Renováveis

Energia limpa representa um terço da matriz portuguesa

Um terço da eletricidade consumida em Portugal até final de outubro foi produzida através de fontes renováveis (hídrica e eólica), indicam dados oficiais da REN, apesar de, com a metodologia utilizada pelo governo português, o valor chegar aos 45,2%.

Agência Lusa
04/12/2009 10:12
Visualizações: 865
Um terço da eletricidade consumida em Portugal até final de outubro foi produzida através de fontes renováveis (hídrica e eólica), indicam dados oficiais da REN, apesar de, com a metodologia utilizada pelo governo português, o valor chegar aos 45,2%.


A diferença explica-se pela metodologia utilizada, que nas contas de Lisboa se baseia no ano de 1997, que foi especialmente favorável a Portugal porque foi um ano propício ao setor devido à forte utilização das barragens em função das chuvas abundantes.


Até ao final de outubro, o consumo de eletricidade foi de 40,931 gigawatts/hora, dos quais 6,059 Gw/h produzidos pelas hidrelétricas. Além disso, foram produzidas 7,470 Gw/h a partir de usinas eólicas.


Ou seja, os 13,529 Gw/h produzidos por fontes limpas até outubro representam 33,05% do total consumido em Portugal, onde os 20,519 Gw/h produzidos em centrais térmicas (fuelóleo, gás natural e carvão) representam ainda a maior parcela da matriz.


No entanto, essa porcentagem de renováveis é diferente usando várias metodologias. Os 33,05% têm de ser ajustados ao fator hidraulicidade, ou seja, levar em conta se estamos num ano muito seco (pouca chuva, logo menor utilização das barragens) ou num ano úmido.


Os dados da REN indicam que o Índice de Produtibilidade Hidroelétrica acumulado nos primeiros 10 meses do ano é de 0,67, um ano seco já que um ano de hidraulicidade média tem um índice 1.


Assim, ajustando ao ano médio a percentagem de renováveis na produção elétrica este ano seria de 40%.


A metodologia seguida pelo Governo e por agências como a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) dá percentagens diferentes. O diretor-Geral da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), José Perdigoto, explicou à Agência Lusa os motivos.


"A questão nasce com a primeira diretiva europeia das renováveis, em 2001. A base de partida escolhida para todos os países, incluindo Portugal, foi o ano de 1997, que tinha um índice de hidraulicidade de 1,22", afirmou Perdigoto.


Ou seja, a produção de eletricidade pelas barragens portuguesas nesse ano foi 22% superior ao ano médio.


"Assim, para fixar o objetivo [para 2010, que era usar 39 % de renováveis], partimos de uma base que já estava empolada e que não correspondia a um ano típico de hidraulicidade média para Portugal", declarou José Perdigoto.


Ajustando ao índice de hidraulicidade do ano de 1997, a porcentagem de renováveis de Janeiro a Outubro deste ano seria de 45,2%.


O governo português aumentou as suas metas para 45% até 2010 (usando a base de 1997).


"O governo aumentou, e bem, porque percebeu que - com base nessa metodologia - o que estava a ser feito de eólicas chegava facilmente aos 39%. Foi necessário colocar mais ambição nas metas", considera Perdigoto.


"No âmbito da nova diretiva de renováveis para 2020, que estamos a transpor, a Comissão já quer aplicar uma metodologia comum [a todos os países] que utiliza uma média de hidraulicidade dos últimos 15 anos", explicou.


"Do ponto de vista técnico o mais correto é usar a série a 15 anos", considerou.


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