Gás natural

Comgás e Petrobras travam embate por vendas em São Paulo

Valor Econômico
24/06/2005 00:00
Visualizações: 683

A Petrobras e a Comgás travam uma disputa em torno do sistema de fornecimento de gás em São Paulo. A briga envolve dois grandes consumidores: Petroquímica União (PQU) e a White Martins. A Petrobras acertou recentemente acordos de venda diretamente à PQU e ao consórcio Gemini, formado pela White Martins (60%) e pela Gaspetro (40%), companhia subsidiária da Petrobras.
Como o consórcio Gemini e a PQU estão localizados na área de concessão da Comgás, a distribuidora paulista sente-se lesada. A Comgás já notificou o consórcio Gemini e a PQU de que terá de ser intermediária nesta transação. Além de ter notificado as empresas, a Comgás já enviou reclamação à Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda, e à Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Segundo o diretor de marketing industrial da Comgás, André Araújo, a empresa tem o direito do monopólio da venda de gás em sua área de distribuição até 2011 assegurado no contrato de concessão.
No caso do contrato fechado entre a Petrobras e o consórcio liderado pela White Martins, a distribuidora alega que deve ser intermediária no processo. O Gemini é um investimento de pouco mais de R$ 100 milhões, que prevê o abastecimento de gás natural liquefeito (GNL) por meio de tanques transportados em caminhões nos Estados de São Paulo, Paraná, Goiás e Brasília. O objetivo é fornecer a indústrias ainda sem acesso ao gás canalizado.
Marcelo Menicucci, diretor de planejamento integrado de gás e energia da Comgás, afirma que a empresa não quer interferir na distribuição do gás liquefeito. "Se eles colocam o GNL em caminhões e levam, não é da nossa conta. Mas o consórcio recebe esse gás por gasoduto da Petrobras. E necessariamente esse gás tinha que passar pela Comgás. Nós temos a legislação do nosso lado", afirma o executivo.
Mas a Petrobras não interpreta a lei dessa forma. No entendimento da estatal, segundo fonte próxima às negociações que prefere não ser identificada, o duto que fornecerá à White Martins não se caracteriza como uma rede de distribuição, mas de transporte. "A Petrobras já recebeu outorga da ANP para a construção desse gasoduto que foi considerado como transporte de alta pressão", disse a fonte. Esse gasoduto está sendo construído pela TBG, subsidiária da Petrobras que controla o Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol)
Já no caso da PQU, o embate é um pouco mais complexo. A Petrobras alega que não cabe interferência da Comgás porque não se trata de gás natural, mas sim gás de refino produzido pelas suas pelas refinarias Revap (São José dos Campos) e Recap (localizada em Capuava, na região da Grande São Paulo), ambas da estatal, que será levado à PQU.
No fim do ano passado, a Petrobras assinou com a PQU contrato para fornecer 1 milhão de metros cúbicos diários de gás de refinaria a partir de 2007. A Petrobras não informou os valores envolvidos no contrato de venda desse gás .
O produto será empregado pela PQU como matéria-prima para a produção de petroquímicos básicos, no Pólo de Capuava. Para receber e processar o gás, o grupo petroquímico vai investir US$ 300 milhões nesse processo. Desse montante, US$ 118 milhões destinam-se à infra-estrutura e à modernização da planta da PQU em Capuava. Mais US$ 140 milhões serão investidos na unidade de polietileno da empresa.
Outros US$ 36 milhões serão aplicados em um gasoduto de 105 km, necessário para transportar o gás das refinarias da Petrobras até a central petroquímica da PqU.
A Comgás acredita que tanto a construção como a operação deste gasoduto são de sua responsabilidade. A idéia, neste caso, é ganhar cobrando um pedágio pelo transporte, que será de propriedade da distribuidora paulista de gás.
"Existe uma portaria da CSPE (Comissão de Serviços Públicos de Energia), a de número 160, que define a operação da Comgás responsável por qualquer combustível em estado gasoso distribuído na sua área de concessão", afirma Menicucci.
A Petrobras classifica o gasoduto entre suas refinarias e a PQU como "duto de transferência", que não é da "alçada da Comgás".
Para o especialista na área energética e diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE), Adriano Pires, a Comgás tem a razão nas questões. "Estava embutido no preço que os controladores pagaram no leilão da Comgás, em 1999, o direito à exclusividade por 12 anos. Isso não pode ser violado".
White Martins e PQU preferiram não falar sobre o assunto.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Energia Elétrica
Demanda por energia elétrica cai quase 11% nos jogos do ...
26/06/26
FPSO
MODEC e Eld Energy assinam Memorando de Entendimento par...
26/06/26
Biometano
Com apoio da ABiogás e da SEMIL, USP inaugura usina de e...
26/06/26
Rio de Janeiro
PIB do estado do Rio cresce 4,2%, puxado pelo desempenho...
26/06/26
Gás Natural
Naturgy investe R$ 4,7 milhões em infraestrutura de gás ...
26/06/26
GNL
Gás natural: aprovada resolução sobre acesso aos termina...
26/06/26
Fertilizantes
Petrobras assina contratos para retomada das obras da UF...
26/06/26
Acordo
Acelen Renováveis e Trafigura assinam acordo estratégico...
26/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: arena Diálogos da Transição debate p...
26/06/26
Biometano
CGOB: ANP inicia participação social sobre Informe Técnico
26/06/26
Petrobras
Lubnor, referência em asfaltos e produtos especiais come...
25/06/26
Combustíveis
Painel dinâmico da ANP mostra dados de comercialização d...
25/06/26
Combustíveis
Aumento da mistura de etanol na gasolina fortalece produ...
25/06/26
Energy Summit
Lemon Energia recebe Ouro em Sustentabilidade no Energy ...
25/06/26
Pré-Sal
Campo de Búzios supera próprio recorde e produz 1 milhão...
25/06/26
Energy Summit
ABDI destaca redução no tempo de contratação em compras ...
24/06/26
Energy Summit
Binatural conquista Energy Summit Awards e reforça prota...
24/06/26
Energy Summit
Tauil & Chequer | Mayer Brown reúne representantes da AN...
23/06/26
Internacional
Petrobras e Pemex firmam parceria para cooperação em E&P
23/06/26
Fenasucro
Pela primeira vez, Brasil recebe congresso latino-americ...
23/06/26
Energy Summit
Com quatro prêmios, ENGIE é destaque no Energy Summit Awards
23/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.