Mercado

Cosan Bioenergia em busca de parceiros

Jornal do Commercio
22/05/2009 04:43
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A Cosan procura atrair novos investidores para suas operações de produção de energia elétrica a partir da queima do bagaço da cana-de-açúcar. Para isso, a Cosan Bioenergia, uma empresa já existente do grupo, está sendo reestruturada para englobar as operações de cogeração e os ativos correspondentes a esta atividade de todas as usinas geradoras de energia excedente que hoje pertencem ao grupo, de acordo com o vice-presidente geral da Cosan, Pedro Isamu Mizutani.

 

Segundo ele, esta empresa irá gerenciar todas as operações de produção e comercialização de energia produzida através da queima do bagaço de cana. "Ao concentrar toda a operação de cogeração espalhada por dezenas de usinas em apenas uma empresa, é mais fácil encontrar investidores para este empreendimento", explica.

 

Mizutani conta que existem muitos investidores em potencial para o mercado de energia que não querem investir em açúcar ou etanol "Eles querem apenas energia elétrica, e a criação da Cosan Bioenergia vai facilitar este processo", explica. O executivo afirma que ainda não existe parceria fechada, mas o investidor ideal seria o de um fundo com perfil de longo prazo, já que "os investimentos em cogeração tem um retorno médio de 15 anos". Não estão descartados, contudo, parceiros também produtores de energia elétrica, como pequenas centrais hidrelétricas (PCH).

 

Para Mizutani, a associação com pequenas centrais hidrelétricas possibilitaria o fornecimento contínuo de energia por todo o ano, já que a cogeração se concentra no período de safra. Com a entrada em vigor da nova empresa, Mizutani conta que as usinas da Cosan serão fornecedoras de bagaço para a Cosan Bioenergia, que fornecerá energia para as usinas. "Elas serão fornecedoras e clientes uma da outra", disse. O executivo conta que, no momento, o processo se encontra na fase de "separação de ativos" para constituir a nova empresa.

 

 

De um potencial de produção de energia através de cogeração existente de 1.200 MW nas usinas do grupo Cosan, 294 MW já estão instalados. "Parte deste volume instalado já está sendo vendido para o mercado", disse Mizutani. Das 21 usinas do grupo (sem considerar as usinas da NovAmerica, que ainda não foram incorporadas), 11 já estão produzindo ou em vias de produzir energia excedente que pode ser vendida para o mercado até 2013", disse o executivo. Por exemplo, as usinas Costa Pinto e Rafard já venderam energia nos leilões do governo e começam a entregar a partir deste ano um volume de 144 MW.

 

No ano passado, estas usinas também venderam energia no mercado livre, para testar o processo de fornecimento da empresa antes de iniciar a entrega da energia vendida em leilão. A usina Serra já vende um pequeno volume para a CPFL desde 2002. "É um volume insignificante mas foi a nossa experiência pioneira", disse.

 

A usina Gaza também já fornece energia para a CPFL. As usinas Bonfim, Jataí (GO) e da Barra começarão a entregar energia a partir de 2010 e as suínas Univale, Diamante e Ipauçu a partir de 2011. Em 2013, é a vez da usina de Paraúna (GO). Nas dez usinas acima, excluindo-se a da Serra, foram investidos R$ 2,1 bilhões. Segundo o vice-presidente, para instalar cogeração em todas as 21 usinas seriam necessários investimentos da ordem de R$ 3,5 bilhões.

 

"São recursos expressivos para serem feitos em um cenário não muito favorável. Por isso, estamos investindo neste momento apenas em usinas em que a energia é gerada a um custo competitivo com os preços pagos nos leilões realizados pelo governo", disse. No último leilão de reserva, o preço foi de R$ 157 por MW e no último leilão de ajuste o valor foi de R$ 145.

 

O executivo conta que, de toda a energia produzida pela Cosan, 80% é comercializada através dos leilões regulares do governo. "Vendemos a maior parte de nossa energia neste mercado cativo porque precisamos dessa segurança, de longo prazo, para conseguir financiamentos do BNDES e desta forma dar continuidade a nossos investimentos em cogeração", disse.

 

 

receita garantida.Segundo ele, adotar uma postura conservadora para ter uma receita garantida é essencial para a cogeração, uma atividade que precisa de capital intensivo. Apenas uma pequena parte da energia gerada é comercializada via mercado livre. "Muitas empresas deixaram para vender no mercado livre e não venderam nos leilões oficiais porque o mercado livre oferecia preços mais remuneradores. Mas veio a crise, os preços do mercado livre caíram e agora elas estão em maus lençóis", disse.

 

Segundo ele, esta queda do preço da energia diante da retração do consumo industrial e dos reservatórios de água cheios deve tornar menos viáveis novos investimentos em cogeração de biomassa. "Existe um bom abastecimento energético agora, o que reduziu a preocupação do governo com energia elétrica, mas o governo precisa se preocupar com o longo prazo. Se a economia voltar a crescer, o país precisará de energia nova e, enquanto uma hidrelétrica precisa de no mínimo seis anos para ser construída, uma usina de cogeração fica pronta em dois anos", explica.

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