Adiamento

Braskem retarda seus projetos na Venezuela

Valor Econômico
07/08/2009 03:47
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A Braskem, controlada pelo grupo Odebrecht, decidiu retardar por um a dois anos seus projetos internacionais de investimentos que faz com a Pequiven, empresa ligada ao governo da Venezuela. “Estamos deliberadamente deixando de acelerar os projetos na Venezuela para permitir uma melhor negociação do pacote financeiro e da compra da equipamentos”, disse o vice-presidente da Braskem, Roberto Ramos. Com isso, a petroquímica espera combinar o início da operação das fábricas com o ciclo de alta do setor esperado por especialistas para meados da próxima década.

 


O novo cronograma estabelece que a fábrica da Propilsur, nome da joint venture que produzirá 455 mil toneladas de polipropileno, resina utilizada na produção de auto-peças plásticas e sacos industriais, começará a operar em 2013. O plano original era no fim de 2011. A Poliamérica, que produzirá 1,3 milhão de toneladas de polietileno, usado em embalagens em geral, será inaugurada em 2014, dois anos depois do previsto.

 

A decisão da Braskem, tomada em conjunto com a Pequiven, leva em conta o novo cenário pós-crise. A indústria petroquímica mundial se preparou para uma forte rodada de abertura de fábricas quando a crise acabou derrubando a demanda mundial por inúmeras mercadorias produzidas em plástico, ampliando a oferta de produtos. “Os nossos projetos estão sobrevivendo a toda a essa confusão mundial”, disse Ramos, citando exemplos de polos da Saudi Arabia, Dow Chemical e Sumitomo que foram suspensos e cancelados no Oriente Médio.

 

Mesmo assim, Roberto Ramos calcula que o setor enfrentará excesso de oferta nos próximos anos antes da Braskem pôr em marcha suas novas capacidades na Venezuela. Apesar do fechamento estimado de 2 milhões de toneladas de capacidades de produção de eteno – um petroquímico básico – nos EUA, Europa e Japão, por falta de competitividade, as empresas químicas estão abrindo 12 milhões de toneladas entre 2009 e 2010 no Irã, Arábia Saudita, Qatar, China e Índia, ampliando a oferta em 10% da capacidade nominal do setor no mundo, informou. “Em cinco anos, o aumento na demanda terá consumido toda essa produção”, aposta.

 

A intenção da Braskem também é reduzir os valores inicialmente previstos para os investimentos na Venezuela, que somam, conjuntamente, mais de US$ 4,5 bilhões. “O número anterior estava refletindo uma situação de aquecimento do mercado”, disse. O investimento da Propilsur era de US$ 1,2 bilhão, mas a intenção é alcançar até junho de 2010 um valor abaixo de US$ 1 bilhão, afirmou. A empresa está concluindo o desenho da engenharia básica do projeto e avalia com a Construtora Norberto Odebrecht, Tecnimont e Shaw Stone & Webster o plano de engenharia, compra e construção (EPC, na sigla em inglês). A construção começaria na metade do segundo semestre de 2010. No caso da Poliamérica, as tecnologias das três unidades da fábricas de polietileno foram selecionadas, e as negociações para a unidade de craqueamento estão em curso.

 

Do lado financeiro, a proporção do investimento de 30% de capital próprio e 70% de recursos contraídos com instituições multilaterais e agências de pré-pagamento de exportação foi mantida. Mas Ramos afirma que a demanda nestas instituições cresceu enormemente em função da crise econômica. “A fila à frente das agências de crédito japonesas é grande.”

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