Energia
Gazeta Mercantil
Com o interesse dos chineses de obter informações sobre a experiência de mais de 30 anos da Companhia de Energia do Paraná (Copel) na operação integrada de reservatórios em hidrelétricas instaladas num mesmo rio, a estatal paranaense e o conglomerado chinês CYPC (China Yangtze Power Company), responsável pela gestão e operação da maior central do mundo em capacidade instalada, a Usina de Três Gargantas, assinaram um acordo de cooperação técnica e intercâmbio de informações.
Para a Copel, o acordo vale para conhecer os métodos e processos empregados na China que tornaram possível gerenciamento de um megaempreendimento como Três Gargantas.
A Copel administra três usinas no rio Iguaçu e, durante muito tempo, foi a responsável também pelo controle hidrológico de duas outras usinas da Eletrosul que hoje pertencem a Tractebel. A estatal de energia paranaense, inclusive, administra as duas primeiras usinas do rio - Foz do Areia, com 1.676 megawatts (MW), e Segredo, com 1.260 MW, as mais importantes para o controle de vazão do Iguaçu. Logo abaixo estão Salto Osório ( 1.078 MW) e Salto Santiago (1.420 MW), da Tractebel e, em seguida, Salto Caxias, da Copel, com 1.240 MW.
“A chinesa CYPC tem planos de aproveitar as vazões no restante do Rio Yangtze (Rio Amarelo) e de construir, até 2020, outras 25 hidrelétricas, que somarão mais 15.800 MW de potência, e aí a experiência acumulada da Copel na gestão de várias barragens de um mesmo rio se torna importante”, disse Paulo Roberto Trompczynski, diretor de finanças e presidente em exercício da estatal.
“A China construiu a barragem de Três Gargantas com a finalidade básica de controlar as vazões do Rio Yangtze, prevenindo e amortecendo as grandes cheias que lá costumam ocorrer e mantendo sua navegabilidade”, explicou Raul Munhoz Neto, diretor de geração e transmissão de energia da Copel. “Para gerenciar e operar corretamente o grande número de barragens que esperam construir por lá, a CYPC pretende contar com os conhecimentos técnicos da Copel”, acrescentou o executivo da companhia.
A programação oficial da delegação chinesa com o presidente da CYPC, Cheng Zhang, e também o diretor encarregado da Usina de Três Gargantas, Baocheng Wang, incluiu uma visita na última terça-feira ao Centro de Operação da Geração da Copel, local de onde são controladas e comandadas remotamente todas as suas usinas hidrelétricas e a usina de Segredo, no rio Iguaçu.
Maiores do mundo
Ontem, a delegação foi visitar hidrelétrica de Itaipu, com a qual concorre para se tornar a maior do mundo também em geração de energia - em 2008, mesmo, sem estar concluída, a Usina de Três Gargantas atingiu a geração de 80 milhões de megawatt-hora (MWh), enquanto a produção de Itaipu ficou em 94,6 milhões de MWh. A usina chinesa foi projetada para ter, ainda este ano, quando estiver totalmente concluída, 18.200 MW de potência, 4.200 MW a mais que a hidrelétrica de Itaipu que, mesmo assim, não perderá o título de maior hidrelétrica do planeta em quantidade de eletricidade produzida.
Compra de tecnologia
Com a Itaipu Binacional, há em curso uma negociação, via Eletrobrás, para que os chineses comprem a tecnologia de operação e manutenção das turbinas de 700 MW, porque a usina brasileira reduziu de seis meses para um mês as paradas obrigatórias para manutenção dos equipamentos.
A China Yangtze Power Company foi criada em novembro de 2002 para gerenciar e fazer a gestão da Usina de Três Gargantas e da Usina de Gezhouba, com 2.715 MW. Por três anos, de 2004 a 2006, foi apontada como “a empresa mais valiosa” entre aquelas com ações negociadas na Bolsa de Xangai.
Na mesma bacia
A companhia CYPC tem planos de construir novas usinas na mesma bacia, começando pelo rio Jinsha, onde, a primeira delas, a Hidrelétrica de Xiluodu, está em obras e sua potência final prevista é de 12.600 MW.
Os demais projetos da companhia chinesa são os das usinas de Xiangjiaba (6 mil MW), Baihetan (12 mil MW) e Wudongde (7.400 MW).
Fale Conosco