Mercado

Consultoria vê pouco espaço para queda do petróleo

O Estado de São Pau
05/07/2006 00:00
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Preço deverá continuar alto no restante de 2006, em torno de US$ 70 o barril, caindo para US$ 66 em 2007

A consultoria Economist Intelligence Unit (EIU) previu ontem que os preços do petróleo deverão ficar mais voláteis nos próximos dois anos e haverá pouco espaço para pressões baixistas. Por isso, o preço deverá continuar alto no restante de 2006, em torno de US$ 70 o barril, caindo para US$ 66 em 2007.

A consultoria britânica ainda manteve a previsão de que o aperto na relação entre oferta e demanda mundial vai começar a ceder nos próximos meses, mas está mais pessimista em relação à rapidez do processo e o quão eficiente ele será para aliviar os preços da commodity.

Segundo a EIU, entre produtores que não integram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como o Brasil e Sudão, muitos projetos petrolíferos esperados para entrar em operação neste ano e em 2007 estão atrasados.

Enquanto isso, os crescentes custos dos projetos de produção prejudicam as empresas petrolíferas. Além disso, a recuperação da produção nos Estados Unidos tem sido mais lenta que o esperado, com mais de 340 mil barris diários fora do mercado. Diante desse quadro, o aumento da produção em países não membros da Opep deverá ficar em torno de 2% neste ano, ante os 3,4% previstos anteriormente. "Isso significa que o mundo vai ter de depender mais da Opep para satisfazer suas necessidades", disse.

Apesar da forte alta dos preços, a EIU acredita que o consumo vai aumentar 1,9% neste ano, mais que o 1,3% no ano passado. Esse aumento na demanda continua alimentado principalmente pela China e outros países em desenvolvimento.

"Nesse ambiente de incerteza na oferta e crescente demanda, num momento de capacidade ociosa insuficiente, o impacto nos preços nos últimos meses tem sido altista", disse. "Em tais condições, os riscos geopolíticos - a tensão em torno do programa nuclear iraniano - exercem influência importante ao adicionar um substancial prêmio ao preço do petróleo."

CRESCIMENTO ECONÔMICO

A EIU prevê que a economia mundial crescerá 5% neste ano, mas alerta que os riscos para a estabilidade financeira estão aumentando, principalmente nos mercados emergentes. "A aversão ao risco cresceu e alguns mercados mais excessivamente comprados têm sido alvo de pressão, principalmente a Turquia", disse a consultoria.

"Esses mercados têm sido beneficiários de fluxos de capitais estrangeiros substanciais nos últimos anos, pois os investidores, desesperados por altos retornos, compraram ativos domésticos, em alguns casos ignorando grandes desequilíbrios externos ou fiscais."

A consultoria avalia que a volatilidade nos mercados emergentes vai continuar, principalmente enquanto os principais bancos centrais do mundo continuarem a reduzir a liquidez por meio do aumento dos juros. "Os investidores vão enfrentar um ambiente difícil nos mercados emergentes, mas deverão continuar seletivos, apostando em países com amplos desequilíbrios externos e fiscais", disse. Segundo a EIU, Turquia - que elevou os juros nas últimas duas semanas -, Hungria e outros países do Leste Europeu se encaixam nessa categoria.

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