Petroquímica

Companhias repassam aumento da nafta e deixam analistas confiantes

Valor Econômico
18/11/2004 00:00
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Os analistas do setor petroquímico ficaram otimistas após a divulgação de resultados do terceiro trimestre. Segundo eles, todas as empresas conseguiram repassar interna e externamente a alta de quase 40% no ano da sua principal matéria-prima, a nafta. Com isso, a maior parte das projeções foi superada e muitos reavaliam os preços que consideram justos para as ações. Os preços alvos levam em conta as condições de mercado, da procura pelo papel e os resultados esperados para a empresa.
Quase todas as empresas analisadas têm projeções de lucro líquido bastante superiores às desse ano, de acordo com levantamento da Thomson Financial Brasil com base nos relatórios de análise das corretoras. O caso mais expressivo é da Braskem, com projeção de rentabilidade de R$ 1,760 bilhão em 2005, frente os R$ 275,07 milhões ainda para este ano.
De acordo com o analista Marcelo Hideki, da Coinvalores, um fator favorável aos resultados é a demanda mundial, que deve crescer cerca de 4% ao ano pelo menos até 2007, ante alta de apenas 1% da oferta em igual período. "Nenhuma grande companhia deve desequilibrar essa equação", diz o analista. Hideki ressalta que nem mesmo as perspectivas de queda no ritmo de crescimento da economia chinesa devem afetar o setor.
No mercado interno, o analista destaca os papéis da Braskem, Unipar, Copesul e Ultrapar. "As empresas estão apresentando resultados muito bons e têm conseguido repassar os aumentos de custos com boa margem", diz. O potencial de valorização das ações, no entanto, está sendo revisado pelo analista. Como elas já subiram bastante em 2004, diz Hideki, a recomendação é que o investidor mantenha o papel até que novas projeções sejam feitas.
Para Marcos Paulo Fernandes Pereira, analista da Socopa, as melhores oportunidades estão nas ações preferenciais da Ultrapar e PNB da Unipar, que não aproveitaram a recente valorização do setor. Mesmo assim, no ano, até segunda-feira, os papéis acumulavam alta de 35,5% e 90,15%, respectivamente. O recorde era de Copesul ON, com ganho de 152,12%, seguida pela valorização de 105,95% de Petroflex PNA.
Para o analista, trata-se de um setor bastante sensível ao crescimento econômico mundial, por ser do mercado de embalagens.
Em vista da alta do petróleo e dos produtos plásticos, algumas empresas começaram a retornar ao vidro em suas embalagens, como as fábricas de refrigerantes. Mas essa eventual redução de mercado é vista como isolada pelo analista. "Na maioria dos produtos é difícil trocar", diz.
O chefe de análise da ABN Amro Real Corretora, José Francisco Cataldo, estima que 2005 seja o ano de pico da alta dos preços dos produtos das petroquímicas. Somente do segundo para o terceiro trimestre, a alta foi de 17%, em dólar, segundo dados da ABN Amro Real Corretora."Até o fim de 2006, não haverá nova capacidade de produção (concorrente)", diz. Para 2007, é esperada a maturação de fábricas na Ásia. No ano que vem, começa a operar a Rio Polímeros.
Devido ao potencial poluente, o setor fica relegado aos países considerados "em desenvolvimento", que tiram vantagem dos ganhos. Cataldo lembra que o setor já trabalha a cerca de 95% de sua capacidade no Brasil. Dessa produção, cerca de 80% fica aqui, mas as empresas praticam preços equivalente aos de importados, incluindo valor de frete e armazenamento, dizem analistas. Pela garantia de freqüência na entrega, os consumidores aceitam.
Na avaliação de Cataldo, mesmo com os preços do petróleo e da nafta regredindo no ano que vem, os preços praticados pelas empresas devem continuar altos, o que aumenta as margens de lucros.

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