Transição Energética

Em evento do IBP, especialistas ressaltam que petróleo e gás complementam as fontes renováveis na transição energética

Redação TN Petróleo/Assessoria IBP
20/04/2022 15:28
Em evento do IBP, especialistas ressaltam que petróleo e gás complementam as fontes renováveis na transição energética Imagem: Divulgação Abeeólica Visualizações: 2993

O petróleo e os seus derivados não competem com as fontes renováveis de geração de energia, no atual cenário de redução da emissão de carbono da matriz energética mundial. Esses recursos, na verdade, são complementares e fundamentais para a segurança do abastecimento, segundo quatro especialistas de ponta do setor de Energia que participaram, ontem (19/4), do webinar ‘Tudo o que você sempre quis saber sobre energia e sustentabilidade... Mas tinha medo de perguntar’. O evento virtual foi promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).

“Não são os fósseis versus os renováveis. Não existe essa competição. O que existe é uma complementariedade”, afirmou a diretora executiva corporativa do IBP, Fernanda Delgado, durante o seminário. 

Para a gerente executiva de Mudança Climática da Petrobras, Viviana Coelho, a polarização entre as diferentes fontes de energia é uma criação narrativa, sem respaldo prático. Ela destacou que a Petrobras, uma empresa do segmento de petróleo, investe intensivamente na redução da emissão de carbono das suas operações e produtos e tem obtido um resultado relevante nessa área. “A redução da emissão que pode ser feita agora é a mais importante. Temos que agir rapidamente”, disse Coelho.

De acordo com as especialistas, o acesso a diferentes fontes de geração de energia ajuda os países a evitar crises de falta de suprimento. Clarissa Lins, sócia-fundadora da Catavento Consultoria e conselheira do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), explica que, com as interferências no ecossistema do planeta, ficou mais difícil prever o comportamento do clima por meio de antigos modelos. Isso obriga os países a estarem mais preparados para eventualidades e, quanto mais recursos tiverem para isso, mais fácil será enfrentar as crises.

“Enquanto não aprendermos a consumir menos energia para manter o bem estar, vamos precisar da diversidade de fontes e, ao mesmo tempo, caminhar no sentido da descarbonização, também no segmento fóssil”, destacou Clarissa.

Élbia Gannoum (foto), presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), ressaltou a impossibilidade de uma indústria operar sem impactos ambientais. Mesmo no segmento eólico, que conta com uma das fontes mais limpas da matriz, há emissão de gases pela cadeia fornecedora. “Toda atividade humana traz impacto. A questão é o quanto. Não é uma questão de categoria, mas de intensidade. Cabe à indústria, diante dos impactos, buscar os efeitos mitigatórios”, afirmou.

Gannoum contou que tem mantido contato frequente com o Ministério de Minas e Energia (MME) para colaborar na construção das regras de funcionamento da atividade eólica offshore – um novo modelo de negócio de interesse compartilhado por geradoras de eletricidade e empresas petrolíferas. Segundo a presidente da Abeeólica, um workshop sobre o tema será realizado no próximo mês e, em seguida, o mercado poderá se posicionar durante a consulta pública que será aberta.

“O Brasil não pode querer nada menos do que ser um player global”, acrescentou Lins, ressaltando ainda que a indústria de energia é inovadora, está na base do bem estar da sociedade e cada vez mais se abre para perfis profissionais complementares, necessários para encontrar as respostas para a transição energética.

“Temos um problema bom. Nossa questão, no Brasil, é a administração da abundância de recursos naturais. E a indústria de óleo e gás tem um papel importante nessa administração”, afirmou Delgado. 

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