Energia

Cemig compra a Terna por R$ 2,3 bi

O Estado de S. Paulo
24/04/2009 04:24
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A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) anunciou ontem ter fechado um acordo com o grupo italiano Terna - Rete Elettrica Nazionale S.p.A. para a compra de 65,86% da Terna Participações S.A, holding que atua no segmento de transmissão de energia, com presença em 11 Estados. O valor do negócio é de R$ 2,33 bilhões. A holding controla um total de seis empresas que, juntas, contam com mais de 3,75 mil quilômetros de linhas de transmissão.

 


A Cemig, que é controlada pelo governo de Minas Gerais, informou que, com a aquisição, aumentará sua participação de mercado na área de transmissão de energia elétrica brasileiro dos atuais 5,4% para 12,6%. A rede de transmissão da companhia será ampliada em 63%, atingindo 8,643 mil quilômetros. Ainda segundo a empresa, o segmento de transmissão passará a representar aproximadamente 17,6% do Ebitda (geração de caixa) consolidado da Cemig, contra uma participação de 6,6% baseado em valores de 2008.

 


De acordo com a Cemig, o fechamento da transação deverá ocorrer em 30 de setembro, dependendo das aprovações regulatórias e de credores. Adicionalmente, a Cemig também pretende, em data a ser anunciada, fazer uma oferta pública (OPA) para a aquisição das ações da Terna Participações de propriedade dos acionistas minoritários, a preços correspondentes a 100% do preço pago à Terna S.p.A. As estimativas são de que os desembolsos adicionais chegarão a R$ 1,207 bilhão. Nesse caso, o valor do negócio subiria a R$ 3,54 bilhões.

 


No comunicado enviado ao mercado, a Cemig disse que a operação “vai ao encontro do critério de lucratividade da empresa, levando em conta estimativas de consenso de mercado, em linha com transações precedentes no mercado brasileiro de transmissão”. A empresa diz ainda que a transação está “perfeitamente alinhada” com a sua estratégia de aumentar sua participação de mercado em todos os segmentos do setor de energia elétrica, “sempre procurando retornos compatíveis com as características de cada linha de negócio”.

 


Essa foi a segunda aquisição anunciada pela companhia neste ano, após o anúncio de investimentos de R$ 213 milhões na aquisição de três usinas eólicas no Ceará, cuja entrada em operação deverá ocorrer nos próximos meses. Em 2008, a Cemig ampliou a participação na Transmissoras Brasileiras de Energia (TBE), que reúne cinco empresas de transmissão.

 


SEM EXPANSÃO

 


A venda da Terna Participações pela controladora italiana confirmou a intenção manifestada pelo presidente executivo da companhia, Flavio Cattaneo, em fevereiro deste ano. Na ocasião, Cattaneo disse que a Terna não considerava expandir suas operações no Brasil e admitia vender os ativos, desde que o preço fosse interessante. O apetite dos italianos pelo mercado brasileiro foi reduzido pelas baixas taxas de retorno dos novos projetos de transmissão, tendo em vista a forte competição dos leilões do governo.

 


A Terna Participações abriu seu capital na Bovespa ao final de 2006 e, desde então, desenvolveu uma estratégia agressivas de aquisições no País. Os problemas da companhia surgiram com o agravamento da crise econômica internacional. Ao final de 2008, a dívida de curto prazo da empresa totalizava R$ 639,9 milhões, dos quais R$ 520 milhões venciam em maio deste ano. Em 31 de dezembro de 2008, a disponibilidade de caixa da transmissora era de R$ 300,9 milhões. A dificuldade de captar recursos em função do cenário adverso no mercado de crédito levou a companhia a distribuir apenas 50% do lucro líquido de 2008 para os acionistas, o mínimo previsto na política de dividendos da companhia.

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