Energia
Jornal do Commercio
A Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE) divulgou ontem (16), no Rio, que o consumo de energia no País deve crescer, entre 2008 e 2017, à taxa média de 5,5% ao ano. A previsão, que toma como base uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 5% ao ano e crescimento populacional de 20,5 milhões de habitantes, ficou pouco distante da divulgada no último levantamento feito pelo instituto, que previu expansão de demanda de energia de 5,1% para um crescimento da economia de 4,5%.
"O levantamento apontou que o maior crescimento da economia não implicará em expansão maior que a já esperada do consumo de energia. Antes, prevíamos consumo pouco inferior a 5,5% para uma taxa de crescimento do PIB de 4,5%. Isto é possível por conta de quatro fatores: o próprio crescimento da economia, a mudança do perfil de produção da economia, o aumento das importações e a maior eficiência de máquinas e equipamentos", explicou o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, que apresentou o plano decenal desenvolvido pelo instituto.
De acordo com ele, economias mais desenvolvidas e de renda mais elevada apresentam menor consumo de eletricidade, uma vez que o perfil do consumo residencial pouco muda. "Não é porque uma família tem mais dinheiro que a casa vai passar a ter mais geladeiras, microondas e outros eletrodomésticos consumidores de energia. O consumo acaba se mantendo praticamente o mesmo, ao passo que a economia cresce mais", acrescenta.
Outro ponto destacado por Tolmasquim é a mudança do perfil da economia brasileira, que começa a apresentar expansão em setores menos intensivos em energia e com produtos de maior valor agregado, como equipamentos eletrônicos. "As importações também têm colaborado muito, porque consumimos produtos que tiveram o consumo do insumo energia feito em outro país. Também colabora o avanço tecnológico, que permite a criação de aparelhos com maior eficiência", diz.
Por conta deste fatores, o grau de elasticidade entre o crescimento da economia e o consumo de energia apresentaria redução nos próximos dez anos, ficando em linha com os índices observados em economias desenvolvidas. "Nosso grau de elasticidade já foi de um para dois. Ou seja, para cada 1% de expansão da economia, o consumo aumentava em 2%. Projetamos que a elasticidade ficará, em 2017, em 1,07%", estima o presidente da EPE.
Com base no plano decenal, o consumo total de eletricidade no país atingirá 706,4 terawatt-hora (TWh) em 2017, frente a estimativa de 435,1 TWh de consumo total para 2008. Do total previsto para daqui a dez anos, o consumo final na rede - já descontando autoprodução e perdas - será de 604,2 TW/h (85%) e a autoprodução de 102,3 TW/h (15% restantes). Hoje a geração própria de energia representa apenas 7,1% do total produzido no país.
No acumulado de 2008 a 2017, a indústria teria aumento de consumo de 3,8%, enquanto o setor de comércio e serviços, 7%, e as residências, 5,3%. O consumo de energia per capita passaria dos atuais 2.340 KWh, para 3.485 KWh ao final do período. Ainda de acordo com a EPE, a maior contribuição para o fornecimento de energia virá da autoprodução, que tem previsão de crescer 11,2% entre 2008 e 2017, enquanto o consumo final total da rede se expandira 4,8%.
Para atender à demanda prevista, o sistema elétrico integrado terá de dispor de 2.600 MW/médios entre 2008 e 2012 e de 3.050 Mw médios entre 2012 e 2017. Em cada um dos períodos, a necessidade de expansão da capacidade instalada seria, respectivamente, de 3.500 Mw médios a 4.500 Mw médios e de 4 mil Mw médios e 5.200 Mw médios.
Fale Conosco