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos e União Européia, que já lidam com a tecnologia dos biocombustíveis - além da imprensa internacional e empresas estrangeiras do ramo. Apesar de o evento ser em nível ministerial, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deve ser o protagonista, em meio a crise financeira internacional. Segundo o Itamaraty "há indicações fortes de que ele venha". Embora Bush tenha sido muito criticado por Lula, recentemente, por conta da crise, Bush prometeu vir ao Brasil se despedir do presidente Lula em seu último ano de governo nos Estados Unidos - de onde também partiram críticas contra o etanol brasileiro.

 

Segundo fontes do governo, Lula pediu para a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) organizar a "1ª Exposição Internacional Sobre Biocombustíveis" para esclarecer dúvidas sobre os biocombustíveis brasileiros. Foi criado um comitê-executivo para organizar o evento entre vários ministérios, inclusive a Casa Civil, que está organizado a "Conferência Internacional sobre Biocombustíveis", que permitirá a discussão sobre o tema.

 

Evento com 2,5 mil pessoas

 

O governo espera que o evento atraia 2,5 mil conferencistas entre brasileiros e estrangeiros. A Apex-Brasil elencou seis principais objetivos do evento. Mobilizar formadores de opinião internacionais; defender a sustentabilidade dos biocombustíveis brasileiro; e promover diálogo mais equilibrado sobre a sustentabilidade dos biocombustíveis. Acrescenta-se a idéia de estimular o uso do modelo brasileiro de biocombustíveis por outros países; e a de explorar o interesse das autoridades internacionais com apoio brasileiro para aperfeiçoar modelo de biocombustíveis. Além de "encorajar" o contato e a troca de informações entre representantes brasileiros do setor e participantes estrangeiros.

 

Sustentável e eficiente

 

"Essa é uma oportunidade de os estrangeiros virem ao Brasil e saber que a produção de biocombustíveis do Brasil é sustentável e eficiente", disse o presidente da Apex, Alessandro Teixeira. Segundo ele, a produção nacional de biocombustíveis é sustentável, porque usa apenas as culturas não destinadas a alimentação, como pinhão-manso e cana-de-açúcar, a principal matéria-prima do Brasil utilizada para a produção de etanol, além de cultivares para biomassa (restos de produtos agrícolas e florestais para a produção de energia renovável). Nos Estados Unidos, o milho é a principal matéria-prima usada para a produção do combustível.

 

O governo vai aproveitar o evento para disseminar o uso da tecnologia flex fuel desenvolvida no Brasil que permite um único automóvel ser abastecido tanto com álcool como com gasolina, fator já consolidado na indústria automobilística brasileira. Hoje 90% dos automóveis fabricados no Brasil contam com tal tecnologia.

 

Conforme Teixeira, muitas pessoas estrangeiras desconhecem a tecnologia flex fuel desenvolvida no Brasil. "São vários pontos que vamos demonstrar durante o evento e mostrar a nossa diferença em sustentabilidade na produção dos biocombustíveis", disse.

 

O Brasil quer aumentar a participação das exportações de biocombustíveis e da tecnologia que produz o combustível, como máquinas e equipamentos.

 

O Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla) que apoia a Apex informa que 40 empresas do setor, incluindo entidades, vão apresentar as últimas tecnologias para a produção de biocombustíveis no evento. Também estima que o setor nacional de álcool e etanol movimenta R$ 40 bilhões anuais.

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