Investimento

China busca ativos de energia e mineração

Valor Econômico
17/08/2009 03:29
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Perturbada pelo fracasso em investir na Rio Tinto e na Unocal, a China vai aumentar seus gastos em aquisições nas áreas de petróleo e mineração em pelo menos 50% este ano, para se beneficiar da queda das avaliações provocada pela recente baixa das commodities.

 

A estatal chinesa Yanzhou Coal Mining fechou na semana passada a compra da australiana Felix Resources por cerca de US$ 2,9 bilhões, um dia depois de a Sinochem, a maior trading chinesa de produtos químicos, ter proposto a compra da britânica Emerald Energy por US$ 881 milhões, para garantir acesso aos seus campos de petróleo na Síria e na Colômbia.

 

O plano da China National Petroleum Corp. (CNPC) de comprar a subsidiária argentina da Repsol YPF deverá puxar as aquisições chinesas de ativos estrangeiros em commodities para US$ 43 bilhões este ano, o que seria uma alta de 48% em relação a 2008, segundo dados reunidos pela Bloomberg.

 

"Os chineses não têm níquel suficiente, não têm petróleo suficiente e não têm cobre suficiente", disse Jim Rogers, presidente do conselho da Rogers Holdings. "Há uma crise por vir. Os chineses vão correr o mundo comprando o que puderem. Estão se preparando para os tempos de vacas magras."

 

Propostas de aquisição de empresas de recursos naturais pela China, cujos US$ 2,1 trilhões em recursos representam as maiores reservas cambiais do mundo, têm enfrentado oposição dos EUA e da Austrália. Nem a preocupação com a crescente influência do país e a prisão de quatro executivos do Rio Tinto em Xangai impediram as empresas chinesas de comprar ativos no exterior, num momento em que o pacote de incentivo à economia, de 4 trilhões de iuan (US$ 585 bilhões), adotado pelo governo chinês, estimula a demanda.

 

"A China terá negócios maiores e mais arrojados", disse Brian Gu, diretor de fusões e aquisições para a Grande China do JPMorgan Chase, terceira maior assessoria por valor de transações este ano. "A atividade crescente de fusões e aquisições no exterior é tendência de longo prazo e seu volume e grau de movimentação vieram para ficar."

 

O Índice Reuters/Jefferies CRB, que monitora 19 matérias-primas, caiu 36% nos últimos 12 meses, sua maior queda anual desde pelo menos 1957. Mas subiu 15% este ano, puxado por sinais de que a recessão pode estar chegando ao fim.

 

As empresas de produtos energéticos da China gastaram pelo menos US$ 13 bilhões em ativos externos desde dezembro do ano passado, beneficiando-se da queda das avaliações gerada pelo desaquecimento da economia.

 

As estatais PetroChina, China Petroleum & Chemical Corp. e a Cnooc estão estudando investimentos em empresas de África, América Latina, Oriente Médio e Ásia Central, segundo Gu, do JPMorgan, e Mike Arruda, advogado da Jones Day de Hong Kong, que assessora em fusões e aquisições no setor de petróleo e gás. Ambos preferiram não fornecer detalhes dos negócios que estão examinando como consultores.

 

A China National Petroleum, a mantenedora da PetroChina, está examinando a possibilidade de oferecer de US$ 13 bilhões a US$ 14,5 bilhões por uma participação controladora na divisão da Repsol, disseram no mês passado três pessoas familiarizadas com a questão.

 

A China Petrochemical, a segunda maior petrolífera do país, concordou em junho em comprar a Addax Petroleum, sediada em Genebra, na Suíça, por US$ 7,6 bilhões, na maior aquisição externa chinesa de todos os tempos.

 

A compra da Addax, que possui reservas petrolíferas no território curdo do Iraque, mostra que as petroleiras chinesas "estão partindo para transações maiores", disse Arruda, que assessora em negócios descritos por ele como aquisições "significativas". "Esses negócios parecem refletir um apetite que nunca vimos até agora."

 

O consumo de petróleo pela China duplicou nos últimos 10 anos, passando de 4,2 milhões/dia de barris de 1998 para 8 milhões de barris no ano passado, segundo o relatório Statistical Review, da BP. O país, a terceira maior economia do mundo, importou 3,6 milhões de barris de petróleo ao dia no ano passado, para cobrir cerca de 45% de suas necessidades.

 

As ofertas chinesas por empresas de recursos naturais esbarraram na oposição dos parlamentares australianos. O Rio Tinto, sediado em Melbourne, a terceira maior mineradora do mundo, abandonou uma aliança com a Aluminum Corp. of China (Chinalco) em junho. A prisão de quatro executivos do Rio Tinto em julho abalou a relação entre os dois países.

 

Eles foram formalmente detidos por acusações de roubo de segredos comerciais e pagamento de propina, disse a Procuradoria chinesa em 11 de agosto, segundo a agência de notícias Xinhua.

 

Cerca de 57% dos australianos disseram que se deveria resistir aos investimentos chineses no setor de mineração porque os interesses da Austrália seriam "mais bem atendidos" com a manutenção do controle nacional, segundo pesquisa realizada pela Essential Research em abril entre 890 pessoas.

 

A oposição aos investimentos chineses contribuiu para barrar a proposta de US$ 18,5 bilhões apresentada pela Cnooc em 2005 pela Unocal, e a chinesa Haier Group perdeu a corrida para comprar a fabricante americana de eletrodomésticos Maytag, no mesmo ano.

 

A Cnooc, com 66% de seu capital controlado pela estatal China National Offshore Oil Corp., abandonou sua proposta de compra em dinheiro da Unocal, sediada no Estado americano da Califórnia, depois de ter sido driblada pela Chevron, a segunda maior petrolífera americana. A Chevron comprou a Unocal, produtora de petróleo e gás, por US$ 17,8 bilhões, em meio à oposição política despertada em Washington pelo interesse chinês.

 

Já uma possível oferta da CNPC pela compra da subsidiária argentina da Repsol não deverá enfrentar esses obstáculos por parte da Espanha, segundo Nitin Sharma, analista do JPMorgan Cazenove. de Londres. "Achamos que o governo espanhol não vai vetar os planos da Repsol YPF de alienar uma participação controladora na YPF", escreveu Sharma em relatório divulgado no mês passado.

 

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