Retomada

Cadeia petroquímica do país vive rota de expansão

Valor Econômico
18/08/2010 10:09
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Depois de um 2009 difícil, com baixa demanda global, como consequência da retração econômica, a cadeia petroquímica brasileira deu forte sinal de retomada nos primeiros meses deste ano. Puxadas pelo bom desempenho dos setores automobilístico, infraestrutura e construção civil, as indústrias da chamada terceira geração vivem um forte movimento de expansão.

A economia brasileira deverá crescer em 2011 e 2012 cerca de 5,1% e 4,6%, respectivamente, segundo a consultoria Lafis. O aquecimento contribuirá para a aceleração dos investimentos em diversos segmentos da economia, e como o setor químico e petroquímico é uma das indústrias de base, sua expansão poderá ser uma consequência do melhor desempenho do PIB, o que deverá estimular o consumo de insumos químicos e seus derivados bos próximos dois anos.

Com o pico de preços este ano de US$ 752 a tonelada em abril (o valor histórico é de julho de 2008, quando chegou a US$ 997, e o menor em novembro do mesmo ano, com US$ 238), os preços da nafta (principal matéria-prima petroquímica) voltaram a se recuperar a partir deste mês, a uma média de US$ 640 e US$ 650 a tonelada, a expectativa é de que as cotações se estabilizem nesses atuais patamares, acreditam analistas ouvidos pelo Valor.

Para este ano, as estimativas indicam que o câmbio deverá apresentar valorização média sobre o ano anterior de 10,5%, alcançando a média de R$ 1,79 por dólar, de acordo com a Lafis. Essa taxa de câmbio poderá fazer com que as exportações encontrem mais dificuldade de competitividade.

"Apesar da retração econômica global, os países estão voltando aos poucos ao consumo", observa Lucas Brandley, analista da Geração Futuro. "Não vislumbramos grande expansão nos próximos dois anos, mas há uma retomada da demanda", lembra Osmar Sanches, analista da Lafis.

Entre janeiro e maio, o índice de produção de químicos de uso industrial apresentou crescimento de 13,1% e o de vendas, 10,9% ante o mesmo período em 2009, como reflexo da recuperação do mercado interno, e por uma base fraca de comparação em 2009.

O consumo de insumos químicos e seus derivados responderão positivamente, em 2011 e 2012, à continuidade da expansão industrial que deverá ocorrer nos próximos anos. A expectativa é de evolução do PIB industrial de 6,7% e 6,5%, respectivamente, segundo a Lafis.

No Brasil, o setor petroquímico está se reestruturando em um número menor de grupos com maior escala e grau de verticalização. Foi o caso da Braskem, que neste ano anunciou a incorporação da Quattor e a aquisição da Sunoco, nos Estados Unidos, ampliando seu processo de internacionalização, o que permitiu à companhia maior competitividade e ganhos de escala na produção. A empresa deverá definir nos próximos meses sua participação nos projetos do Comperj e Suape, em parceria com a Petrobras. A fusão entre Quattor e Brasken criou um monopólio no setor. Analistas temem que a petroquímica comece a pressionar os preços para baixo, o que pode provocar a saída de empresas com menor escala do mercado.

O aumento do consumo de alguns combustíveis no país, como óleo diesel e querosene de aviação, fez com que a Petrobras revisse o projeto Comperj. A estatal aprovou a duplicação do complexo que terá duas e não mais apenas uma refinaria e produzirá, além de matérias-primas para a indústria de plásticos, combustíveis. Sua capacidade passará de 150 mil barris diários de petróleo pesado para 330 mil barris diários.

Analistas acreditam que o mercado deverá ser favorável à oferta bilionária de ações da Petrobras, que poderá ser uma das maiores no mercado internacional, estimando o valor para a capitalização da estatal fique entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões.

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