Negócios

CPFL fecha negócio com Ersa e cria empresa de R$ 5 bi

Valor Econômico
20/04/2011 10:06
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A CPFL Energia e a Ersa fecharam ontem o negócio para união de suas operações de geração de energia alternativa para criar a CPFL Renováveis.


A empresa tem 33 pequenas centrais hidrelétricas em operação, quatro usinas de biomassa e quatro eólicas, que juntas produzem 648 MW e faturam R$ 500 milhões por ano. As estimativas de bancos são de que a nova companhia, por conta de seu portfólio, valha cerca de R$ 5 bilhões.


Até o início do ano de 2013, a capacidade de geração vai ultrapassar os 1.000 MW, com investimentos, em dois anos, da ordem de R$ 5,8 bilhões. Em 2015, os sócios da nova empresa esperam ter mais de dois mil MW em operação. Apesar de estar distante de alcançar a magnitude do parque gerador das gigantes mundiais do setor, a CPFL Renováveis já nasce a maior da América Latina e com o marketing pronto para ter ações lançadas em bolsa de valores, que será uma opção para a saída dos sócios financeiros que hoje são donos da Ersa.


A CPFL terá 63,58% do capital e e o restante será dividido entre Pátria Investimentos, Eton Park, dois fundos administrados pelo BTG Pactual e Banco Bradesco de Investimentos, além da GMR Energia e do Deg, braço financeiro do banco de desenvolvimento alemão. Apesar da posição majoritária da CPFL, a administração da empresa será dividida por dois presidentes. Um deles é o atual vice-presidente de geração da CPFL, Miguel Saad, e o outro é o presidente da Ersa, Ernesto Sahad.


O presidente da CPFL Energia, Wilson Ferreira Jr., e o sócio do Pátria Investimentos, Otavio Castello Branco, dizem que toda e qualquer aquisição, venda de energia em leilão ou em mercado livre que envolvam fontes alternativas será feita pela nova empresa. Isso não vai tirar a CPFL, entretanto, da participação em grandes projetos hidrelétricos, que também são de energia renovável, e termelétricos.
 

A CPFL Geração continuará sendo um braço importante do grupo, que tem a Camargo Corrêa e a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, como principais sócios.


Com a aquisição recente da Siif Ènergies, por R$ 1,5 bilhão e agora com a união com a Ersa, Ferreira diz que a CPFL ganhará nova expertise ao ser desenvolvedora de seus próprios parques eólicos ou projetos de pequenas centrais hidrelétricas. Com isso, ele espera ser mais competitivo em próximos leilões e já terá um portfólio de mais de 500 MW prontos para irem a leilão. Além disso, a empresa quer explorar o mercado livre de energia, aproveitando sua posição de liderança na comercialização, e já anunciou investimento de R$ 600 milhões para construir parques eólicos no Nordeste do país. O mercado livre também foi indutor dos investimentos da Ersa, que tem hoje 11 PCHs e mais de metade delas teve energia negociada fora dos leilões do governo federal.


Em energia eólica, a empresa argentina Impsa continuará sendo a líder do setor no país e a CPFL Renováveis também terá a forte concorrência de multinacionais como a Iberdrola, que no ano passado foi uma das grandes vencedoras do leilão realizado pelo governo federal. Os espanhóis foram bastante agressivos e venderam 110 MW de energia, em leilão bastante competitivo, que deixou a própria CPFL de fora da disputa.


Como grande operador mundial, a vantagem da Iberdrola é ter escala suficiente para poder negociar melhores preços de equipamentos. A empresa é dona de um parque gerador, já em operação, que se aproxima dos 13 mil MW. Só no ano passado, a companhia instalou mais de 1.500 MW no mundo.


Na Europa, as empresas "renováveis" pertencentes a grandes elétricas já surgiram há mais de uma década e foram responsáveis por captação de grandes volumes de recursos para suas companhias. A Iberdrola Renovables chegou a captar US$ 6 bilhões em sua oferta pública inicial de ações, em valores do ano de 2007. Mas a empresa faz agora o cominho contrário do que segue a CPFL. Ela está incorporando novamente sua empresa de renováveis à holding Iberdrola. Outro caso é o da EDP, que também separou suas atividades de renováveis e sofre pressão dos acionistas que querem saber se a companhia seguirá os passos da Iberdrola. Em um mercado combalido pela crise, como o europeu, os papéis da EDP Renováveis têm se beneficiado ultimamente dos acontecimentos no Japão, que colocaram a energia nuclear em xeque e reforçaram o interesse nas energias renováveis.
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